AUTOMATION IN PORTS AND LABOUR RELATIONS IN XXI CENTURY

By Raquel Varela, labour historian IISH, UFF, UNL) , Henrique Silveira, mathematician (IST)

Abstract. In this part of the work we analyse mathematically the costs and
benets of automation in ports. In particular we analyse automation in cranes
and its implications to labour, unemployment, and net nancial benets and
losses for the operators. We studied the concept of eciency viewed by operators
and by port clients. We concluded that automation is in general not
protable for the operators. We discussed brie y the losses for the public of
the automation process, measured in net loss of taxes collected by the states
and by unemployment subsidies conceded to discharged dockers. Finally we
discussed the losses in GNP generated by the processes of automation. This is
a general study using averages to generate general results applicable to almost
all cases, we had to make general simplifying assumptions always trying to
minimize possible errors. Particular studies can be rened with actual data
from each local port and social and legislative data for each particular country.
In the second part of this work in the rst section we relate the analysis of
precarious work to the state, in particular, as a direct participant functioning
as both employer and mediator. In the second section we present a short
overview of the evolution of casualization in the context of employment and
unemployment in contemporary Portugal (1974-2014). In the third section we
discuss state policies on labour relations, particularly in the context of the
welfare state. Finally, we compare this present analysis with Swedish research
done from the perspective of the state as a direct participant and mediator
over the past four decades.

Full study in pdf herestudyAutomation (2)

Keywords Labour Relations, automation, employmnet, unemployment,
precarity, automated crane

Save The Hammer For The Man

Esta música tocada por Tom Morello e Ben Harper, que vai a Portugal agora, maravilhosa, apela a que os trabalhadores deixem de se denunciar e atacar entre si e guardem o martelo/os conflitos para os patrões/Estado. Faz parte do The Nightwatchman (o que guarda a casa de noite, não se deixa enganar) alter ego de Morello, é tocada no álbum World Rebel Songs.
Esta versão com Harper é de uma beleza musical especial. Como alguém diz nos comentários 5 minutos de pura beleza.

This land is my land

This land is your land This land is my land
From California to the New York island;
From the red wood forest to the Gulf Stream waters
This land was made for you and Me.

(…)

In the shadow of the steeple I saw my people,
By the relief office I seen my people;
As they stood there hungry, I stood there asking
Is this land made for you and me?

Nobody living can ever stop me,
As I go walking that freedom highway;
Nobody living can ever make me turn back
This land was made for you and me.

Politicamente correcto e inútil

O debate sobre o racismo em Portugal está marcado pela guetização, fruto da fragmentação política. Facto que os movimentos anti-racistas e seus activas se recusam a reconhecer. Os movimentos anti-racistas têm feito o possível para tirar o carácter de classe às suas lutas, o que, infelizmente, é errado analiticamente e condena a luta anti-racista ao fracasso. Analiticamente é errado porque coloca na pele um problema que é desde logo e hoje sobretudo social, de classe – uma parte da sociedade é racista, mas uma parte muito maior, quem sabe maioritária tem medo (e nojo) dos pobres, não por serem negros mas por serem pobres. É assim que modelos negras bonitas, um Obama inteligente, uma criança negra bem alimentada, vestida e limpa são acarinhados, mas se estas pessoas tiverem olhos exaustos, anémicos, roupas velhas, olhar esquivo, falta de higiene, ou seja, as marcas da pobreza na cara, são rejeitadas. Um interessante estudo internacional demonstrou aliás o mesmo em relação aos imigrantes – os que são rejeitados são só os pobres, não por ser imigrantes, porque os imigrantes ricos são bem recebidos, mas por serem pobres.
 
Dá-se a coincidência, alicerçada num racismo histórico do país – evidente, isso não está em discussão -, de que os negros em Portugal são mão-de-obra baratíssima em sectores indiferenciados (obras, limpeza, restauração), altamente rotativa, e foram largamente acomodados em bairros sociais, onde não há qualquer mobilidade social, mas os ciganos e – a maioria dos moradores de bairros sociais, brancos e pobres – não são tratados com mais respeito pela polícia. A filosofia dominante democrático-liberal tem insistido numa visão social que fragmenta a ideia de classe em género, pele, etnia, nação e isto é funcional à manutenção do status quo porque afasta os trabalhadores brancos dos trabalhadores negros. Nos últimos anos a coisa ganhou contornos patéticos com movimentos negros a reclamarem que só eles negros podem falar dos negros – em particular no Brasil assisti perplexa a isso. Tão forte como os movimentos de mulheres que proíbem a entrada de homens ou os intelectuais de esquerda que não suportam que intelectuais de outros países venham falar do seu. A pele, o género, a nação, tudo menos a classe.
 
Acarinhar esta visão é um erro porque ela oferece a ideia de que pode-se acabar com o racismo (e com a xenofobia e o machismo) sem acabar com as brutais divisões de classe e origem social, e isso é historicamente falso, na verdade o caso mais paradigmático, a África do Sul, está aí para o demonstrar da pior forma. Não tenho dúvidas que os movimentos anti racistas hoje não abraçam a tese do racismo/classe porque assim é menos polémico, mais aceitável para o Estado, deixa de ser uma luta de carácter económico e passa a ser uma reivindicação de direitos democráticos. Pura ilusão. Porque enquanto os negros viverem num gueto, e servirem às mesas, como se fosse uma marca genética de pobreza eterna, ainda que num país onde culturalmente tenha sido abolido o racismo, a sociedade vai olhar na sua maioria e ver…negros a servir às mesas. Porque não se pode culturalmente abolir o racismo quando é uma marca cultural a própria pobreza dos negros.
 
Já agora, conto-vos uma curta história, que durou meio século. O apartheid nasceu nos anos 30 e 40 neste contexto histórico – a exploração das minas de ouro da África do Sul era muito profunda e só compensava aos que se tornaram donos daquelas terras se o trabalho fosse muito barato porque os custos de investir em tecnologia ou trabalho mais qualificado não eram compensados pela profundidade dos minérios. Tal como hoje o petróleo no Brasil, em parte, para dar um exemplo. Então começa uma onda de greves organizada pela Oposição de Esquerda/Trotskistas expulsos da URSS e, antes, das perseguições judaicas. A África do Sul vai ter então uma das maiores organizações trotskistas do mundo. A greve, inspirada nos Wobblies norte americanos, o primeiro sindicato a ter trabalhadores brancos e negros nos EUA, vai juntar justamente negros e brancos e elevar os salários, é aí que os empresários das minas da África do Sul com o Estado decidem pela segregação formal, usando a polícia, a lei e o Exército para dividir os trabalhadores, nas minas onde depois vai-se usar trabalho forçado também de Moçambique até 1974 – embora o regime actual, contra a ciência histórica, goste de afirmar que o trabalho forçado dos negros em Portugal acabou em 1961, como se a lei tivesse mudado a realidade económica.
 
Penso que esta guetização ficou espelhada no debate Prós e Contras a que assisti fora do país, bem como as suas repercussões. Fátima Campos Ferreira convida um painel excepcional, contraditório, que fez um muito bom debate e foi apedrejada porque terá dito a uma cigana que ela era ruiva. O acessório e o superficial que insistem em utilizar, e que a direita hoje usa como argumento que tem força não só na direita mas fora dela. Está muita gente cansada de se olhar para os problemas pela rama, sem ir ao fundo das questões, e isso tem sido obra da esquerda pós-moderna, que a direita cavalga com apoio de massas. E tem apoio de massas não porque estão todos contra o politicamente correcto, mas porque muitos estão contra o politicamente inútil. É mesmo inútil num debate de fundo que a sociedade finalmente começou a fazer atacar a jornalista que o fez porque ela perguntou «a Sra. é ruiva e cigana?». Eu teria pensado o mesmo, não é comum ver uma cigana ruiva, mas é comum ver discussões patéticas tomar conta dos problemas importantes.

Os Corticeiros

Nunca me regozijei com a morte de ninguém. As vitórias e as derrotas políticas não se medem pelo fim inevitável, a que todos chegaremos. Mas na morte, seja de quem for, deve haver balanços históricos e todos os balanços são feitos de erros e acertos, papel pessoal e familiar – que no caso de Américo Amorim diz respeito só à sua família e próximos; e papel social – que me interessa muito, como historiadora do trabalho e diz respeito a todos nós, como cidadãos do país. A morte não nos iliba dos julgamentos históricos, nem é uma passaporte para a eternidade mítica.
Fiz parte da equipa que há uns anos produziu este documentário – Os Corticeiros. São milhares de homens e mulheres ao longo de décadas que trabalharam na fileira da cortiça. Da Companhia das Lezírias às fábricas de São João de Ver. A ver, porque onde há reis há súbditos – e isso é justamente o que há de errado neste país. É que para haver um homem muito rico, com uma fortuna acumulada que corresponde a mais de metade do SNS de 10 milhões de pessoas – que controla um monopólio, preços de produção e distribuição e tem de prenda uma empresa pública super lucrativa – tem que haver milhares de pobres, ao longo de muitos anos, e que ainda hoje trabalham 8, 10 horas por dia – trabalham, não brincam – e não conseguem sustentar a família, como se vê pelos testemunhos aqui, recolhidos nas fábricas “empreendedoras” da cortiça. Hagiografia é coisa de ditaduras. Começa a ser cansativo, para os historiadores insuportável, o servilismo acrítico com reis, chefes, patrões e papas: «Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.». Isto é o artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos do Homem de…1789. Quando é que vamos parar de andar para trás?

A história não é um sarcófago

Este ano são os 150 anos da publicação de O Capital de Karl Marx e os 100 anos da revolução russa. A maioria dos eventos que assinalam dois dos acontecimentos mais marcantes para a história da humanidade serão celebrados dentro das portas da academia, nas mais prestigiadas universidades dos países ricos, o que demonstra a fraqueza actual das ideias políticas (organizadas) de ruptura com o actual modo de acumulação no seio do movimento dos trabalhadores. O socialismo é quase só científico, paradoxalmente; é abraçado como objecto de estudo por intelectuais. Estarei em alguns destes congressos mundiais, onde aceitei novos desafios teóricos – a revolução como objecto global de estudo; a centralidade da acumulação por métodos económicos e não extra-económicos e portanto o papel dos trabalhadores produtivos e da política organizada -, que me ocupam os dias de estudo com entusiasmo mas o sentimento amargo do desencontro é inevitável. Desde que abriram os arquivos soviéticos nenhum trabalho publicado corroborou a tese de que a revolução russa – que mais mudança trouxe ao mundo – tinha em si a semente do termidor estalinista, da brutalidade da escassez dirigida pela burocracia. A crise de 2008 fez O Capital ganhar respeitabilidade incontornável, até nos corredores do senso comum económico mais superficial, cujas baboseiras ruíram com o colapso da maior empresa do mundo e do maior banco do mundo, a GM e o Bank of America. Porém, 20 anos depois de vários trabalhos mostrarem uma Rússia dominada até 1927 por conquistas salariais, contratos colectivos de trabalho, práticas democráticas nas fábricas, os trabalhadores estão esmagados hoje pela visão neoliberal de fim da história. A academia permitiu-nos um tempo de estudo fabuloso, mas quem reconhece o precipício económico que espreita na próxima crise cíclica não tem razões para celebrar que o mais profícuo conjunto de ideias progressistas esteja hoje confinado a uma sala de conferências, por mais prestigiada que seja. Lénine – cujo último ano de vida foi passado a tentar afastar Estaline do poder, que descreveu como um rude, bruto em seu testamento – era unanimemente descrito pelos seus biógrafos como um homem que se preparou para as vitórias apoiando-se na possibilidade de ter os meios mais escassos à disposição. Optimismo estratégico, pessimismo táctico. No mínimo deviam dar-lhe a honra de acabar com aquela múmia indigna. A história não é um sarcófago.

Marx e o Marxismo 2017

http://www.niepmarx.blog.br/MM2017/marxmarxismo2017.htm

Marx e o Marxismo 2017

De O capital à Revolução de Outubro (1867 – 1917)

De 21 a 25 de agosto de 2017

Local: Universidade Federal Fluminense – Campus do Gragoatá

PALESTRANTES DAS SESSÕES PLENÁRIAS:

• Fred Moseley (Mount Holyoke College, EUA) • Jorge Grespan (USP) • Alex Callinicos (King’s College London, Inglaterra) • Lucia Pradella (King’s College London, Inglaterra) • Marcelo Carcanholo (UFF) • Kevin Murphy (University of Massachusetts, EUA) • Valério Arcary (IFSP) • Raquel Varela (Universidade Nova de Lisboa, Portugal) • Julio C. Gambina (Universidad Nacional de Rosario) • Paulo Eduardo Arantes (USP) • Marcelo Badaró Mattos (UFF) • Miguel Vedda (Universidad de Buenos Aires, Argentina) • José Paulo Netto (UFRJ)

Informações e dúvidas: mm2017@niepmarx.com.br