Dumping Social na Europa

O caso da AEuropa, como exemplo de nacionalismo económico das organizações sindicais e de trabalhadores, em oposição ao caso dos estivadores, como exemplo de internacionalismo político e como ambos foram mais ou menos eficazes no combate ao dumping social no mercado de trabalho europeu, este é o estudo que apresento segunda-feira na Universidade de Jena na Alemanha. A quem esteja por lá, fica o convite.

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Vai haver escassez de força de trabalho em Portugal

«Vai haver escassez de força de trabalho em Portugal – já há e vai aumentar, ao contrário do que se pensa não enfrentamos uma ameaça generalizada de perda de empregos para robots mas o inverso, falta de trabalhadores para os empregos existentes.»
A entrevista que dei a Guilhermina Sousa para a TSF – no link a entrevista completa sobre as condições de trabalho e vida em Portugal.

Testemunho tocante da esposa de um trabalhador da Auto Europa, Susana Talete

O testemunho tocante da esposa de um trabalhador da Auto Europa, Susana Talete:

“Enquanto os alemães lutam para dar um passo em frente, nós tentamos não dar um passo atrás. As mentes tacanhas que acham que os trabalhadores da Autoeuropa são uns mandriões que vão acabar com a fábrica e consequentemente “dar cabo do País”, são as mesmas que mostraram esta “solidariedade” nojenta (desculpem, não encontro outra palavra) com os funcionários públicos quando lhes diminuíram os ordenados, aumentaram o horário de trabalho, diminuíram o valor das horas extraordinárias e congelaram a progressão nas carreiras. Nas duas situações (AE e Função Pública) estamos a dar passos atrás. A diferença é que os cortes na função pública diminuem a despesa do Estado (e supostamente, mas mesmo só supostamente, equilibram as finanças do País). Impor (entenda-se obrigar, porque é disso que se trata) o trabalho ao sábado, sem o devido pagamento como trabalho extraordinário, na AE, não vai encher os cofres do Estado Português, mas sim de um grupo económico (e eventualmente da administração que deverá ganhar um prémio chorudo se atingir os objetivos).
Outra questão é o facto de, para uma mãe ou pai autoeuropeu divorciado ou solteiro, ser difícil ficar com a guarda dos filhos durante a semana devido ao trabalho por turnos. É certo que o contrato já previa o trabalho por turnos e, portanto, é um horário aceite pelo trabalhador. Até agora, tinha o fim-de-semana inteiro para usufruir da companhia dos filhos. Agora já não vai ter, porque em nome da produção e do lucro PRIVADO, é “estritamente necessário” que se fabriquem carros aos sábados e, daqui por uns meses, provavelmente, ao domingo.
E, finalmente, como mulher de um trabalhador da AE, se eu precisar de trabalhar a um sábado (por opção própria e remunerado como trabalho extraordinário), vou colocar os meus filhos numa IPSS onde eles não conhecem ninguém, definida pela Segurança Social? Obviamente que não. Obviamente, não vou eu trabalhar. E como vou fazer para me desdobrar, sozinha, em diversas atividades que os miúdos têm ao fim-de-semana e que deviam fazer em família? E o que vou dizer ao meu filho quando ele ficar triste porque o pai não o vai ver no torneio de futebol? De certeza, que só me vai ocorrer uma explicação com um vernáculo impróprio para os ouvidos de uma criança. Tenho vergonha e revolta porque os meus filhos estão a crescer num País em que as entidades patronais fazem o que querem, com a conivência dos poderes instituídos e o aplauso de parte da população.”

Publica em A Casa

acasaonline.pt

Decência

Vale a pena ouvir estes trabalhadores, até porque dão a cara e o nome:
Segundo percebi quase todos têm horários piores do que os da AE-Palmela, no aeroporto onde se pratica com frequência turnos e salário mínimo, na banca onde o trabalho para casa ao fim de semana se tornou norma e exigem na avaliação de desempenho nota 10 (leram bem não é 8 nem 9, é 10 (pergunto em tom de graça se devemos chumbar os alunos que não tenham 100%?!) e, porém, solidarizam-se com eles. Call centres, talvez os mais esmagados, groundforce, estivadores, funcionários públicos, bancários…eis um retrato de um país decente. E a realidade que aqui descrevem é a que conhecemos de estudos, sistematicamente mitificada por uma vaga ideia de «privilégios» e «regalias» nos media que esconde uma situação laboral real do país tremenda.
A «bitola» das relações laborais do país não pode ser a mínima, mas a máxima. Da inveja e do desespero à organização responsável por melhoria das condições de vida, eis aquilo que me parece ser um exemplo digno.

http://www.acasaonline.pt/

 

O pastel de nata e o caos nas urgências

Ofereci um «pastel de nata» ao Ministro, que proíbe o pastel de nata (costumes e decisões individuais, mesmo que erradas) mas não os salários baixos que não permitem uma alimentação de qualidade (problema estrutural social).
O mote para uma nota curta sobre o caos nas urgências. A partir de um certo número de cortes há factores quantitativos e biológicos intransponíveis, isto é, não temos condições de trabalho dos profissionais de saúde que garantam uma prestação universal e cuidados com qualidade depois dos cortes e das alterações das medidas de gestão pós-troika.
É urgente reverter a gestão empresarial dos hospitais públicos e os hospitais SA/EPE e regressar a um modelo de exclusividade com bons salários no serviço público. Portugal não tem, além disso, escala (mesmo com a ADSE) para ter serviços privados de qualidade, formação e desenvolvimento científico.
A propósito deixo um desafio aos media, porque não reportagens sobre os tempos de espera na CUF, Lusíadas e erros médicos nos hospitais privados? Há por acaso menos erros no privado e menos graves? Deixo a questão no ar, apenas como desafio.

Loulé na Revolução

Com os que fizeram o 25 de Abril dando seus testemunhos na assistência, militares, membros do MFA, estudantes, operários. Com o Presidente da CML Vítor Aleixo e com o editora da Âncora António Batista Lopes.
Texto da Socióloga Luísa Luisa Barbosa : «Mais um rebento na roda da vida. Hoje na Biblioteca Municipal de Loulé minha mana e parceira Raquel Varela lançará mais um livro que escrevemos juntas no projeto sobre a história do povo português na Revolução de 25 de Abril de 1974. Dessa vez contaremos a história dos Mineiros da Sal-Gema, da ocupação do palacete que se transformou no infantário poeta António Aleixo, da luta pela piscina pública, por trabalho e moradia. Neste livro, que foi o primeiro do Projeto mas só lançado agora, contamos a história do povo de Loulé nessa Revolução que mostrou – como mostram os processos revolucionários – que, quando é o povo quem mais ordena, nada é natural. Nada é impossível de mudar.
Obrigada a toda equipe da Camara Municipal de Loulé e um agradecimento mais que especial à família louletana que me acolheu com tanto afeto durante a pesquisa Ana Filipa Lopes Suzel Duarte e Vasco. É por gente forte, amorosa, digna e grande como essa, que a história do povo deve sempre ser contada.
Para os amigos que tiverem a sorte de estar no Algarve, o convite esta feito, aliado ao pedido de que tragam-me de presente um sabonete de lavanda, lá do mercado municipal e que não deixem de comer um pedaço de tarte de amendoas, figo e alfarroba da confeitaria Amendoal !»

A História do Povo de Loulé na Revolução Portuguesa 1974-75”

A Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen, em Loulé, recebe no dia 15 de janeiro, pelas 21h00, mais uma sessão dos “Livros Abertos” com a apresentação da obra “A História do Povo de Loulé na Revolução Portuguesa 1974-75”, da autoria de Raquel Varela e Luísa Barbosa Pereira.

http://www.cm-loule.pt/pt/noticias/13518/raquel-varela-e-luisa-barbosa-pereira-apresentam-%E2%80%9Ca-historia-do-povo-de-loule-na-revolucao-portuguesa-1974-75%E2%80%9D.aspx