Eles “estavam a acampar na via pública”. Não! Os jovens acampados no Porto não querem morar numa tenda numa Praça, oh santa ignorância! Estão ali não a morar, ninguém vai ficar ali a viver, mas a simbolicamente se manifestar, a exigir um espaço para morar, contra a pilhagem legal do país. Estavam a exercer o direito Constitucional à manifestação, à expressão pública da democracia, numa cidade onde o espaço público desapareceu, quem quer reunir-se, juntar-se, organizar-se o que lhes sobre de espaço público? A lógica formal – a forma mais pobre de pensamento – tomou conta dos media, sem contraditório.
O Estado aprovou uma lei, com as empresas, os fundos abutres, que permite que os nossos impostos financiem fundos imobiliários até 2300 euros mês – um escarro em quem trabalha, quando mais de 70% das pessoas, mais de 4 milhões e suas famílias, ganham 1500 euros brutos. Usam a GNR em Covas do Barroso, que invade terrenos privados, ou a PSP no Porto, que distribui cassetadas e fraturas em que se manifesta, têm o monopólio da violência, ao serviço da acumulação de lucro, lucro, lucro, lucro, lucro, lucro, poder, poder, poder e mais poder, até vomitarem moedas e poder. Onde é que isto vai parar? Que guerra social é esta contra os jovens? Querem uma lei – a da natureza, a mais vulgar das espécies tem ninho. Querem outra lei? A Constituição, garante a todos o direito a resistir e ter habitação. E ainda outra lei? A que fazemos nós quando lutamos pela nossa liberdade.
São vândalos sim – não a juventude, que finalmente largou as redes socais, ufa!!!!!, e se apresenta à luta, na Europa, mas os Montenegro, os Pedro Duarte, escondidos atrás de homens armados, esta milícia Chegana, que invade rádios e o Estado encolhe os ombros, ao mesmo tempo que envia homens armados para uma Praça pública contra jovens a exigir casa para morar. Esta gente que Governa e que nós nunca saberemos em que trabalharam, o que deram ao país, em que contribuíram para a nossa vida. E que têm casas e mais casas, e lugares no Estado. Onde fazem aprovar leis para impedir os outros de terem uma casa para viver, de viverem do seu negócio familiar, de terem uma terra para trabalhar.
Estamos convosco, todos os que não têm casas, todos os que aspiram a um futuro, em vez de emigrar; estamos com as empresas familiares expulsas das cidades, estamos com as populações ameaçadas pelas minas e painéis solares.
Queremos de volta um país que não seja um misto de um pacóvio vendedor de imobiliária, a la PSD e IL, com um arruaceiro, o Chega, e um bem comportado porteiro desta choldra, o PS.
A vossa “estabilidade” é a nossa cova. A nossa luta é um país inteiro, onde podemos e onde vamos ser felizes.
Hoje faço 48 anos, exactamente 30 anos, três décadas, a estudar revoluções e ainda esta semana no Norte do país, numa pequena aldeia, aprendi algo de novo – “a minha mãe dizia-me sempre, filha resiste e diz não, nem que a gente coma sopa!”.
Hoje 19 horas Praça D. João I – contra a violência policial, pelo direito a uma habitação para todos.
