As mutações da política

Em pleno desastre do Brexit é anunciada uma nova mutação do vírus e os voos para o Reino Unido são cancelados. Logo atrás, em letras pequenas, a DGS e as autoridades de saúde a tentarem dizer que mutações são normais, previsíveis, até podem significar menos letalidade do vírus, ainda estão a avaliar, calma, dêem-lhes tempo. Não interessa. Estamos no tempo sem tempo, escreve Manuel Alegre. Acordei esta manhã a ler de um fôlego o Quando , seu novo livro, uma ode à liberdade e a um novo mundo, por chegar. Um poema cheio de vida. Uma crítica mordaz ao velho mundo, aos cliques e à superficialidade, em defesa da comunicação. Contra o twitter um poema. O que ganha o jornalismo com isto, com esta vontade de correr atrás da geopolítica que agora, sem pudor, usa o terror da morte como moeda de troca para o no-deal do Brexit? Confiança? Respeito? Boris Johnson está dispostos a tudo, a UE reagiu com tudo. Milhares de pessoas fogem de Londres, como loucos, fogem das mutações da política. Quando virá um mundo novo?

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4 thoughts on “As mutações da política

  1. Especialmente é o clima do medo, que desorganiza toda a sociedade. Não se pode querer uma vacina em 11 meses, quando ela leva cinco a dez anos a ser eficaz.
    Com isto, a vacina sazonal fica indisponível, como se sabe, morre mais gente por gripe sazonal do que de covid19.

  2. O mundo novo? Ele já aí está à nossa volta, um pouco por todo o lado. É o novo capitalismo das plataformas que pervadem todos os aspectos da produção, distribuição e consumo, subvertendo normas e leis de protecção laboral, impondo a precaridade absoluta, a escravização permanente. É o mundo novo da desenfreada robotização, desde as viaturas autónomas aos aspiradores autónomos, às fábricas sem trabalhadores, às lojas sem funcionários, ao desaparecimento do dinheiro vivo, aos exércitos de entregadores uberizados, imunes a todos os regulamentos e que ainda têm de pagar do seu bolso as motas, as caixas, os GPS, os carros, os seguros e todos os instrumentos de trabalho. É o mundo novo do 5G e 6G que para potenciar a conectividade, mergulha o ambiente nas radiações mais destrutivas a que ninguém pode escapar e cujas aplicações militares tornam os próximos confrontos uma espécie de jogos virtuais muito realistas. É o mundo novo da sobrevigilância, da acumulação e manipulação de dados pessoais em quantidades astronómicas geridos não já por pessoas, mas por algoritmos sempre mais sofisticados. É o mundo novo da patentização das sementes naturais cujos últimos bancos têm vindo a ser adquiridos uns atrás dos outros pelas grandes fundações internacionais como a BMG. É o mundo novo dos organismos OGM e dos pesticidas, das abelhas clonadas para lhes resistirem, dos alimentos ultraprocessados e dos grandes gigantes agroquímicos, impondo aos governos as suas próprias leis. É o mundo novo da acelerada destruição do ambiente e da biodiversidade, dos padrões climáticos e da subida do nível dos mares, das ilhas de plástico no meio dos oceanos, dos fogos e cheias e secas cada uma mais devastadora que as precedentes. “Isto é civilização!” Assim falou um senhor.
    Não esbanjámos….. Não pagamos!!!!!!!

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