“Don’t Fuck my Job”: as lutas dos estivadores numa perspectiva global

Saiu agora o novo livro que coordeno sobre as lutas sociais dos estivadores, com destaque para os conflitos no Porto de Lisboa, num artigo da minha autoria. Encontrarão neste livro a contribuição de mais de uma dezena de colegas estrangeiros sobre os conflito sociais no sector portuário desde a década de 70 aos nossos dias.

“Este é um livro de história e de reflexão. De reflexão sobre os desafios que os estivadores enfrentam, como a precariedade e a automação. E de história porque é através da história secular da indústria portuária, da luta dos estivadores e dos desafios que enfrentaram que se descobrem lições sobre como agir no presente e preparar o futuro. Fala-se, obviamente, de Portugal. Das lutas, mas também das condições em que os estivadores exercem o seu trabalho e das implicações que estas têm para a sua saúde.
Mas as histórias aqui contadas abrangem quase todos os continentes, da Europa às Américas do Norte e do Sul, África e Austrália. A longa luta de 28 meses dos estivadores de Liverpool entre 1995 e 1998 é aqui abordada ao pormenor. Saldou-se por uma derrota, mas das lições tiradas dessa derrota saiu um dos grandes trunfos dos estivadores de todo o mundo: a criação do International Dockworkers Council – IDC, o sindicato internacional dos estivadores.
Em Portugal, o panorama do sindicalismo tradicional é desolador. Os sindicatos que continuam a agir como se o pacto social nascido no pós-guerra não tivesse entrado em rutura nos anos 80 estão em retrocesso: acumulam derrotas e a percentagem de sindicalizados caiu para menos de 20%. O SEAL – Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística faz a diferença. Aqui abordam-se os porquês dessa diferença.”

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Eutanásia

Foi um debate sério como há poucos na nação. A eutanásia foi aprovada, com um debate quanto a mim na esfera pública, nos media, de grande nível; aliás, houve esfera pública, e não só Parlamentar, coisa rara em Portugal; sou pela despenalização, subscritos do Movimento Cívico a favor, mas ouvi com atenção os argumentos de quem é contra e sou sensível a debatê-los – os seus alertas não podem ser ignorados na aplicação da lei. Há dois momentos tristes porém neste debate: os hospitais privados virem reclamar que são contra porque defendem o “direito à vida” quando se recusam todos os dias a tratar pessoas com doenças curáveis porque o seu seguro não paga; e a mobilização de crianças pela Igreja. Tirando estes dois momentos, de total ausência de ética, achei que saímos deste debate com mais saber, mais humildade, mais atentos aos problemas do SNS, mais atentos aos argumentos de quem é contra e de quem é a favor da despenalização. E sim, o debate central no país é como cuidamos de todos – o SNS, a sua orçamentação, e as condições de trabalho dos seus profissionais, já de todos conhecidas, merecem uma acção urgente, pela vida de todos nós.

A Greve Cirúrgica

Nasceu em Cascais, a 15 de Outubro de 1978. Tem uma costela alentejana e outra de Alcobaça. É casada e tem dois filhos gémeos. Professora universitária, investigadora na Universidade Nova de Lisboa e investigadora no Instituto Internacional de História Social de Amesterdão, Raquel Varela especializou-se em História do global do Trabalho, História do Trabalho, das condições de Trabalho e História da Europa do século XX. Coordena um grupo de estudos do trabalho na Universidade Nova de Lisboa, o único do País e tem mais de 30 livros publicados. É utente do Serviço Nacional de Saúde e tem médico de família. Diz-se apaixonada por viagens, montanhismo e natureza. Adora Portugal, os portugueses, o vinho e a gastronomia e é fã de jazz.

Historiadora que se destacou na defesa dos Enfermeiros durante a greve cirúrgica, está a realizar um estudo para a Ordem dos Enfermeiros sobre as condições de trabalho e de vida da classe de Enfermagem em Portugal. Raquel Varela promete uma radiografia inédita das condições de trabalho dos Enfermeiros em Portugal

O que a levou a enveredar pela área do Trabalho?

O trabalho é a coisa mais importante da nossa sociedade. A nossa principal identidade é o trabalho. Quando nos queremos definir, dizemos o que fazemos. Diz-me o que fazes, dir-te-ei quem és! Temos sempre grandes notícias sobre as empresas, mas nunca sobre as pessoas que trabalham nessas empresas. Eu tenho um enorme respeito pelo que cada um faz, já que permite não só a reprodução da existência, mas também a arte, o desenvolvimento da ciência, descobertas tecnológicas, coisas simples da vida.

Como é que a sociedade percepcionou o braço de ferro entre a classe de Enfermagem e o Governo com a requisição civil?

Eu acho que a força que o PS teve ao utilizar a requisição civil é menor do que se pensa. A ausência de uma maioria absoluta teve precisamente a ver com a forma como reagiu, com mão pesada contra sectores profissionais absolutamente cheios de razão, como os estivadores, motoristas, Enfermeiros e outros que disseram que os seus salários eram acintosamente baixos. Na verdade, o salário mínimo real em Portugal está calculado em 1000 euros e nós temos todas estas categorias a ganhar abaixo deste valor. Acredito que o PS perdeu a maioria absoluta, em grande medida, como contestação política pela forma como reagiu com estes sectores. A chamada greve cirúrgica é uma belíssima ideia e não é uma ideia nova. Há 200 anos que é praticada por várias associações de trabalhadores, ou seja, para um sector e outros solidarizam-se. É, aliás, o que se passa nas escolas. Os professores solidarizam-se com os funcionários, os estivadores mais velhos com os mais novos e é assim que se fazem greves bem-sucedidas. Demonstrou uma capacidade de mobilização absolutamente extraordinária. As greves mais solidárias e eficazes são as greves dos Enfermeiros canadianos e norte-americanos, todas recorrem a fundos públicos de solidariedade. É algo absolutamente usual. Cá é que, para tentar destruir a greve, o Governo tentou fazer uma campanha contra o fundo de greve, quando este permite apenas a capacidade dos trabalhadores aguentarem uma greve que faz o outro lado ceder. Mas também diria que os Enfermeiros deviam ter sido mais eficazes a passar a ideia de que no SNS são os primeiros a defender a qualidade de vida dos doentes. Sabemos perfeitamente que ninguém morre por causa de uma greve de Enfermeiros e que se morre por longas listas de espera, que não são cumpridas fora de tempos de greve. Eu, como cidadã, reivindico a coragem, o rigor e o papel desta greve. Devemos apoiar uma greve baseada em revindicações justas e feita por pessoas sérias, com sentido de justiça e foi-o inteiramente.

Considera que houve uma embate político entre o Ministério da Saúde e a Ordem dos Enfermeiros?

O Ministério da Saúde tentou personalizar esta greve na figura da Bastonária, o que foi um erro, porque se colocou contra 70 mil Enfermeiros, muitos dos quais são votantes da esquerda e apoiaram a greve. O sindicato mais afecto à esquerda, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, teve uma posição titubeante face à greve e perdeu muito espaço com essa posição. A mim parece-me que os Sindicatos têm de ser independentes de qualquer Governo. O sindicalismo tem de dar resposta aos anseios dos seu sector e não do Governo A ou B. Tentaram transformar uma greve justíssima contra a figura da Bastonária e contribuíram para que esta fosse eleita com uma votação absolutamente histórica, mostrando os Enfermeiros massivamente unidos em defesa da classe. Por isso é que foi usada a bomba atómica da requisição civil, como modo de dissuadir outros sectores do serviço público e do estado social.

E a bomba atómica, funcionou?

Eu acho que em parte funcionou. A greve não foi vitoriosa e não alcançou os objectivos. Não houve uma derrota histórica e muita água vai correr debaixo da ponte nos próximos anos. Por outro lado, os Enfermeiros demonstraram uma capacidade de união, uma nova forma de fazer greves e serviram de exemplo para outras classes. É muito curioso que, a seguir à greve dos Enfermeiros, os Professores tenham criado um fundo de greve idêntico mas não o tornaram público. Isso significa que há muitos sectores a olhar para os Enfermeiros como exemplo de novas formas de luta. Foi isso que a greve dos Enfermeiros demonstrou, ao contrário do que o Presidente da Republica, de forma muito descuidada, chamou de movimentos inorgânicos. As pessoas deram a cara, organizaram ‘sites’, fundos de greve, viram as suas vidas pessoais e profissionais indecentemente escrutinadas. Mais transparente não podiam ter sido.

Neste momento, está a realizar um estudo para a Ordem dos Enfermeiros sobre as condições de trabalho e de vida da classe de Enfermagem em Portugal. Embora ainda esteja a decorrer, há análises que pode já destacar?

Está numa fase preliminar e vai ser um trabalho longo durante dois anos. Vamos ter uma radiografia das condições de trabalho dos Enfermeiros em Portugal e vamos relacioná-la com o ‘burnout’ e o desgaste. Ou seja, de que forma é que estas condições de trabalho têm impacto no desgaste e esgotamento emocional dos profissionais. Ressalvo, neste momento, a importância do sentido de trabalho. Estamos a lidar com profissionais que não estão a montar carros, estão a cuidar de pessoas. Isto é profundamente humanizador. Há um sentido humano da profissão, que é profundamente essencial para o estudo. A outra questão que destaco é o sentido de enorme injustiça porque é uma profissão muito qualificada, que sofreu grandes transformações ao longo das últimas três décadas e que não tem o reconhecimento devido a esse nível. Se relacionarmos o valor do salário com o tipo de formação, percebemos que temos umas das profissões mais mal pagas em Portugal. Temos lidado com profissionais com uma enorme consciência do seu trabalho, do que é ser Enfermeiro e quais são os seus desafios. Estamos a lidar com um enorme grau de desmoralização do sector. Há muita gente entristecida com o rumo da profissão. Os níveis de exaustão são muito perigosos, tal como o excesso de horas e tarefas a cumprir.

Qual é a percepção da sociedade relativamente àquilo que os Enfermeiros recebem no final do mês?

É preciso distinguir a opinião pública da publicada. Eu não vejo, nas nossas investigações e no contacto com os trabalhadores, ninguém a opor-se a melhores salários e ninguém a apoiar esta política miserabilística dos sucessivos Governos. Acho que é importante distinguir o que a população pensa do que se pensa que a população pensa.

Entre as redes sociais e os órgãos de comunicação tradicionais, existe um grande fosso. Como é que se pode encontrar o pulso aos temas que importam no meio de tanta informação?

O mundo do trabalho em Portugal tem de ter os seus próprios media. É a resposta essencial. As pessoas têm de ter acesso à verdade e não à opinião de cada um. Eu não posso ter a opinião sobre se os Enfermeiros ganham bem ou mal, se não discutir factualmente quanto é que ganham e qual é o custo de vida, independentemente da minha opinião. Não podemos estar a mandar bitaites sem ter informação clara e para isso é preciso ter mais conteúdo para além dos meios de comunicação do Estado ou empresariais. Os sindicatos, associações cívicas, as ordens devem produzir o seu próprio jornalismo porque deve existir confronto de opiniões.

O Serviço Nacional de Saúde continua problemático. É possível resolver as várias questões ou é necessário olhar para o SNS de outro modo?

É preciso reestruturá-lo de baixo para cima e há três coisas que precisam de ser feitas. Têm de ser introduzidas carreiras para os profissionais de saúde com exclusividade e salários e contratos de trabalho atractivos e penso que se isso for introduzido, a maior parte dos profissionais não vai para o privado. A segunda é a gestão democrática, ou seja, os trabalhadores têm de ser ouvidos. Eles pensam muito e têm de ser escutados em questões laborais. A terceira é o SNS deixar de concorrer consigo próprio. Deve ser um serviço realmente nacional, planeado e coordenado. Estas três condições são elementares para termos um SNS robusto. Nós só temos uma saúde de excelência se tivermos uma saúde para dez milhões de pessoas. Só posso ter um enfermeiro especialista de excelência se fizer muitos partos complicados portanto precisamos de escala. Para ser um SNS de excelência, deve ser bom para todos.

Porque é que sucessivos Governos não executam essas reformas e as põem em prática?

Com muita sinceridade, penso que os vários Governos do PS e PSD têm feito é abrir espaço para os privados. Ideologicamente, comprometem-se com o mercado e olham para ele como um espaço de liberdade e de negócio. Olham para a saúde como um negócio porque representam esses interesses. Nós acabamos por ter uma espécie de cavalo de tróia dentro do SNS.

O Orçamento de Estado para 2020 é suficiente para enfrentar os problemas que referiu?

Não, de todo. Há uma suborçamentação crónica e serve para pagar dívidas em atraso. As contratações que vão ser feitas são em moldes que têm sido constantes nos últimos anos e acabam por ser geridas em declínio, como disse uma deputada socialista quando lhe fugiu a boca para a verdade.

Concorda que se diga que existem duas facetas do SNS, uma nas zonas do interior do país e outra nas grandes metrópoles?

Sim mas esse não é um assunto fácil de resolver. A litoralização do país e a desertificação do interior são problemas complexos mas podemos pegar em exemplos de países que lidam com esses assuntos há mais tempo, como o Canadá, e perceber quais podem ser os mecanismos de compensação, como reformas mais cedo, melhores salários, redução de horário de trabalho. Temos de olhar para países com políticas bem sucedidas nesta área e ver como é que podemos adaptar ao nosso país, senão só estamos a servir uma fatia do país.

https://www.ordemenfermeiros.pt/noticias/conteudos/cuida-62-já-dispon%C3%ADvel-online/

História Global

Vou estar no Congresso mundial de História Global em duas sessões, uma mesa redonda sobre trabalhadores e propriedade nas revoluções dos anos 70 e 80, onde vou apresentar o caso da revolução dos cravos; e outro sobre migrações e internacionalismo, onde vou apresentar um paper sobre lutas globais dos estivadores e indústria automóvel. Ambos com um grupo que acho que se pode dizer de luxo, Marcel van der Linden, fundador da história global do trabalho; Leo Lucassen, o mais destacado historiador das migrações na Europa e director do IISH na actualidade, Attila Melegh da Universidade Corvinus, e coordenador do Centro Carl Polany, Eszter Bartha, fabulosa historiadora da revolução húngara. Sixth European Congress on World and Global History, Finlândia, Junho de 2020. Ao todo serão 500 as participações neste congresso de história global.

A Galp vai descontar o café e pagar o jantar?

Uma pausa para um cigarro, outra para o café, passam a ser descontadas no salário, diz um Tribunal em Espanha perante as queixas dos accionistas da Galp. Ontem liguei a uma amiga, uma médica extraordinária – humana, científica e politicamente, um trio dos improváveis – e perguntei-lhe se o cansaço e a dor de cabeça de um familiar meu eram sinal de perigo, pensando já num cenário apocalíptico de uma infecção grave, no qual desenrolei todas as doenças assustadoras que existem, e ainda as que estão por existir, que também imaginei com razoável detalhe. Ela, com doçura e calma, fez-me algumas perguntas e disse-me que não, ele que ficasse em casa, vigiado, mas nada mais. Pelo telefonema que me fez umas horas depois – onde conversámos sobre sinais, sintomas, medos, antevisões e respostas racionais – percebi que ela comigo tinha sentido o mesmo que eu hoje senti quando uma jornalista me ligou perguntando o que eu pensava das pausas para o café serem descontadas no salário. Não pela jornalista, que faz um excelente trabalho, aliás ao ligar-me procurava o contraditório da notícia que correu mundo noutros jornais, como se de algo aceitável e debatível se tratasse. A minha perplexidade é a de quem tem de responder a uma realidade paranormal, a uma pergunta mágica, a uma realidade inexistente.

Vejamos, em primeiro lugar devíamos estar a debater porque as pessoas não ganham pelo menos o dobro ou triplo do que ganham já que os salários reais estão congelados face ao custo de vida na Europa em média há duas décadas; em segundo lugar devíamos estar a debater porque não trabalhamos 3 horas por dia, durante 4 a 5 dias, já que a produtividade do trabalho tem subido sistematicamente com o recurso a novas tecnologias; temos que perguntar como está a vida afectiva, sexual, pessoal, e a saúde das pessoas, na Galp e fora dela, com horários de trabalho cada vez mais longos. Quantas tarefas fazem hoje os trabalhadores e quantas faziam há 2 décadas; quantas vezes comem peixe fresco de mar e quantas vão ao cinema. Depois temos que debater porque a Galp é privada, já que toda a sua estrutura foi paga pelo sector público. Podemos descer a um nível mais básico, não debater que sociedade queremos, e perguntar desde quando é que uma pausa não é essencial ao aumento da produtividade, desde quando é que trabalhar sem parar aumenta a produtividade – em que lado do mundo isso se verificou alguma vez na história? Nenhum. Aliás, o contrário é verdadeiro – menos pausas, menos produtividade.

Mas não podemos ainda de deixar de perguntar ainda se a Galp, uma vez que vai descontar as pausas, se vai começar a pagar o tempo que os trabalhadores estão em transportes para irem para o trabalho, o tempo em que estão a fazer comida para levar para o trabalho, o tempo em que estão a ir às compras para comprar roupa para levar para o trabalho, o tempo em que estão a secar o cabelo para irem trabalhar, o tempo em que estão a dormir para poder trabalhar no dia seguinte, o tempo em que estão a cuidar dos filhos para virem a ser trabalhadores da Galp, a hipoteca da casa onde vivem que lhes permite viver para trabalhar, e a prestação do carro que usam para ir trabalhar para a Galp…No fundo o que eu quero mesmo saber é se a Galp vai descontar o café e pagar tudo o que os trabalhadores fazem fora do trabalho que serve cada vez mais – e apenas – para irem trabalhar para a Galp mal acordam, a cada dia.

Estamos submersos num mundo irreal, sem uma linha de esperança no horizonte, onde não nos atrevemos a perguntar o essencial: porque é que existem accionistas da Galp? Qual é o contributo para a sociedade de um “accionista”? O que é que esta gente faz na vida, em pausa ou fora dela?

Assédio Moral, o que fazer?

O assédio moral no trabalho tornou-se um tema central da sociedade hoje: perseguições, “ser colocado no arquivo ou na prateleira”, sofrer olhares de esgar e ameaça explícitas; ser colocado nos piores horários, ou ser alvo de processo disciplinares por toda e nenhuma razão – estes métodos de gestão da força de trabalho não são novos, mas depois das medidas de salvação dos bancos pós 2008, e consequente intensificação dos ritmos de trabalho, tornaram-se uma forma que – tudo indica – é cada vez mais recorrente dentro das empresas e dentro do sector público. Na forma de processo disciplinares este assédio tem ainda a consequência de esvair os recursos sindicais em processo jurídicos, a maioria dos quais não têm seguimento em tribunal, mas abalam a confiança entre trabalhadores e colegas, e erodem os recursos financeiros dos sindicatos. A resposta ao assédio moral deve ser múltipla: ajuda pessoal e psicológica ao assediado; resposta jurídica que evite despedimentos ou penalizações mais graves; mas sobretudo a resposta tem que ser organizativa, política e colectiva: isto é, os trabalhadores devem falar em conjunto sobre o tema entre eles, e não centrar-se no erro de cada um, de forma oculta e escondida, ajudando a espalhar rumores e calúnias; e devem fazer greves colectivas, e outras formas de protesto, em defesa de cada um dos assediados, dos perseguidos e dos que são alvo de processos disciplinares, sob pena de os processos se arrastarem em tribunal, destruindo moralmente os indivíduos e financeiramente e politicamente as organizações. As empresas e o Estado têm que perceber que sofrerão na forma de greves (paragens da produção) as consequências de criar um clima de terror e desconfiança nos locais de trabalho.

ENTREVISTA CONVERSAS COM HISTÓRIA

Este Sábado estarei à conversa no CCB com Coimbra de Matos, imperdível escutá-lo.

ENTREVISTA
CONVERSAS COM HISTÓRIA
Raquel Varela entrevista António Coimbra de Matos

15 FEV 16H / CENTRO DE CONGRESSOS E REUNIÕES

A historiadora Raquel Varela recebe no dia 15 de fevereiro, no âmbito do ciclo Conversas com História, o psicanalista António Coimbra de Matos. Nesta sessão, vamos falar de muitas coisas, mas também de amor ao longo dos tempos e do futuro das relações.

Neste ciclo, cada conversa, informal, parte de uma pergunta inquietante da atualidade para, através do passado – explicado para o grande público –, nos ajudar a compreender o presente.

A democracia é o menos imperfeito dos regimes? Entre a educação repressiva e a cultura permissiva, há alternativa? Não existem diferenças entre sexos? São construções culturais? A próxima crise económica é inevitável? A religião é um ópio ou uma expressão do sofrimento? Freud tinha razão quando «culpou» as mães pelos erros dos filhos?

O ciclo Conversas com História convida-vos a estar presentes nesta série de entrevistas, sem tabus, sobre temas da atualidade. O público será convidado a questionar, criticar e debater connosco o futuro. Não conseguimos mudar o passado – mas sem o conhecer não podemos transformar o futuro.

https://www.ccb.pt/Default/pt/Programacao/LiteraturaEPensamento?a=1878&fbclid=IwAR1KEZWNG7hNbWaDx8rnHbHfUj1ZWp4SbmmjrE6-MXnXbscACc_Wr_A53EU