Quiz da greve dos enfermeiros

A greve é boa? Nenhuma greve é boa – são um mal necessário. Se há greves é porque tudo o que houve antes (e são muitos os antes)  falhou.
 
Podem morrer pessoas? Não é tolerável levar o debate para este lado – não vou responder.
 
A greve é grave? É, gravíssima. Terão que ser adiadas milhares de cirurgias – a situação é muito perigosa porque pode não haver meios para repor as cirurgias adiadas sem graves prejuízos. O Governo tem que – por isso- ir para a mesa das negociações e não deixar mais prolongar esta situação.
 
Os enfermeiros têm razão nas suas exigências? Têm, em todas.
 
A greve pode ser incentivada pelo sector privado para levar para lá este mercado de cirurgias? Pode. Não sei se é, mas é muito provável que seja. Isso é bom? Não, é péssimo. Não desautoriza contudo a greve, que é gerada pela insatisfação real com condições de trabalho e vida inaceitáveis no século XXI.
 
Se há o risco de o sector privado ganhar com esta greve isso só demonstra que o Governo tem que actuar rapidamente. Sob pena de ficarmos convencidos que também no PS há quem queira deixar a coisa andar para beneficiar o sector privado…
Advertisements

Portugal vai ter coletes amarelos dia 21 de Dezembro?

Portugal vai ter coletes amarelos dia 21 de Dezembro? Ou como a esquerda não pode continuar a viver numa bolha fora da vida real das populações.

Há uma manifestação de coletes amarelos convocada para Portugal para dia 21 de Dezembro. Alguns jornais deram o alarme – e muitos foram atrás -, atenção é “uma manifestação convocada pela extrema-direita”.

Peço-vos que reflictam alguns minutos sobre o absurdo desta premissa. Em Portugal só há 4 entidades com capacidade de mobilização de manifestações de massa: o PCP/CGTP, a Igreja, os media/Estado e uma entidade chamada Povo. A extrema-direita não existe. Mesmo em França Le Pen abandonou os protestos porque à cabeça os manifestantes exigiam impostos sobre as fortunas, e ela é… uma das fortunas.

Portugal é um país fácil de compreender do ponto de vista dos movimentos sociais porque tem pouca população, fronteiras definidas há 8 séculos, pouca imigração (muita emigração), e manteve-se rural até aos anos 60. O único dado que baralha as previsões é a pequena propriedade generalizada. De resto isto é sociologicamente até um bocado aborrecido. Previsível. Quem fique a estudar Portugal sem um olhar mundial, que nos traga novos desafios, aborrece-se. O interesse deste país -, que nos apaixona -, não é a sua complexidade. Mas a sua simplicidade. É na alheira numa tasca ilegal, onde também come o GNR, que encontramos a parte divertida do país.

O PCP e a CGT e a Igreja têm cada vez menos capacidade de mobilizar massas nas ruas – ainda têm porém. O PCP/CGTP porque o pacto social acabou. A Igreja porque o mercado ganhou a Deus. Os media/Estado e o Povo cada vez mais influenciam e mobilizam.

Os media e o Estado porque se agigantaram no pós guerra. O Povo por uma questão numérica e de desigualdade social. O Povo, com as classes médias proletarizadas, é a maioria esmagadora.
Em Portugal porém desde o 25 de Abril que não há um movimento Popular – o tal “Povo”.

Em Portugal não há manifestações convocadas pela extrema-direita porque esta não existe. Se a esquerda não falasse dela tanto nem 50 militantes tinham. Fizemos a mais radical revolução do pós-guerra e isso teve efeitos muito para além da Ponte ter passado a chamar-se 25 de Abril. Os que derrubaram a ditadura, contra o Estado, estão na sua maioria vivos. Será preciso uma geração mais para que este efeito acabe.

Se a manifestação de dia 21 existir de massas ela não pode ser de extrema-direita. Porque em Portugal a extrema-direita junta 50 pessoas. Se juntar parte dos amigos dos animais, sectores da segurança privada e ainda a Opus Dei somará no total 200 pessoas. Isto porque as senhoras da Opus Dei são mais, mas nem às barricadas de rio Maior foram sujar os sapatos, quanto tinham a propriedade ameaçada. Quanto mais irem em auxilio de trabalhadores pobres de cidades semi-abandonadas pelo Estado, que é o que estes coletes amarelos são. Aliás enquanto a esquerda de Lisboa se entretem a chamar nomes à extrema-direita um povo do Algarve vestiu coletes amarelos contra as portagens – por acaso militantes de esquerda…É que o país não é o Bairro Alto.

Se houver manifestação dia 21, se existir e for grande (não sei, nem posso adivinhar), ela vai ser chamada pelo Povo (por isso não posso adivinhar o número de pessoas). O que significa que a sua direcção, caminhos, propostas, etc irão no sentido de quem estiver lá a dirigir. Isto é, quem souber escutar os problemas reais das populações, ouvir as propostas de resolução com eles, e não “por eles”. E dar-lhes um sentido construtivo, em vez de destrutivo, uma direcção de bem comum e não de salve-se quem puder.

Assim, se as populações estão contra os impostos ao consumo como o da gasolina deve-se propor a baixa destes, que é urgente e penaliza os mais pobres, em troca de impostos sobre a grande propriedade e renacionalização de sectores como a energia e investimento em linha férrea que auxilie as populações das cidades médias. Se estão contra os baixos salários a solução não é expulsar migrantes (nem aceitar concorrência com salários mais baixos) mas ter políticas de pleno emprego. Este é um exemplo, podia dar outros tantos.

As manifestação de Timor Leste (TSF), Geração à Rasca e 15 de Setembro partiram de uma ideia relativamente desorganizada e popular nas redes sociais mas o seu eixo de mobilização de massas não foi o Povo, foram os media/e o Estado. Todas elas tiveram como ponto de mobilização principal os media (que dias antes abriam telejornais a avisar das manifs) porque os interesses do Estado, na luta fraccional entre PS e PSD, assim o convocavam. Estive em todas elas mas nunca criei expectativas de que tinham sido movimentos das classes subalternas – e quem o fez errou, apaixonado pela ideia de ver muita gente na rua.

No caso de Timor para fazer passar o petróleo para a égide da Austrália; no caso da Geração à Rasca para uma fracção de poder fazer cair então o Governo, e caiu, e apressar a entrada da Troika; e no caso do 15 M para uma fracção do poder fazer cair a TSU. Não foram movimentos de baixo – ao contrário do que se passa em França com os coletes amarelos. Mas foram movimentos com os de baixo – por isso apoiei-os. Mas é bom não inventar massas a dirigir, quando massas estão a ser dirigidas.

Respondendo à minha pergunta, Portugal vai ter coletes amarelos dia 21? Não sei. Se fosse o PCP/CGTP, a Igreja e os media/Estado eu diria quantos iriam estar nas ruas. Não sei se vai ser um flash daqueles que não sai das redes sociais – e isso também depende da evolução do que se vai passar em França – ou se vai a população abrir caminho a uma situação francesa. Não tenho como prever.

Sei que politicamente as pessoas de esquerda, democráticas ou simplesmente civilizadas não devem estar contra uma manifestação justa pela diminuição de impostos, taxas e taxinhas que aniquilam a decência da vida, cada vez pagamos mais por piores serviços – isso não é de direita, é pura civilização e democracia contestar isto. Estar ao lado dos manifestantes, se eles existirem, ouvindo com ouvidos sinceros os seus anseios, debatendo soluções reais, e assim evitar que eles sejam dirigidos pela direita, é o que era necessário – já vão tarde meus queridos amigos de esquerda.

A extrema-direita em Portugal não dirige nada, rien, nicles, nestum. É um papão que o PS e a esquerda, e até o PSD, sopram aos ouvidos de quem ousa sonhar fora do Tratado de Maastricht. A única coisa que mantém hoje os regimes europeus intactos é a ameaça da extema-direita, ninguém apoia estes regimes, mas todos estão contra o outro que supostamente virá.

Volto sempre à ideia de Raymond Williams, o nosso papel, como intelectuais, ou dirigentes políticos, sindicais, associativos, não é tornar o desespero convincente mas a esperança possível. Neste caso não é gritar “fujam que vem aí a direita”, mas encontrar soluções reais para os problemas que realmente destroem a qualidade de vida das populações, e assim, e só assim, evitamos que venha aí a extrema-direita. O que virá aí só é pior do que o que temos se 1) não mudarmos e continuarmos a tolerar a desigualdade e o retrocesso imposto pelos neoliberais – de direita e de esquerda 2) se deixarmos esse espaço de descontentamento vazio, dando lugar assim à extrema-direita.

Alguém terá visto por aí a Ministra da Saúde?

Alguém terá visto por aí a Ministra da Saúde?

Qualquer protesto desenquadrado do controlo tradicional é logo rotulado por um grupo de “especialistas” em movimentos sociais como corporativo, de direita, até de extrema direita, irresponsável. Confundem tudo, a base com a direcção, propostas com métodos, Estado com partidos, um molho de bróculos sem validade sociológica alguma.

Ontem, até a líder do BE veio criticar a forma das greves (mais cedo do que previ, ai ai Bloco…)- lá chegaremos, aquele momento em que grevistas sejam tratados de “aventureiros” e “agentes da CIA”, como fazia o PC em 1975 a tudo o que fugia ao seu controlo férreo. Aprendi há muitos anos que nunca devemos ceder a simplismos, muitos gostam de respostas simples – é nesse momento que devemos oferecer-lhes uma resposta ainda mais complexa. Pode ser em estónio, ou basco, as duas línguas mais difíceis da Europa.

A Bastonária disse que há mortes com a greve? Não. Disse algo (ainda) mais sério. É preciso aumentar a cabeça e ver para além do dia de hoje.

Ela disse, e se lerem a notícia e não só a gorda, vão ver, porque está lá, que há muitas mortes com falta de enfermeiros, e não só dos enfermeiros que adoecem mais cedo, mas dos doentes. E mais, que há muitos blocos operatórios – antes da greve – parados por falta de cirurgiões, e anestesistas. Há muito tempo.

Sim, convido os media a irem a São José e a pedirem ao administrador o número de cirurgias adiadas por falta de anestesistas nos últimos 5 anos. Há 3 anos coordenei para a Ordem dos Médicos um estudo sobre o número de médicos em Portugal – esse número estava detectado, e o Governo conhece-o, nunca ouvimos porém o Governo dizer-se culpado de mortes (o estudo é de consulta pública). Como ninguém pode garantir que não morreram muitas pessoas nas listas de espera. Ou na erosão do serviço nacional de saúde para o sector privado.

Que a rigor ela, Bastonária, não pode garantir (seria fácil ter mentido ou negado) que não podem morrer pessoas. Mas que estão os serviços mínimos a ser assegurados, mais até do que os serviços mínimos, tudo o que são operações consideradas urgentes pelos médicos estão a ser realizadas. Digo-vos mais, no estudo, público, pedido então pelo médico Jaime Teixeira Mendes, Ordem dos Médicos do Centro/Sul afirmámos – está escrito – que a continuar assim, não vamos ter cirurgiões porque para formar cirurgiões é necessário não só internos – o que há – mas cirurgiões experientes no sector público, o que há cada vez menos. Não abrem vagas para a especialidade não só mas também porque não há especialistas para os formar. E cirurgia não se aprende em livros, sem um número x de actos não se pode aprender a ser cirurgião. O Governo enfia os estudos na gaveta, dá os parabéns pelo “trabalho”, os media dão uma notícia alarmante, “há falta de médicos”, chegada a greve bombardeiam-nos, invertendo a causalidade dos factos. Pergunto, isto ajuda a resolver um problema tão grave quando a greve em curso?

Estive em Coimbra na Escola de Saúde a apresentar esse estudo há 3 anos, o director da Escola de Enfermagem disse
– publicamente, perante uma plateia de mais de 200 pessoas e comunicação social – que 90% dos enfermeiros formados ali, com impostos públicos, iam para Inglaterra, levados por uma empresa de recrutamento, mesmo antes do curso terminar. May agradece, já que os neoliberais deram cabo do ensino lá, e vêm cá buscá-los sem custos. Os que cá ficaram, poucos, estão obrigados a sobreturnos. Estes sobreturnos estão a levar a um aumento conhecido de gravidez de risco, em mulheres muito jovens, sim, nas enfermeiras, e da taxa de absentismo, e, adivinho eu, do erro e acidente laboral. Há também o caso – conhecido do Governo – dos idosos que não são mudados nas camas porque há 2 enfermeiros para 80 doentes. E ficam com escaras e feridas. Mas há também, a Ministra conhece, o caso dos que morrem sozinhos nas macas nos corredores.

O Governo teve como táctica contra este greve não resolver a vida tremenda destes profissionais mas esconder a Ministra da Saúde e fazer aparecer a Bastonária da OE. Já vi 1254 noticias sobre a Bastonária, cujo Partido não apoio. Não apoio, porque qualquer solução em Portugal no campo da saúde passará por salários altos na saúde conjugados com exclusividade no setor publico e fim dos hospitais SA. Tudo o que o PS e o PSD não querem. A solução para a nossa vida terá que integralmente passar pelo SNS, de público para público. Mas, de tanto ver notícias sobre a Bastonária ainda não vi uma única notícia – uma só – de propostas do Governo para melhorar a vida dos enfermeiros, e por fim à greve. Aliás, já me perguntei onde anda a Ministra da Saúde, vocês não?

Estudo Greves, base de dados Mundial

Aqui fica o link para a nossa base mundial de estudo de greves e conflitos sociais, aqui encontrarão dados e análise de greves a nível mundial. Trabalho do Instituto de História Social de Amesterdão, coordenado pelo historiador Sjaak van der Velden, a parte portuguesa é da minha responsabilidade.

https://datasets.socialhistory.org/dataverse/labourconflicts?fbclid=IwAR1MqPTaaHmH6nk2BsOMUI8nJXq2-MggjzbZ7QaRpo7hPOp1JhVWg02yBF8

 

Burn-out docente em Portugal

Há uns anos fiz uma entrevista a um colega e ele falava sobre o processo de alienação do trabalho (ele é professor) e uma aluna minha que estava a transcrever a entrevista escreveu-me e disse “é mesmo para eu transcrever aquela parte?”. Eu respondi que sim, “claro que sim!”. É exemplar para explicar o que é o sofrimento no trabalho. Em que ele diz “o grande momento do meu dia-a-dia, na sala de aula, é quando vem o intervalo e eu vou com o meu colega fazer xi-xi e fazemos um concurso para ver quem chega mais longe”. Dizia-me ele na entrevista: “repara Raquel, é o que eu tenho em comum com os hipopótamos. Eu e os hipopótamos somos profundamente felizes quando fazemos xi-xi. Temos prazer!. Se dúvidas houvesse de como eu estou alienado do meu trabalho, é que eu entro na sala de aula e penso que o meu principal objectivo é que eles não adormeçam (é professor no Brasil e os alunos chegam muito atrasados por causa dos transportes em grandes distâncias), não que eu lhes consiga ensinar alguma coisa. Isso eu já desisti há muito. Mas o meu grande prazer é quando eu faço xi-xi.”.
 
Ora, não é normal que o grande momento do dia de trabalho seja o momento em que se deixa o trabalho. (…)
 
O meu discurso completo de apresentação do estudo do burnout em Portugal nos docentes. Este discurso é fruto da reflexão e conclusão colectivas de toda a equipa.
 
«Este estudo começa com uma citação de um médico. A primeira vez que se falou em burnout é através de um médico que entra em exaustão e ele vai tratar do seu próprio burnout a tratar de leprosos. A cuidar dos outros, em cooperação. Eu também acho que já estaria em burnout se não estivesse a trabalhar com uma equipa académica e não académica que é absolutamente maravilhosa e onde conseguimos um feito. Este trabalho foi escrito conjuntamente. Foi uma escrita colectiva que combina diversas áreas da ciência. Por isso chegamos um pouco mais além na nossa capacidade. Começámos a estudar o burnout e nem temos a certeza se este conceito existe de facto. Isto não diminui nada a qualidade científica deste trabalho nem o estado de doença dos professores, em que eles se encontram.
 
Não tivemos medo nenhum de colocar em causa dogmas científicos. E a única forma de fazer ciência é fazê-lo neste diálogo. O estudo tem uma primeira parte patenteada, reconhecida internacionalmente por várias instituições. Por exemplo, em França já se propôs que isto entre como doença registada. Esse estudo foi feito a estes docentes. Os resultados são esmagadores e amplamente conhecidos. Temos quase 80% dos professores em exaustão emocional. Temos perto de 50% que não se realizam profissionalmente e temos um dado muito curioso que é o de que só cerca de 10% dos professores entraram em despersonalização. Ou seja, não passaram, na maioria, a ver os alunos como coisas. E isso é um processo de adoecimento no trabalho. Isso não significa que estão menos doentes. Significa que há um processo de implosão do sector e não de explosão. Portanto, essa doença não é no ódio ou no desinteresse ou na alienação dos vossos alunos, como existe noutros casos de burnout . Ela é um processo implosivo. É uma doença dos professores que também se manifesta e isso é visível no inquérito numa forte competição, desconfiança e mal-estar, fundamentalmente com o não reconhecimento público, o que imediatamente apela ao Estado e à comunicação social, com as chefias mas também entre colegas. Não temos qualquer dúvida que a divisão dos trabalhadores em carreiras dos professores em carreiras docentes distintas, nomeadamente em titulares e não titulares, mas também noutras categorias (precário e fixo) leva a uma grande desagregação e a um grande mal-estar dentro do corpo docente.
 
Há outros dados particularmente relevantes. 94% dos professores querem ir para a reforma.
 
Uma história com piada, por que agora parece que toda a gente quer ir para a reforma, o ápice da vida: “eu quero deixar de trabalhar!”.
 
Isto não era assim há 20 ou 30 anos atrás. Aliás, nós tínhamos um padrão até contrário. As pessoas iam para a reforma e frequentemente deprimiam. Agora, têm uma sensação de alforria, de libertação. Isto é muito triste porquê? Há uns anos fiz uma entrevista a um colega e ele falava sobre o processo de alienação do trabalho (ele é professor) e uma aluna minha que estava a escrever a entrevista escreveu-me e disse “é mesmo para eu transcrever aquela parte”. Eu respondi que sim, “claro que sim!”. È fundamental do ponto de vista exemplar para explicar o que é o sofrimento no trabalho. Em que ele diz “o grande momento do meu dia-a-dia, na sala de aula, é quando vem o intervalo e eu vou com o meu colega fazer xi-xi e fazemos um concurso para ver quem chega mais longe”. Dizia-me ele na entrevista: “repara Raquel, é o que eu tenho em comum com os hipopótamos. Eu e os hipopótamos somos profundamente felizes quando fazemos xi-xi. Temos prazer!. Se dúvidas houvesse de como eu estou alienado do meu trabalho, é que eu entro na sala de aula e penso que o meu principal objectivo é que eles não adormeçam (é professor no Brasil e os alunos chegam muito atrasados por causa dos transportes em grandes distâncias), não que eu lhes consiga ensinar alguma coisa. Isso eu já desisti há muito. Mas o meu grande prazer é quando eu faço xi-xi.”.
 
Ora, não é normal que o grande momento do dia de trabalho seja o momento em que se deixa o trabalho.
 
Este sinal de 84% dos professores quererem ir para a reforma, não tem um significado clínico, analítico e social inferior aos 78% em exaustão emocional. Isto significa que o trabalho se transformou numa tortura. O trabalho é um factor de sofrimento porquê?
 
É a isto que eu agora queria chegar. Quero dar-vos mais um dado esmagador. Quase 20% dos professores está preocupado com o seu consumo de álcool, drogas e medicamentos. Este número corresponde exatamente àqueles que estão em burnout extremo no resultado psicométrico. Nós frequentemente ligamos a televisão e ouvimos falar que os professores deram falsas baixas médicas. Ora, o que queremos chamar a atenção é que nós temos uma percentagem dos trabalhadores a trabalhar e só conseguem trabalhar porque estão em auto doping, só porque estão medicados.. Nós temos professores muito doentes, extremamente doentes, que só está a trabalhar porque estão medicados. Este doping não é, em geral, nos estudos internacionais, diferente. Os valores aliás são idênticos de Portugal para outros países. Não são, na maioria dos casos, comportamentos aditivos. É mesmo tomar a medicação para conseguir manter-se no trabalho. Como sabem, o relatório refere que há uma relação direta entre a exaustão emocional e a idade e, portanto, seria fácil nós conseguirmos concluir que as pessoas estão mais cansadas, têm menos energia e por isso estão mais doentes.
 
Essa não é a nossa conclusão do estudo. A partir de um certo nível de cansaço é impossível as pessoas não começarem a sentir sintomas depressivos e outros. Há um nível de cansaço objectivo que é destrutivo. Porém, o que nós estamos a falar fundamentalmente é de organização do trabalho. Na nossa opinião concluímos do ponto de vista analítico que a maioria dos professores com mais de 55 anos tem mais exaustão emocional porque há uma dissociação entre as suas expectativas no local de trabalho e as realmente vividas. Porquê? Porque esses professores são, maioritariamente, uma geração que começou a trabalhar após o 25 de Abril onde o espectro da autodeterminação persecução de uma Educação baseada num ensino universal transmitido aos alunos era a pedra de toque. Estes professores, ao contrário dos mais novos, assistiram a um terramoto na vida deles. De repente passaram de uma gestão democrática para uma gestão hierárquica e deixaram de trabalhar com alunos num ensino unificado, denso, em que se queria a transformação do aluno do ponto de vista da aquisição de conhecimentos para produzir o chamado capital humano. Ou seja, força de trabalho para o mercado. Neste terramoto os dois factores estão ligados.
 
É impossível convencer um professor a olhar para aquele aluno e a dizer “eu vou produzir uma força de trabalho para entrar rapidamente para o mercado, devidamente adaptado ao mercado de trabalho”,. Nós todos temos de trabalhar, seja em que sociedade for. O trabalho é necessário. O trabalho é produção. Portanto é normal que nós, quando produzimos alunos, quando educamos, também estejamos a pensar na produção da sociedade. A questão é que a escola está a produzir para o mercado capitalista e, neste caso, especificamente português. Daí a imensa pressão pela flexibilização e pela municipalização, porque as empresas querem que sistematicamente o ministério adapte a educação ao mercado de trabalho.
 
O mercado de trabalho é a coisa mais volátil e flexível que pode haver. Para terem uma ideia, a média da taxa de retorno dos investimentos em Inglaterra é de 18 meses. Um empresário quando investe numa determinada empresa quer retorno ao final de 18 meses. E ao final de 18 meses pode abandonar essa empresa e ir para outra. Isto significa que há uma grande pressão sobre as necessidades de formação das forças de trabalho, o que passa naturalmente pelo ministério da Educação, pelos cursos de formação profissional, pelos testes psicotécnicos… Há duas necessidades altamente perniciosas que têm a ver com as necessidades do mercado de trabalho, mas também do desemprego. Eu sei que isto parece ser tremendamente assustador.
 
As políticas governamentais nas economias liberais não são só destinadas a produzir para o mercado de trabalho, também são para o desemprego, porque o desemprego é o regulador do salário. Quando se sobem os salários num determinado sector, há uma pressão para entrarem mais alunos nesse sector para fazer cair o salário. É o caso clássico dos médicos em Portugal. Qual é a luta eterna entre o ministério e a ordem? A ordem não quer que entrem mais médicos porque essa é a forma de manter protegido o salário e o ministério quer que entrem mais médicos porque cai o salário. Significa que os professores estão permanente emente assediados com as transformações do mercado flexível. Em Portugal, ainda por cima, isto é pior porque na divisão internacional do trabalho, Portugal prima por baixas qualificações. Portanto porque é que as empresas estão sempre a dizer às escolas que precisam barmans, gente para mudar camas nos hotéis, operários de tarefas simplificadas. Do outro lado estão os professores a dizer que estão aí para ensina história, ensinar matemática, quero ter tempo de ensinar física, de que resulta uma série de dinâmicas que resultam da multiplicação de testes e exames e com a expropriação da autonomia dos professores no sentido de cada vez mais deixarem de definir as matérias que vão dar dentro da sala de aula e como vão dá-las, para cada vez mais isso vir de fora: o programa, restrições curriculares… os professores entram nas escolas como se entrassem numa fábrica que produz em série e peças todas iguais, segundo um modelo standard. Este ´e o significado da proletarização que está a ocorrer, também sobre a classe docente. Obviamente que vem acompanhada de um desinteresse e de uma desmoralização generalizados. Pois se eu penso em como dar uma aula e me vejo confrontada com dar pela vigésima vez a mesma coisa, com tudo idêntico e altamente padronizado!… As formas de organização do trabalho que impuseram aos professores, burocratizando-os, fazendo trabalho administrativo.
 
O salário está altamente relacionado com os , com mais aliunos por turmanham para o que fazeemou a recuperaçtamente portugu20% dos professoresoi uyma escrita colectiva queíndices de adoecimento no trabalho e no vosso inquérito isso fica muito explícito. A queda salarial é muito mais pronunciada do que questões avançadas como a contagem do tempo de serviço ou a recuperação da carreira, porque se calcularem aquilo que é o salário relativo, o vosso salário caíu drasticamente, ou seja, aquilo que os professores ganham para o que fazem (hoje têm o dobro, o triplo ou o quádruplo das tarefas), com mais alunos por turma, é a quantidade de trabalho que vocês fazem. Há uma queda real do salário e há também uma queda no salário relativo (quanto é que eu recebo face àquilo que eu produzo). Isso levou a que a escola deixasse de ser um espaço de onde os professores possam sair e inovar pedagogicamente. Hoje em dia não se consegue discutir pedagogia… aliás, a pedagogia resume-se a “vou rezar a deus para ter os meus alunos muito disciplinados e bem educados”, o que é virtualmente impossível, pois eles estão em criação, em formação, estão a ser educados, ou então vou pô-los na rua. A pedagogia está encapsulada porque os professores não tem tempo nem formas de discutir pedagogia quando a própria forma de organização do trabalho está direcionada para esta produção das peças todas iguais.
 
Nós tivemos a participação do Duarte Rolo e do Roberto della Santa que foi absolutamente fundamental. Não só pela crítica ao burnout psicométrico tout court, como adicionar as questões de vida, como a crítica à razão instrumental que hoje domina todas as ciências sociais.
 
A Educação é um saber fazer é um aprendendo fazendo. O sistema fabril da escola impede esta pedagogia. Isto significa que a vossa sensação de falhanço é enorme. Eu sou muito crítica do PISA da OCDE. A OCDE é uma organização dos estados ricos, altamente influenciada por políticas empresariais, o PISA não é o modelo idóneo de avaliação do sucesso escolar. Tem de haver uma crítica porque a determinada altura nós usamos sempre a metodologia da OCDE para medir o sucesso escolar. Ora, a metodologia da OCDE é a da aquisição de tarefas e competências para o mercado de trabalho. Não mede o ensino concentrado, abstracto a razão crítica… Esta ausência de praxis leva-nos a ser acríticos perante o resultado da existência de 50% de chumbos a português e matemática. Porque a análise imediata é a de que os chumbos existem porque os professores são maus. É possível martelar números noutras áreas e nestas disciplinas que lidam com um alto conteúdo abstracto e analítico não há como martelar números. Isto significa (eu sei que os professores utilizam estes dados para falar de sucesso escolar) que se Portugal continuar a tratar os seus professores como trata hoje, daqui a 20 anos vamos ter um ensino devastado. Os resultados que temos hoje no ensino no nosso país só é possível devido ao tipo de ensino que tivemos a seguir ao 25 de Abril. Até porque é impossível metodologicamente, dizer que os resultados de hoje têm a ver com políticas de há três anos atrás.
 
Isso não existe, da mesma maneira que os governos usarem a esperança média de vida para dizer que o serviço nacional de saúde está muito bom, quando nós só vamos saber se o serviço nacional de saúde está muito bom hoje, através da esperança média de vida, daqui a 40 anos.
 
Hoje, o ensino de que nos podemos orgulhar é o resultado das políticas, da gestão democrática e do ensino unificado e universal. Não é o ensino da flexibilização de há três anos atrás. Isso e uma pirueta estatística que está sempre a associar a políticas imediatas que não corresponde à verdade.
 
A sensação de falhanço dos professores é real. Assim como esse sentimento de que não se está a educar e a ensinar bem os alunos é verdadeiro. Os pais também acham que os filhos não estão a aprender e têm razão. Só que depois atiram a responsabilizar aquele professor individualmente considerado como o responsável do falhanço, porque não têm a capacidade de fazer a distinção entre os responsáveis e aquele que está ali à sua frente. Os governos chegaram ao cúmulo de arranjar maneira de os pais estarem representados no conselho de turma em nada contribuindo para resolver os problemas daquele ou daqueles professores. Imaginem o que era eu ter direito de dizer aos médicos com é que devem fazer-me uma cirurgia, do tipo “ai não, não! Eu quero dizer como se faz. Eu quero ter direito de voto.”. isto não tem nada a ver com a democracia. Isto é um método de vigilância dos professores.
 
Temos alterações significativas nas escolas cujos resultados virão aí. Já se nota ao nível do raciocínio abstracto e analítico. Coisa de que os governos se servem para ainda desvalorizar mais, agravar mais, reduzir mais as condições de trabalho dos professores e até os salários. Quando isto não se resolve assim, mas sim pela via contrária.
 
Um falhanço que vai sendo transferido de nível de ensino para nível de ensino porque a tendência para a simplificação dificulta a capacidade de compreensão, de leitura, de análise e de assimilação. Para não se falar da capacidade de estar várias horas a estudar uma determinada matéria e que a compensação virá passadas essas horas.
 
Talvez nós estejamos perante, se não o maior, um dos maiores estudos feitos a uma profissão com esta extensão que já foi alguma vez realizado. Estamos a falar de quase 160 questões sobre os mais múltiplos aspectos da vida e do trabalho, numa colectânea de perto de 2 milhões de dados. É por isso que nós somos muito cautelosos, acreditando que o resultado que hoje apresentamos é o resultado final, mas apenas de uma parte dos dados que foram tratados. Há muito ainda por tratar, quer do ponto de vista quantitativo, quer do ponto de vista analítico.»

CADA PESSOA QUE INSULTAVA UM GILET JAUNE INSULTAVA O MEU PAI

Não corroboro tudo o que aqui está mas achei muito interessante como testemunho, é a tradução do texto do escritor francês Edouard Louis sobre os coletes amarelos publicado na revista Les Inrockuptibles:
 
CADA PESSOA QUE INSULTAVA UM GILET JAUNE INSULTAVA O MEU PAI
 
Há já alguns dias que tento escrever um texto sobre e para os gilets jaunes, mas não consigo. Porque, de certo modo, me sinto pessoalmente visado, algo na extrema violência e no desprezo de classe que se abatem sobre esse movimento me paralisa.
Tenho dificuldade em descrever a sensação de choque quando vi aparecerem as primeiras imagens dos gilets jaunes. Nas fotografias que acompanhavam os artigos via corpos que raramente aparecem no espaço público e mediático, corpos em sofrimento, arruinados pelo trabalho, pelo cansaço, pela fome, pela humilhação permanente dos dominadores em relação aos dominados, pela exclusão social e geográfica, via corpos cansados, mãos cansadas, costas alquebradas, olhares exaustos.
A razão porque ficava tão perturbado estava evidentemente na minha aversão à violência do mundo social e das desigualdades, mas também, e talvez antes de mais, porque aqueles corpos que eu via nas fotografias eram semelhantes aos corpos do meu pai, do meu irmão, da minha tia… Assemelhavam-se aos corpos da minha família, dos habitantes da vila onde vivi durante a infância, gente com a saúde corroída pela miséria e pela pobreza e que repetiam sempre, todos os dias da minha infância, “não contamos para ninguém, ninguém fala de nós” – daí que me sentisse pessoalmente visado pelo desprezo e violência da burguesia que logo se abateram sobre o movimento. Porque para mim, em mim, cada pessoa que insultava um gilet jaune insultava o meu pai.
De imediato, desde o nascimento do movimento, vimos nos media “especialistas” e “políticos” a diminuir, condenar, troçar dos gilets jaunes e da revolta que estes encarnam. Via desfilar nas redes sociais as palavras “bárbaros”, “brutamontes”, “labregos”, “irresponsáveis”. Os media falavam do grunhir dos gilets jaunes: as classes populares não se revoltam, não, elas grunhem como as bestas. Ouvia falar da “violência do movimento” quando um carro era incendiado ou uma montra partida, uma estátua danificada. Fenómeno habitual da percepção diferenciada da violência: grande parte do mundo político e mediático queria fazer-nos acreditar que a violência não são milhares de vidas destruídas e reduzidas à miséria pela política, mas algumas viaturas incendiadas. É realmente preciso nunca ter conhecido a miséria para poder pensar que uma tag num monumento histórico é mais grave do que a impossibilidade de sonhar, de viver, de se alimentar ou de alimentar a família.
Os gilets jaunes falam de fome, de precariedade, de vida e de morte. Os “políticos” e uma parte dos jornalistas respondem: “símbolos da nossa República foram aviltados”. Mas de que fala esta gente? Como ousam? De onde vêm? Os media falam também de racismo e de homofobia nos gilets jaunes. Estão a troçar de quem? Não quero falar dos meus livros, mas é interessante assinalar que, sempre que publiquei um romance, fui acusado de estigmatizar a França pobre e rural precisamente porque referia a homofobia e o racismo presentes na vila da minha infância. Jornalistas que nunca haviam feito nada pelas classes populares indignavam-se e punham-se de repente a representar o papel de defensores das classes populares.
Para os dominadores, as classes populares representam a classe-objecto por excelência, para retomar a expressão de Pierre Bourdieu; objecto manipulável do discurso: um dia os bons pobres autênticos, racistas e homofóbicos no dia seguinte. Nos dois casos, a vontade subjacente é a mesma: impedir a emergência da palavra das classes populares, sobre as classes populares. Se temos que nos contradizer de um dia para o outro, que se lixe, desde que eles se calem.
Claro que há expressões e gestos homofóbicos e racistas no seio dos gilets jaunes, mas desde quando esses media e esses “políticos” se preocupam com o racismo e a homofobia? Desde quando? O que é que eles fizeram contra o racismo? Será que utilizam o poder de que dispõem para falar de Adama Traoré ou do Comité Adama? Será que falam da violência policial que se abate todos os dias sobre os negros e os árabes em França? Não deram uma tribuna a Frigide Barjot a ao Monsenhor-não-sei-quantos na altura do casamento para todos, e, ao fazê-lo, não tornaram a homofobia possível e normal nos programas de televisão? Quando as classes dominantes e certos media falam de homofobia e de racismo no movimento dos gilets jaunes, não falam nem de homofobia nem de racismo. Dizem: “Pobres, calados!” Por outro lado, o movimento dos gilets jaunes é ainda um movimento em construção, a sua linguagem não está fixada: se existe homofobia e racismo entre os gilets jaunes, é da nossa responsabilidade transformar essa linguagem.
Há diferentes maneiras de dizer: “Sofro”: um movimento social é precisamente esse momento em que se abre a possibilidade de que aqueles que sofrem deixem de dizer: “Sofro por causa da emigração e da minha vizinha que recebe ajudas do Estado” e passem a dizer: “Sofro por causa daquelas e daquelas que governam. Sofro por causa do sistema de classe, por causa de Emmanuel Macron e Edouard Philippe”. O movimento social é um movimento de subversão da linguagem, um momento em que as velhas linguagens podem vacilar. É o que se passa actualmente: assiste-se desde há alguns dias a uma reformulação do vocabulário dos gilets jaunes. No início, ouvia-se apenas falar de gasolina e por vezes de palavras desagradáveis como “os assistidos”. Ouvem-se agora as palavras desigualdade, aumento de salários, injustiça.
Este movimento deve continuar porque ele encarna algo de justo, de urgente, de profundamente radical, porque os rostos e as vozes que estão habitualmente sujeitos à invisibilidade são finalmente visíveis e audíveis. O combate não será fácil: os gilets jaunes representam uma espécie de teste de Rorschach para uma grande parte da burguesia: eles obrigam-na a exprimir o seu desprezo e violência de classe, expresso habitualmente apenas de forma dissimulada, desprezo que destruiu tantas vidas à minha volta, que continua a destruir e cada vez mais, um desprezo que reduz ao silêncio e que me paralisa ao ponto de não conseguir escrever o texto que queria escrever, de exprimir o que queria exprimir.
Mas temos de ganhar: somos muitos, e muitos a dizer que não podemos sofrer mais uma derrota para a esquerda, logo, para aquelas e aqueles que sofrem.

Curso História das Greves no Século XX

Caros amigos segue uma lista de alguns dos temas que vamos abordar no curso de História das Greves: greves sit-down strikes nos EUA na crise de 29; greves e precariedade laboral – o caso dos sapateiros na República e das bordadeiras no 25 de Abril (como se organizaram greves no passado com trabalho ao domicilio); Greves e fundo de greves, o caso dos operários navais nas Astúrias; a greve dos mineiros na Inglaterra nas décadas de 70 e 80 do século XX; greves em tempos de globalização e modelo just in time de produção – sindicatos, do nacionalismo ao internacionalismo; greves de solidariedade – o caso da imprensa. As inscrições são até dia 15 de Dezembro. O curso dura 2 dias.

Raquel Varela, Historiadora, Professora Universitária
Dias 7 e 8 de Janeiro de 2019
18:00-20:00
Lisboa-Rua do Alecrim, nº 25
Inscrição 20 euros
Inscrição até 15 de Dezembro – número limite de inscrições 40
Organização A Casa
O Valor deste curso reverte integralmente para o auxilio aos estivadores em greve de Setúbal.
Deposite na conta e envie por favor o comprovativo com o nome de inscrição para Lídia Oliveira
IBAN: PT50 0007 0000 0043 3813 780 23
SWIFT: BESCPTPL

casasindical2016@gmail.com