Klaus Dorre e a assistência social alemã

Na UFF dia 25 de Outubro às 10 da manhã no Bloco 0, uma conferência colectiva vai debater a reestruturação produtiva, destaco que Klaus Dorre, sociólogo alemã, investigador dos programas Harts IV vai estar na mesa de debate comigo, com o Marcelo Badaró e o Guilherme Leite Gonçalves. Para quem quer acompanhar os programas focalizados (assistencialistas) na Alemanha, este vai ser um debate público a seguir. PPGH/UFF

Advertisements

Um intelectual colectivo

Uma outra explicação, um «intelectual colectivo» face às avaliações individuais dos dias de hoje.
Os intelectuais críticos do sul sempre invejaram e se inspiraram na produção teórica Anglo-saxonica da New Left Review. As explicações dadas para o impacto mundial que esta revista teve estavam na qualidade editorial, no facto de ser numa língua universal, a profundidade dos debates e estudos, a simplicidade pedagógica da sua escrita, no vigor dos movimentos sociais dos anos 70. O Roberto DS Barros propõe uma outra explicação na sua tese de doutoramento além destas – a New Left funcionou como um “intelectual colectivo” permitindo a quem nela escrevia dar saltos de compreensão da realidade. Em tempos de avaliações individuais esta tese ousada defende a importância da reflexão e escritas colectivas em torno de um projecto comum. Uma pequena parte desse trabalho está neste artigo.

«TRABALHO IGUAL, SALÁRIO DIFERENTE»

Francisco Fernandes Ferreira acaba de editar um livro com os casos denunciados no Ganhem Vergonha. Escrevi com a professora Maria Augusta Tavares neste livro um contributo sobre precariedade laboral. O Ganhem Vergonha notabilizou-se no país pelo impacto mediático de casos de trabalho humilhantes, cuidadosamente escrutinados. São para ele os parabéns desta obra.

Nas 250 páginas da publicação, financiada por «crowdfunding», poderão encontrar considerações sobre o mundo dos sites de oferta e procura de emprego, exemplos de casos denunciados pela plataforma (agrupados por natureza), notas sobre a defesa de trabalhadores precários, algumas revelações sobre a metodologia usada na plataforma e ainda as reacções que provocou em trabalhadores e empresários.

Cada capítulo é acompanhado pela opinião de personalidades que actuam em áreas próximas dos temas abordados: Abel da Costa Ferreira (inspector de trabalho), João Camargo (activista), João Fernandes Ferreira (advogado), José Soeiro (deputado), José Vegar (jornalista), José Vítor Malheiros (jornalista), Luís Miguel Loureiro (jornalista), Manuel Afonso (sindicalista), Mário Moura (crítico de Design), Miguel Tiago (deputado), Nuno Ramos de Almeida (jornalista), Raquel Varela e Maria Augusta Tavares (historiadoras), Santana Castilho (professor), Tiago Barbosa Ribeiro (deputado), Tiago Gillot (activista), Rita Garcia Pereira (advogada) e Rita Rato (deputada).

 https://www.facebook.com/ganhemvergonha/photos/a.154566218054198.1073741828.133605270150293/811485032362310/?type=3&theater

A política das doenças

Metade da entrevista à Ministra do Mar no Expresso é sobre o cancro que teve. A capa é sobre o cancro e o destaque é do mais indigno que vi em jornalismo: «a Ministra gosta de um bom combate, sejam os estivadores seja a doença». Cito. É isso mesmo que está lá escrito. Ela gosta de ter tido um cancro? E os estivadores são como a doença, um cancro? A política é o cancro da Ministra?
Há estivadores com cancro, há estivadores com filhos com doenças gravíssimas, estiveram, estivadores e suas mulheres, 38 dias a lutar com filhos pequenos, doenças, choros e abraços contra um despedimento colectivo. Aliás, como investigadora das relações laborais no porto de Lisboa apercebi-me destes dramas por sugestão ou indício, porque nunca o perguntei nem – sublinho – me contaram tal. Nem eu podia fazer nada, não sou médica, esposa, ou filha. Nunca os estivadores fizeram a indignidade de contar as doenças privadas para apelar à solidariedade pública, durante a greve de Maio de 2016. Esta política de afectos – que remete à manipulação emocional da vida cívica do país – levou-nos desta vez à infâmia. Em vez de política debatem-se abraços, agora fomos mais longe, entrevistam-se doenças trágicas. A minha crítica à política para o mar desta Ministra em momento algum se confunde com a minha compaixão por ela, se está doente. Não se ganham combates políticos desejando aos outros a doença ou a morte, sempre fui contra isso, mesmo ao pior dos inimigos. A morte e a doença não são vitórias para ninguém. Mas também o inverso é fulcral: não se ganha respeito político apelando à compaixão perante doenças graves.

Livros de Raquel Varela

 

 

imagem Rela Labo Livr

O Futuro da Lusofonia – Raquel Varela

«O maior privilégio de falar português é…compreender as músicas do Chico Buarque. Às vezes estou no norte da Europa e penso, vocês nunca vão compreender o Chicho Buarque, que pena, digo-o sorrindo, é que é um privilégio viver e amar em português».
Palestra que fiz este ano sobre o futuro da lusofonia.
A maioria dos movimentos migratórios são exílio económico, não são livre circulação de pessoas. Fomos esvaídos de uma capacidade produtiva que alcançou os 10% da população activa e quadros fundamentais. Não sou uma entusiasta da globalização quando ela significa sorver recursos de países mais pobres para os países centrais, levando a graus de concentração de riqueza obscenos. Mas sou feliz por ser uma cidadã do mundo. Não só mas ainda assim mais do que qualquer outro território, o da lusofonia. Um território mítico que habita em nós, porque falamos a mesma língua. Hoje, somos todos, pelo impacto das comunicações e transportes, mais globais, no caso de Brasil, Portugal e as ex-colónias é um benefício subaproveitado – não é verdade que o inglês substitui tudo. “Para fazer ciência, e de certa forma para amar, é preciso falar a mesma língua. ”
Lisboa, Primavera de 2017, Grémio das Artes e Ciências.

 

Economia mundial: Retomada?

Partilho aqui muitas vezes os artigos do economista britânico, que é marxista e um quadro financeiro da City, e autor do melhor livro de economia desta crise que li, The Long Depression. Agora o Esquerda Online está a traduzir os artigos do seu blogue para português do Brasil.
Neste artigo MR defende que a economia chinesa recuperou da crise mas não é a economia chave do sistema, é a americana, cuja recuperação não é suficiente, prepara-se um próximo choque cíclico.