O Nazismo e a História

Estive no Canal Q a debater a interpretação histórica do nazismo. Creio que o racismo não foi a causa mas a consequência, a causa foi a crise de 29 e o temor da revolução por parte quer da URSS quer do SPD. Aqui deixo.

Aproveito este dia para tornar pública a minha repugnância pela alterações na Constituição Israelita que tornam os cidadãos não judeus gente de segunda – a extrema direita chegou ao poder naquele que é hoje um dos Estado mais racistas do mundo. É urgente separar o nazismo do sionismo de hoje que comanda Israel. E é também urgente e necessário que esta atitude de Israel não legitime qualquer tipo de novo anti semitismo. Separar o sionismo do anti semitismo, há milhares de judeus no mundo, hoje, que não têm nada a ver com o que o Estado de Israel faz, e mais, opõem-se com determinação a este.

Entrevista carregando no link

“Breve História da Europa”, por Raquel Varela | Inferno T7 Ep.225

Espaço de entrevista com Raquel Varela, a propósito da obra “Breve História da Europa – Da Grande Guerra aos Nossos Dias”.

Horário: Segunda a Sexta, às 22h30 e 1h, no Canal Q.

Posição 98 no MEO, 70 na NOS e 19 na VODAFONE.

 

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SNS é a nossa vida

 

Um SNS para pobres, com médicos indiferenciados, em que a força de trabalho mais barata do país que não tem seguros ou ADSE não tem acesso a médicos especialistas, num país como Portugal, com 10 milhões de habitantes, será sempre um serviço médico pobre mesmo para ricos. O que fez em tempo o nosso SNS estar entre os dez melhores do mundo foi a escala, ou seja, ele era para dez milhões de pessoas e isso permite optimizar recursos que com a concorrência com os privados é impossível. Mas, a verdade, é que com esta escala também não vamos ter bons serviços privados. Porquê? É, citando, a «economia estúpido».

Tommie Smith e John Carlos são admiráveis

A revista do Comité Olimpo entrevistou-me. Falámos sobre a minha actividade física mas sobretudo sobre os movimentos de resistência na história do desporto – referidos no meu recente livro sobre História da Europa – , o que penso da glorificação dos jogadores hoje, e da mercantilização do futebol. Também umas palavras sobre o meu irmão, desportista profissional. Aqui fica para quem quiser ler.
Que relação tem com o desporto? É ativa ou contemplativa?
Eu sou hiperactiva (risos) – acordo todos os dias eléctrica às 6 da manhã. Mas para escrever em silêncio por horas, não para correr. Mas às dez da noite adormeço em qualquer lado. Faço pilates e caminhada com regularidade. Ginásios só o meu que é familiar– aqueles ambientes artificiais, fechados, impessoais onde nos tratam por tu – todo os dias um trabalhador diferente – sem luz natural, com a Tv ligada ou música estilo batida no zinco (tecno) para mim equivale a uma sessão de tortura.
Faço muito, em família, bicicleta, montanhismo, rafting, canoa, tudo o que seja ao ar livre, divertido, sou uma fã de montanha, vamos no verão para as Astúrias, Pirenéus, Alpes, jardins, parques, pistas de bicicleta – fazemos piqueniques no alto da montanha à beira de um lago. Só o entusiasmo dos meus filhos – gémeos de 13 anos – antes das nossas aventuras já é metade da festa. Proibi os telemóveis em férias, conversamos e observamos a natureza à procura de bichos, lugares difíceis para atravessar, pedras tortas para nos equilibrarmos.
Quais são para si os momentos mais sugestivos da história dos Jogos Olímpicos?
Em 1936, nos jogos olímpicos de Berlim, formou-se uma coligação de organizações de judeus e de sindicatos de trabalhadores contra o nazismo. Exigiam a não participação dos EUA. Em 1972 o atentado nas Olimpíadas da Paz. Em 1980 os Estados Unidos da América boicotaram, levando consigo dezenas de aliados, os jogos olímpicos de Moscovo. Em 1984 a URSS respondeu boicotando os de Los Angeles.
O mais marcante momento político veio para mim em 1968, nos jogos olímpicos da Cidade do México, quando dois atletas negros, afro-americanos, Tommie Smith e John Carlos, foram ao pódio receber as medalhas erguendo o punho. Na mão uma luva negra, simbolizando o Black Power, a luta dos negros norte americanos pelos direito civis e a igualdade. O presidente do Comité Olímpico Internacional exigiu de imediato a sua expulsão dos jogos, o que acabou por concretizar-se. De volta a casa foram alvo de ameaças de morte e ostracizados no meio desportivo. Mas nos meios de esquerda do mundo inteiro, no ano do Maio de 68, foram aclamados como heróis.
Alguma vez se projetou na identidade de um grande campeão?
Não, mas Tommie Smith e John Carlos são admiráveis. Também não resisto ao charme do Dr. Sócrates da Democracia Corintiana ou a democracia anti estrelato da Laranja Mecânica holandesa, dirigida por Johan Cruyff no ano do 25 de Abril, 1974. Sou irmã de um desportista profissional, Zé Gregório, surfista, o meu irmão foi tricampeão de surf e o primeiro a entrar nas ondas da Nazaré – sim não foi o Macnamara oh povo subserviente ao que vem de fora! Como o conheço de perto admiro a disciplina, a determinação, capacidade de trabalho e a coragem dele. São qualidades que admiro em qualquer pessoa e que o meu irmão tem.
Como observa a glória que é dispensada aos vencedores e o tratamento dado aos vencidos?
Acho lamentável. O futebol e o desporto profissional em geral foram, como tudo na sociedade, marcados pela mercantilização. Exige-se às crianças treinos intensos federados ao sábado e domingo de manhã mas os miúdos não brincam entre eles, de forma livre, sem a supervisão de um adulto ou sem um objectivo não lúdico. No mundo profissional os clubes são Sociedades Anónimas – não são mais o clube, mas uma sociedade marcada pelo anonimato financeiro. E os pequenos são uma espécie de empresas sub contratadas que alimentam os grandes. Isto é assim para o futebol mas também para outros desportos. Quando os valores associados a isto falirem como um castelo de cartas vai ser catastrófico. Mas isso é o negócio. A negação disso, o ócio, o jogo, é fundamental. Atenção! critico a sociedade anónima, não o desporto profissional – sou uma admiradora do desporto profissional, ver os desportistas vencer a natureza constantemente é encantador.
O desporto é um lugar de união?
Pode ser ou não. Como em tudo. Uma casa pode ser um lugar para fazer amor e cuidar dos nossos ou um espaço de violência extrema e medo. Um campo de jogo também. Um ginásio também. Acredito que os espaços gregários nos ajudam a ser melhores porque compreendemos que não existimos sós. Mas tem que se perguntar para quem, em que condições, para quê se faz desporto? A resposta a estas perguntas vai determinar se o objectivo é unir ou desunir.

 

Breve História da Europa

Lisboa, 29 jun (Lusa) — A historiadora Raquel Varela, autora do livro “Breve História da Europa”, considera que o século XX demonstrou que a força dos trabalhadores permite conquistas singulares, apesar dos direitos estarem a ser dissolvidos pelas políticas neoliberais.

“A grande conclusão deste livro é a de que aquilo que de mais avançado foi feito na história da humanidade: a assunção de que toda a gente, independentemente do nascimento, tem o direito a saúde, educação, segurança social, transportes públicos, lazer, limites ao horário trabalho, vida pública, vida privada, direito ao lazer foi conquistado na Europa e foi conquistado por quem trabalha”, destaca Raquel Varela, sublinhando que os direitos dos cidadãos foram conquistados ao longo das décadas, contra o poder dominante.

“Nada foi oferecido nem pelos governos nem pelos Estados. Os direitos foram conquistados ao longo de sucessivas revoluções e movimentos sociais e populares de resistência, na Europa, no século XX.”, afirmou a investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.

O mais recente livro da historiadora Raquel Varela “Breve História da Europa — Da Grande Guerra aos Nossos Dias” percorre o século XX “que começa com uma inusitada” ascensão dos trabalhadores organizados na Revolução Russa (1917).

“Isso não tinha acontecido antes com esta dimensão. Acarretado a isso vem a mobilidade social e termina com a proletarização das classes médias. Isso é uma marca do século XX”, salientou a historiadora.

Para Raquel Varela, “o fim do pacto social situa-se na crise financeira de 2008, altura em que, afirma, se começam a atacar os direitos fundamentais e laborais.

A historiadora considera que o Estado Social não é uma dádiva mas uma conquista e frisa que morreram 80 milhões de pessoas na II Guerra Mundial (1939-1945).

“O Estado Social foi a troca que o capitalismo deu: ‘vocês vão ter segurança e paz segurança social se nos entregarem as armas’. Este é o pacto construído após o fim do conflito na Europa e isso chega ao fim em 2008 e já tinha entrado em crise a partir da década de 1970”.

Raquel Varela, ao longo do livro quer deixar marcado de que “não podemos esquecer” o maior genocídio da História aconteceu na Europa, feito por europeus contra europeus e que no século XX os limites foram sempre “mais longe”.

As conquistas, mas também as barbaridades foram singulares e nunca se verificou tanta diversidade ideológica como no século passado indica a historiadora no livro sobre a história social e que tem o trabalho como questão fundamental.

Sobre Portugal o livro aborda a questão do colonialismo que usou de “forma sistemática e por mais tempo várias formas de trabalho forçado” e a Revolução de 1974.

“A Revolução dos Cravos foi uma revolução urbana, europeia, numa sociedade onde o peso da indústria e dos serviços já era maior do que na maioria das revoluções do século XX. Ao contrário da maioria dessas revoluções dessas revoluções, de base camponesa e apoiadas em partidos-exército, a Revolução portuguesa pode ter sido não só a última revolução do século XX a colocar em causa a propriedade privada dos principais meios de produção, mas a primeira do século XXI” (página 208), escreve Raquel Varela no livro.

“Breve História da Europa — Da Grande Guerra aos Nossos Dias”, de Raquel Varela (Bertrand Editora, 327 páginas) vai ser apresentado hoje em Lisboa.

PSP // PJA

Lusa/fim

http://portocanal.sapo.pt/noticia/159400

 

Breve História da Europa, resenha por Acácio de Sousa

Por Acácio de Sousa, historiador, director do ISLA. Na apresentação de Breve História da Europa:
 
 
A mim, coube-me fazer uma breve apresentação da obra. Mesmo podendo não ter a mesma visão acerca de tudo, o que observamos é que temos ali uma peça notável, por aquilo que provoca e faz refletir, com dados que nem sempre são percebidos por um olhar mais rotineiro sobre os últimos 100 anos. Na verdade, como ela diz e pelo estatuto de investigadora que tem, é um trabalho de investigação que obriga a um pensamento crítico escrito num estilo, por vezes, quase coloquial.
 
A carga académica é diluída para se tornar num livro acessível a todos, mesmo a quem não tem a História Contemporânea como principal objeto de estudo. Sendo uma escrita solta e de aparência espontânea, que prende, essa aparência é o que lhe traz leveza pois, não deixa de ser uma obra densa e intensa, naquilo que nos quer pôr a pensar; – depois de ler, saltam 4 ideias principais: 1-o paradoxo das guerras vs. consequências geopolíticas (descolonizações), o progresso tecnológico que provocam, mas sobretudo a evolução social resultante da espiral de tragédia motivada pela queda de algumas elites, como se fosse um “ordo ab chaos” no reordenamento social e numa nova consciência ganha pela classes laboriosas; 2- outra ideia é tudo redundar no retorno do estado assistencial, ou de uma sociedade dominante assistencial que nunca foi, verdadeiramente, substituída; 3- também as verdadeiras correntes para um estado social revolucionário terão acabado no thermidor estalinista e, em Portugal, ao fim 19 meses do PREC; e 4- a concertação social, acaba por ser uma anestesia burguesa sobre quem representa a força do trabalho – não se trata de um livro sobre a História da Europa no sentido tradicional, como se veem muitas vezes os livros de História. Nem é factual, nem fica preso aos mecanicismo políticos conjunturais.
 
Trata-se de um livro da História das dinâmica sociais, como a própria autora define no preâmbulo, sem se limitar ao exato tempo cronológico do séc. XX pois, a sua caracterização estrutural não coincidirá com o tempo do calendário. Nem mesmo com a previsão de Fukuyama, que acabaria por falhar com o “fim da História”, na perspetiva da “normalização” das ideologias. – este é um trabalho de análise social que procura inquietar, obriga a pensar e manter uma análise crítica ao longo leitura, para o que o leitor é avisado, logo no início, com o alerta para observar na passagem do séc. XX para o séc. XXI, uma fugaz mobilidade social cujo avanço resulta do pós-guerra, com a ideia do fim do fosso classista, e de uma verdadeira democracia mas, acaba por não passar de uma miragem com a proletarização das classes médias, fenómeno agravado com a crise de 2008. – quanto a Portugal, surge enquadrado na análise europeia, como território periférico mas, com uma afirmação que não se dissocia do espaço europeu.
 
Quando chegamos a 1940, no dia a seguir à rendição da França a Hitler, em Portugal, o Estado Novo inaugurava a Exposição do Mundo Português, mostra exemplar de um país corporativo de enganosa ideia de um Estado sem luta classes, enquanto na Europa acontecia o trágico confronto bélico derivado dos confrontos ideológicos. – Hitler não cresceu por si, a conjuntura pós 1º Grande Guerra com os apoios grande indústria alemã fizeram-no crescer e fica a questão se a natureza do nazismo obedece a um determinismo social e político simplista, que se possa alargar a todos os fascismos ou regimes bonapartistas. – a tragédia da 2ª guerra mundial resultou, também, nas descolonizações com o primeiro apoio EUA que não tinham colónias. Só depois, num quadro da guerra fria, a URSS patrocinaria os processos de libertação colonial, sobretudo, após a morte de Estaline, cuja perda de sentido do internacionalismo proletário, deixou os partisans de muitos países isolados. – Em Portugal, o regime insistia no chamado desenvolvimento nacional sem conflito, o principio corporativista de equilibrio entre fracções de classes sociais que não se deveriam digladiar. Já o impacto salta quando perpassa a ideia que a frente popular defendida por Cunhal no “Rumo à Vitória”, onde defendia a estratégia de luta com aglutinação da burguesia honrada pelo proletariado, tinha alguma similitude às alianças entre classes populares e a burguesia industrial e financeira, defendidas por Soares, na década de 80 com a ideia da “Europa connosco”.
 
Teríamos, aqui, a mesma ideia de desenvolvimento sem conflito? – a noção de pacto social que nasce com a europa do pós guerra, terá este embrião. Acaba por ser o adormecimento dos representantes do mundo do trabalho, a coincidir com a noção de João XXIII, que o direito a vida, à integridade e à subsistência, deverem derivar da negociação e não do conflito. Isto é, as elites da Europa ocidental poderiam divergir nas estratégias, mas coincidiam nos princípios. – ainda não estaríamos a caminho do fim das ideologias, das chamadas 3ªs vias, porque na década de 60 ainda tivemos, em França, maio de 68 e as revoluções posteriores, como em Portugal, a que se seguiu ao golpe militar de abril 74. Contudo, a democracia representativa não é uma extensão da revolução, mas a rutura com a revolução que durou 19 meses após 1974. – o fim estado social exigido pelas classes laboriosas revolucionárias, vai acontecendo gradualmente, sobretudo, após a crise económica de 1981 até hoje: e cita Eduardo Galeano de forma exemplar, e aqui estou perfeitamente de acordo: as “boas ações” já não são nobres gestos do coração, mas as ações valorizadas na Bolsa. E é na Bolsa que ocorrem as crises de valores! – o centro da atenção dada ao trabalho, passa para a tal negociação, cativando os sindicatos e levando-os a cedências várias, sobretudo com benesses ilusórias, de reposição de um estado assistencial com várias medidas (obras caritativas com nova roupagem?) que iludem mas não resolvem.
 
Citando a autora: “a ideologia do assistencialismo, das pré-reformas, do colchão social focalizado, da desistência da luta pelo direito ao trabalho, pela redução da jornada laboral sem redução salarial, nasceu antes da queda do muro (Berlim), pela aceitação da chantagem da deslocalização. Trocaram, como programa político, o direito ao trabalho pelo direito ao subsídio de desemprego” – a crise pós 2008, é o que vem criar um novo sobressalto neste adormecimento geral das ideologias com a proletarização das classes.
 
 
Acácio Sousa
 
(diretor do ISLA-Leiria)

Breve História da Europa

Ao contrário do que foi amplamente divulgado nas últimas décadas – e tantas vezes repetido mesmo por historiadores – o boom do pós guerra não se deve só nem principalmente à exploração da periferia do mundo e das colónias (embora sem ela não se pudesse realizar, porque daí vinham matérias primas que foram deixando na misérias as populações desses países). O boom do pós guerra deve-se em primeiro lugar à disciplinarização da força de trabalho alemã e japonesa onde se encontraram as maiores taxas de extracção de valor. A teoria dos “direitos humanos” que isola a classe trabalhadora europeia, superficialmente descrita como uma «aristocracia operária» é incapaz de explicar as taxas de crescimento do pós-guerra porque só a teoria do valor e a direcção política o explicam na totalidade. Nenhum povo foi tão explorado no século XX como o norte-americano e o europeu, embora a miséria seja muito maior na periferia. Isto só a teoria do valor permite compreender. A crítica ao eurocentrismo tentou compreender o sul global sem inseri-lo na totalidade social. Falhou em compreender todo o significado político das revoluções europeias, incluindo as de 1945/47; bem como o que fez à classe trabalhadora alemã e japonesa a destruição de alguns dos mais valiosos quadros no nazismo e no Império.
 
Mas um outro fator, quase arrepiante, vai ser fundamental: a guerra tinha destruído a vida civil, mas não as fábricas. Primo Levi descreve em Auschwitz: «Para saber como ia a guerra nem sequer precisávamos de notícias de longe. De noite, quando todos os barulhos do campo se apagavam, ouvia-se cada vez mais próximo o rombo da artilharia: a frente já ficava a menos de uma centena de quilómetros de distância, dizia-se até que o Exército Vermelho já estaria nos Beskides. A fábrica gigantesca em que trabalhávamos tinha sido mais do que uma vez bombardeada pelo ar, com precisão científica e maligna: uma bomba, apena uma, na central térmica, deixou-a fora de serviço durante duas semanas; assim que os danos foram reparados, e a chaminé recomeçou a deitar fumo, mais uma bomba, e assim por diante. Era claro que os russos, ou os aliados em concertação com os russos, queriam impedir a produção, sem destruir os equipamentos. Queriam ficar com eles quando a guerra acabasse, e de facto foi o que fizeram: hoje é a maior fábrica de borracha sintética da Polónia.»
 
Tony Judt é cortante, sobre este tema, na sua História da Europa depois de 45: a «guerra nem sempre é um desastre económico, pelo contrário, pode ser um poderoso estímulo para algumas áreas». A Segunda Guerra Mundial, que fez, como escrevemos, 50% de mortos civis, contra os 5% da Primeira Guerra Mundial, vai, segundo Judt, ser devastadora para as pessoas e os lugares, mas poupará as fábricas e
empresas: «Menos de 20% do sector industrial alemão tinha sido destruído; mesmo no Ruhr, onde a maior parte dos bombardeamentos aliados foram concentrados, dois terços das fábricas e maquinaria sobreviveu intacta […]. A Grã-Bretanha, URSS, França, Itália e Alemanha (Japão e EUA), todos saíram da guerra com um stock de máquinas para recomeçar.»
 
In Breve História da Europa. Da Guerra aos Nossos Dias