A extrema direita e o animalismo

Segundo os Relatórios de Segurança Internos europeus (Portugal incluido), um dos lugares onde a extrema direita tem crescido é no seio de grupos de resgate de animais, onde exercitam a violência, criam espírito de seita, e muitas vezes conseguem financiamento público para cuidado dos animais, que é desviado para organizações partidárias extremistas. No seio destas associações encontram vários ideias típicas do fascismo, ou não fosse Hitler um forte defensor do animalismo. A primeira ideia é a pureza idealizada da vida no campo, contra aquilo que consideram a destruição dos valores sociais que associam ao mundo urbano; a segunda é a suposta bondade animal face aos seres humanos, que consideram todos corruptos. Hitler fez leis de protecção de transportes de cães em segurança nos vagões. os mesmos vagões que transportavam judeus para campos da morte – os primeiro guardavam a inocência, os segundos o bolchevismo. É ver a quantidade de animalistas com cartazes onde deixam claro “os animais são melhores do que as pessoas”, “o cão é o meu melhor amigo”, “não vales metade de meu cão”.

Não admira por isso que os sectores anti-aborto em Portugal, com epicentro na in Cascais, minha bela terra de nascimento, tenham migrado em peso para estas associações, junto com lumpens, desejosos de exercitam a violência e em geral donos de cães considerados legalmente perigosos e que passeiam ao lado de crianças de 2 anos. O Relatório do SIS – público – estabelece, vejam bem, uma ligação entres estes, futebol e polícia. Para os sectores das tias das associações de animais, próximas das alas ultra-direita da Igreja, o direito à vida é considerado como uma dimensão puramente biológica. Por isso militaram por uma lei de proibição do abate selectivo de cães, que teve como resultado matilhas pelo país todo a ameaçar sobretudo gente nas aldeias, idosos, bem como outros cães, e o abandono de animais doentes, porque os donos não conseguem pagar os tratamentos caros. Grande parte dos animais daquele canil estavam muito doentes, mesmo antes de terem sido mal tratados. No meio de tudo isto são aprovados pela Alemanha, Fraca e Holanda, vários mil milhões para reconverter a indústria automóvel e outras falidas em “verdes”, com impostos gigantes, a troco de reformas para baixar o preço e trabalho, e os políticos democratas surfam esta onda ambientalista silenciando as ligações perigosas, conhecidas, entre estes grupos e a militância radical anti-democrática dos grupos neofascistas. Todos nós vimos o carinho de André Ventura por um Lulu, no Correio da Manhã, acompanhado de vómitos em cima de ciganos, qual Hitler à Portuguesa. Ou a deputada por Setúbal, que fez declarações de extrema-direita, e agora saiu do PAN. Que jovens honestos e outras pessoas sejam levados a estes grupos ingenuamente não retira um milímetro de verdade ao que aqui escrevo, porque – reitero – só o sei uma vez que foi investigado pelas diversas polícias europeias e estão publicados. Os jornalistas, os políticos não podem fingir que não sabem.

Duas notas finais:

Um fogo projecta bolas a arder a mais de 1 km, e em minutos, ou segundos, muda o vento e cerca uma zona, é assim que muitos bombeiros, sem experiência de fogos florestais, morrem. Por isso a GNR e os Bombeiros não podiam deixar ninguém ir para perto do canil, ainda que o fogo estivesse (aparentemente) longe. Existe um perímetro de segurança. Em vez de 70 animais mortos hoje podíamos estar com 70 pessoas da causa animal morta.

Há milhares de pessoas no país que gostam de animais e não querem ser parte da militância extremista da causa animal. O mundo não se divide, como pensaria uma criança de 5 anos, entre quem odeia animais e quem os trata como bebés. Há muita gente sensata que tem e gosta de animais sem os tratar como seres humanos, e que na hora de assinar uma petição ou doar tempo e dinheiro o faz para a causa humana, porque há prioridades evidentes, no meio de uma enorme crise económica e pandémica.

Por fim. O meu Facebook não é de todos, é de quem acredita na esfera pública. É de quem respeita o debate democrático, sem recurso à violência. Todos os que quiserem discordar são bem vindos. Todos os outros serão banidos, ao ritmo que eu puder, porque a democracia é incompatível com a violência verbal ou física. Se dúvidas houvesse quanto aos relatórios da política basta ver o que esta gente escreve a insultar e ameaçar quem não pensa como eles para se perceber que estão na fronteira entre a falta de princípios democráticos e o crime de ameaça e violência. Puro fascismo. No meu mural não são bem vindos, gosto de gente decente, com animais, sem animais; ciganos ou dinamarqueses; apreciadores de vinho tinto e de vinho branco. Gosto de gente decente.

12 thoughts on “A extrema direita e o animalismo

  1. obrigada Raquel Varela pela sua coragem e por exprimir fundamentadamente o que muitas pessoas pensam deste animalismo, apesar de serem menos barulhentas que os bárbaros; a existência e actuação do IRA é uma aberração num estado decente

  2. Muito confuso . Embora aprecie o seu trabalho e felicito -a por isso, discordo completamente com o que descreve e com as suas ideias referentes a este tema .
    Não é pelo facto de gostar de animais e considera -los como membros da família que me torno um ser humano menos digno ou incapaz de sentir empatia ou compaixão pelo meu semelhante . Muito menos , de pertencer obrigatoriamente a algum partido político A, B ou C.
    Todos somos importantes , humanos ou não . É fundamental que a biodiversidade seja preservada para que a dinâmica dos ecossistemas da Terra continue assegurada .
    Há que cuidar e respeitar . É lamentável que o ser humano , animal mais evoluído do ponto de vista fisiológico , à custa da sua arrogância , ganância e ignorância deite tudo a perder .
    Haja bom senso e tolerância e respeito pelo próximo também , seja ele quem for .
    A vida é o bem mais precioso , seja ela a humana humana ou não humana .

    • Releia o texto, ele não contradiz aquilo que a MAria escreveu. Mas acrescenta à sua opinião uma coisa muito importante: o respeito que todos devemos ter pelos animais nunca deverá colocá-los no mesmo patamar do ser humano. Cada um no seu lugar, só assim é que pode haver um verdadeiro respeito, honestidade intelectual e maturidade emocional.

      • Caro Manuel,
        Em primeiro lugar agradeço a importância que deu a uma mera e simples opinião. Não foi com o intuito de insinuar que o que foi escrito pela autora iria contrariar o meu ponto de vista. Sendo assim, a necessidade de reler o texto torna -se desnecessária .
        Fique bem.

  3. Gostei imenso deste texto, que acabei de ler.
    Na tarde de hoje li no Facebook alguns comentários insultuosos, todos – sem excepção – com a mesma proveniência, e concluí uma coisa: além da agressividade e do insulto, escrevem com frequentes erros ortográficos, e não conseguem construir um texto que tenha subjacente uma ideia estruturada, com princípio, meio e fim.

  4. Aprecio de um modo geral as suas opiniões mas, confesso que não percebi a referência ao André Ventura. Gostar de um animal e sentir-se indignado com o comportamento de uma etnia ou raça na sociedade, ser indicador de alguém com “tiques hitlerianos” deixa-me perplexo…

  5. Evidentemente está coberta de razão. Infelizmente a diminuição da nossa capacidade de pensar a realidade com mais profundidade leva a que seja mais mobilizável as causas que nos mexem com as emoções (consequência de anos e anos de postais com imagens da Anne Guedes de cachorrinhos com bebés…). Mas a argumentação dos defensores do animalismo é tão superficial que deveria ser denunciada constantemente. senão vejamos:
    a) se os animais merecem uma tutela tão aproximada à dos humanos (juridicamente não são coisas) como se justifica que sejam objecto de transacções comerciais inerentes à propriedade?
    b) como se justifica que as associações e ativistas destas causas não se acorrentem às portas dos criadores de raças “puras” de cães, que é o exemplo mais representativo da manipulação genética enquanto método de criação de um “produto”? Que justamente tais apuramentos de raças resultam na criação de animais com as funções naturais diminuídas, que têm esperanças de vida curtas, dificuldades de respiração, impossibilidade de reprodução sem assistência. Isto é respeito pela vida animal?
    c) como se justifica que aceitem feiras e exibições de animais de companhia (no qual pontifica o cão) que justamente pretendem, única e exclusivamente, a promoção comercial do mesmo?
    d) Parece que, em virtude do seu amor aos animais, aceitam a violação de outros direitos (p.ex. a violação de domicilio) para a proteção animal, recorrendo à acção direta. Que outros direitos acham que podem também justificar tal acção? É que, recentemente, a policia foi chamada a desalojar pessoas que tinham ocupado um edificio em Lisboa porque não tinham onde habitar, sendo que o edificio estava não só vazio como quase devoluto. Na altura não vi demonstrações públicas de solidariedade. Será que neste caso o direito à propriedade privada já é absoluto? Ou será que a defesa das condições de vida dos seres humanos não merecem tanto empenho como a dos cachorros?
    e) Parece verdade imutável que quem gosta de animais e vai correndo subscrever estas patetices é melhor ser humano que os outros. Faz bem a Raquel Varela em chamar aqui o exemplo de Hitler para exemplificar que gostar de animais, por si só, não quer dizer absolutamente nada. https://www.youtube.com/watch?v=-rX2TicL5eg
    f) A existência de uma grande quantidade de animais abandonados é um problema de saúde pública. O que fazer? Afectar dinheiro dos contribuintes para manter e aumentar a capacidade de canis municipais e a fantasia infantil destes grupos? (acho que já adiantei a minha opção)…

    Desculpe, não queria ser maçador. Isto é tudo tão triste, a forma como as pessoas se têm vindo a deixar captar por estas ideias peregrinas, como as do animalismo, enfim…

  6. Excelente análise!
    Parabéns pela “limpeza” de mente e lógica no bom senso.
    Muito obrigada.
    Gostei muito de ler.

  7. Quem diz que “os animais são melhores do que as pessoas” é quem não sabe do que está a falar – e pensa que o mundo animal é todo igual ao que vê passar-se com os seus animais de estimação…

    Os animais não possuem moral. E, como tal, são incapazes de constituir “sociedades” decentes, onde haja sequer qualquer tipo de “direito” – e são também capazes, em certas espécies, de fazer coisas horríveis uns aos outros (incluindo dentro da própria “família” ou clã).

    Aliás, aos seres humanos que se comportam de modo indecente e possuem muito baixo nível moral, pode muito bem aplicar-se o adjectivo de “animais”. E, se dúvidas têm sobre isto, comparem o comportamento de seres humanos em países culturalmente muito atrasados com o comportamento de animais em documentários honestos (e não aqueles do Attenborough ou da BBC, que retratam tudo de modo muito idílico e que são filmados de acordo com argumentos *pré-escritos*).

    E, já agora,

    Não é só a dita extrema-direita que é anti-Aborto.

    Há também quem seja de Esquerda (verdadeiramente socialista) e seja profundamente anti-Aborto. Prática essa que, de tão fortemente violadora das leis naturais que é, nem mesmo os próprios animais por ela enveredam.

    E, pessoas próximas dos animais, que não assumem *responsabilidade* pelo que fazem e que não tenham também outros valores, é exactamente o que o Grande Capital quer como “adversários”.

    Razão pela qual, toda a “cultura” moderna produzida por esse mesmo Grande Capital, está cheia de conteúdo degradante, que visa degradar, por sua vez, quem a este conteúdo é exposto (com os resultados práticos que se vêem, de gerações inteiras de irresponsáveis e acéfalos).

  8. Concordo apenas em único ponto: gostar de animais não torna alguém necessariamente uma boa pessoa. Por outro lado, o facto de o partido Nazi ter reconhecido direitos aos animais não é suficiente para estabelecer uma ligação entre o activismo pela causa animal e a extrema direita. De facto, se averiguares bem, vais verificar que apenas partidos de esquerda pediram esclarecimentos ao governo sobre a morte macabra que tiveram estas dezenas de animais. A direita calou-se. Esses “relatórios de segurança interna” dizem outras coisas que provavelmente considerarias abomináveis, como por exemplo a análise de “risco migratório” e a associação directa que é feita com determinadas etnias, algo que certamente fará rejubilar o André Ventura. Neste caso gostava de saber como foi definido o conceito de “grupo de resgate”. Por exemplo, o IRA leva o mesmo rótulo da SOS Animal? Na verdade, faço parte de um grupo de apoio aos animais de rua e a maior parte das pessoas que lá conheço são de esquerda, sendo eu próprio eleitor da CDU. No entanto, tudo isso é totalmente irrelevante, o que me parece que te está a escapar no teu post é que a legitimidade de uma causa não depende das pessoas que a defendem ou apoiam, não é o seu carácter que está em questão mas sim a razoabilidade dos argumentos que apresentam. Não é por Hitler ter empatizado com os animais que devemos desprezá-los ou deixar de nos preocupar com eles. Assinar petições pelos direitos dos animais não é negligenciar os problemas dos trabalhadores, é simplesmente ser solidário e valorizar o sofrimento e as dificuldades de outros seres que só querem a mesma coisa que nós: sobreviver. Quase todas as pessoas que conheço ligadas à causa animal são também prosélitas da causa humana e esta campanha falaciosa de difamação não serve para mais nada a não ser para nos desumanizar a todos.

  9. Cara Raquel Varela (permita-me que a trate assim, com o maior dos respeitos), aprecio muito o que escreve e que publica, embora nem sempre concorde com as suas posições ou análises. E é isso mesmo que é essencial, para que possamos evoluir. Falar, ouvir, analisar, debater, rebater, concordar, discordar, tudo o que nos confere a condição de “humanos”, serão sempre bem vindos e imprescindíveis a uma coexistência saudável e equilibrada neste planeta. Bem hajam os seus “posts”, pois têm-se revelado excelentes pontos de partida para reflexões mais profundas e conscientes.

  10. Obrigada, Raquel Varela, pela análise coerente sobre o tema em causa.
    Subscrevo na totalidade as suas afirmações.
    Bem haja.

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