Marx e o Marxismo 2017

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Marx e o Marxismo 2017

De O capital à Revolução de Outubro (1867 – 1917)

De 21 a 25 de agosto de 2017

Local: Universidade Federal Fluminense – Campus do Gragoatá

PALESTRANTES DAS SESSÕES PLENÁRIAS:

• Fred Moseley (Mount Holyoke College, EUA) • Jorge Grespan (USP) • Alex Callinicos (King’s College London, Inglaterra) • Lucia Pradella (King’s College London, Inglaterra) • Marcelo Carcanholo (UFF) • Kevin Murphy (University of Massachusetts, EUA) • Valério Arcary (IFSP) • Raquel Varela (Universidade Nova de Lisboa, Portugal) • Julio C. Gambina (Universidad Nacional de Rosario) • Paulo Eduardo Arantes (USP) • Marcelo Badaró Mattos (UFF) • Miguel Vedda (Universidad de Buenos Aires, Argentina) • José Paulo Netto (UFRJ)

Informações e dúvidas: mm2017@niepmarx.com.br

 

Mundo Zombie

«Moreover, the underlying reasons for doubting the optimism of the G20 leaders (…) Productivity growth in all the major economies continues at historic lows.
While real GDP per head is still well below levels before the Great Recession, inequality of incomes and wealth within the major economies remains at record highs – indeed still rising.
And world trade volumes remain some 25% below peaks before the global financial crash.
The world economy still seems to be zombie-like, even if there is some optimism that the walking dead may be coming to life.»

Por Michael Roberts, artigo completo no link

https://thenextrecession.wordpress.com/2017/07/08/a-zombie-world/

Granchester

A temporada 3 do Granchester é imperdível, o guião desta vez mistura amor romântico com marxismo, uma paixão intensa e até teatro Brechtiano, numa cena de ir às lágrimas a rir quando o padre mais novo resolve ensinar teatro épico às crianças da vila. Nesta temporada temos o impulso criador em contradição com o homem e as suas condições históricas – a Inglaterra dos anos 50, brutalmente conservadora, incentivando relações hipócritas de grande sofrimento amoroso. “Sou o que faço”, confessou o mais belo padre da televisão à sua amada Amanda quando lhe explicou que o sentido da sua vida não era Deus, mas organizar a vida das pessoas da pequena vila, e por isso não pode deixar de ser padre. Não pode ficar com ela porque é uma mãe, divorciada, e ele um padre, por ela eternamente apaixonado. Estava a ver o último episódio e pensei que uma parte das notícias actuais nos media são sobre crime, e as relações humanas são secundárias porque o que interessa é o crime, o choque, a infantilização da desgraça, a paralisação perante o horror – é o jornalismo dramático, de um mundo que nos aparece cheio de irracionalidade, incompreensível. E as séries policiais inglesas boas, pelo contrário, são sobre relações humanas – o crime é um pequeno pretexto para nos perguntarmos quem somos nas nossas relações. Sidney, volta para a Amanda! Sem amor não há salvação, porque se somos o que fazemos quando não fazemos amor, quando não amamos, somos o quê?

A Burocracia

O burocratismo, o monstro: Na URSS «Durante o XVII Congresso, Kaganovich oferecerá uma prova inquestionável disso, ao indicar que a fábrica de vagões de Moscovo tem 601 administradores, dos quais 367 se encontram divididos em catorze serviços centrais e os 234 restantes trabalham nas diferentes oficinas, tudo isso inerente a uma empresa que emprega 3.832 operários (…)». (Pierre Broué, O Partido Bolchevique, São Paulo, Sundermann, 2014, p. 321.)

Índia

Há 1,3 mil milhões de pessoas na Índia. 457 milhões são trabalhadores, 422 milhões trabalham no sector informal. Só 34 milhões no sector formal. Da população 40% são analfabetos e a vasta maioria iletrados. No sector das tecnologias de informação não é permitida a sindicalização. No poder está um partido apoiado por uma milícia armada assumidamente de extrema direita…Um lugar perfeito para fazer yoga e encontrar o eu que há no nosso profundo bem dentro essencial.

A Monocultura Florestal e as Bacias hidrográfias

Por Tiago Lucena

Muitas pessoas, mesmo no campo, acreditam que a água aparece por milagre divino, algures numa serra uma nascente misteriosa jorra água que gera um rio. Porém, a água tem uma explicação perfeitamente simples e óbvia, e quem a entende sabe que esta é plantada. Leu bem, a água é semeada e plantada.

Não é por acaso que os rios nascem em montanhas e serras. É a geografia natural desses vales que compõem as serras que geram e alimentam estes rios. Uma realidade cada vez mais comum no interior, sobretudo nos últimos anos, é a seca cada vez mais frequente dos ribeiros secundários e dos fios de água menos fortes. No entanto, quando observamos os trabalhos de pedra nesses vales reparamos que a própria construção – as chamadas levadas de água – evidenciam que muita água por ali passava. Mas hoje estes ribeiros secam durante o período mais quente – e menos chuvoso – e muitos destes ribeiros já nem correm de todo.

A explicação é muito simples e encontra-se numa expressão pouco conhecida, e usada, em Portugal, mas defendida e protegida em muitas outras partes do Mundo: Bacias hidrográficas. Basicamente, as serras, os vales, as montanhas agem como um chapéu de chuva invertido e as florestas nativas como uma esponja. A floresta nativa, biodiversa, deposita no chão muita matéria orgânica – também biodiversa. Esta matéria orgânica gera uma camada muito fina neste planeta, a que chamamos solo: um processo natural e vivo de decomposição, resultante do trabalho de diversas bactérias, fungos e minhocas (entre outros) e a base de toda e qualquer civilização – para não dizer de toda a vida existente no planeta. Este é o processo por excelência na criação de nutrientes que mantém os solos vivos e alimentam a flora (e a fauna) que compõe a própria floresta. É um sistema fechado de auto-fertilização, tal como funciona o planeta. Esta camada age como uma esponja, segurando a água e escorrendo a mesma lentamente ao longo da encosta – até encontrar o centro do vale onde toda esta água gera e alimenta um rio.

No entanto, numa luta constante contra a natureza – cuja principal característica é a biodiversidade, vulgo policultura – o Homem insiste em plantações monoculturais. Em Portugal essas plantações florestais resumem-se, numa generalidade esmagadora, ao Pinheiro e ao Eucalipto – ambas espécies não nativas. Além de todos os problemas resultantes desta atitude de lutar contra a Natureza com estas produções – perda de biodiversidade, eliminação de ecossistemas, entre outros, nunca considerados no impacto ambiental destas actividades – estamos literalmente a secar o País pois estas monoculturas não conseguem desempenhar a função que referi antes. O Eucalipto é sabido que consome uma quantidade absurda de água; já o Pinheiro em monocultura não tem a capacidade de gerar solo como uma floresta biodiversa. Assim, é perfeitamente espectável – e visível a olho nu – a realidade com que me deparo constantemente: vales que evidenciam a passagem de água no passado, mas que se encontram secos e desprovidos de humidade no solo.

Apenas a floresta biodiversa nativa, marcadamente policultural e altamente produtiva, tem esta capacidade natural que criar e manter uma camada de solo que mantém a alimentação dos caudais ao longo do ano – resultando sobretudo num caudal médio equilibrado ao longo das quatro estações.

Um dado curioso é analisar a diferença de caudais dos rios entre as estações de calor e as estações de chuva. Mesmo os grandes rios começam a ter uma flutuação grande entre estes dois períodos, devido também a tudo o que expus antes. A água das encostas escorre rapidamente no inverno aumentando o caudal, já no verão a falta do efeito de esponja faz com que os rios percam caudal.

Escusado será explicar que Água é a base de toda a vida no planeta, o sangue (e os rios as veias) desta pedra a flutuar no espaço. Talvez esteja na hora de mudarmos a nossa atitude perante a Natureza, pois trabalhando com ela todos ficamos a ganhar.