Louçã, Conselheiro de que Direito para o Estado?

Amigos, calma, bebam um vinho branco avec moi.
 
Achar que há qualquer relação entre a violação e a falta de autonomia no corpo por se ser obrigado a beijar os avós não é profundo, é ridículo. O povo não é burro porque não conhece a microfísica do poder de Foucault. Foucault é que não percebia nada de psicanálise, psicologia ou pedagogia, percebia doutros temas como a relação com o Estado etc. E quem o cita fazendo tais afirmações arrisca-se a ser exposto ao ridículo.
 
Ridícula não é a opção sexual de cada um, as suas roupas etc – isso pertence ao foro da vida privada e da liberdade, é inatacável. E fica mal, perdão, mas fica mal, usar-se a vida privada para atacar-se uma ideia.
 
Na verdade é o mesmo caminho que Louçã e Isabel Moreira fizeram, desesperados, tentando dizer que um obscuro tipo de extrema direita tinha concordado comigo, é enfim não usar a meios para chegar a fins. Porque não usaram pessoas, dirigentes de esquerda com relevância institucional, sindical, e outros de vários partidos que vieram a público, na razão de milhares, concordar comigo? Porque tal como no Metoo vale tudo. Desde que em nome de um fim superior. Ora na verdade podiam todos ter concordado ou discordado comigo que isso não sustenta a validade ou invalidade das minhas ideias. Até agora argumentos… zero.
 
Continuamos sem saber o fundamental. Se o PS, o BE e o PCP acham este orçamento digno de apoio. Esse é o tema da semana. E, claro se Louçã e Isabel Moreira defendem o Estado de Direito, já que ele é Conselheiro de Estado e ela deputada, uma vez que defender denúncias públicas selvagens põe fim à presunção de inocência. É portanto defender a suspensão das liberdade individuais porque não há meio termo, ah e tal sou a favor das denúncias e da presunção de inocência, nem sim, nem não, antes pelo contrário. Algo que o Foucaultiano, supostamente preocupado com o abuso de poder dos pais e avós, não teve medo de defender ostensivamente. Esse, pouco hábil na política, escorregou e isso sim foi o que de mais de escandaloso se disse naquela noite. O professor universitário de comunicação avisou que quer julgamentos selvagens nas redes sociais porque o Estado não actua. E diz ele que é um libertário. Como vêem o cabelo ousado nada pode dizer sobre o pequeno ditador que vive no coração daquela personagem, as pessoas valem pelas suas boas, más ou péssimas ideias, isso chega para medirmos o seu valor.
 
Sobre as redes sociais façam algumas vezes como a minha mãe, vinda de uma missão internacional num pais periférico, a caminho de outro, ligou-me e disse-me, hoje, hoje mesmo, «o que se passa com o Ronaldo? vi tantos jornais em Londres com a cara dele!». – Mãe, deixa lá isso, 😉 Bebe mas é um vinho branco.

3 thoughts on “Louçã, Conselheiro de que Direito para o Estado?

  1. Raquel, obrigada pelo post. E obrigada por tudo o que tem dito em defesa da presunção de inocência. Confesso que estou assustada com o teor do que se tem dito por aí sobre o tema… não augura nada de bom!

  2. Vi a Isabel Moreira numa enorme deselegância exibir uma profunda admiração. O incomodo era consigo, não com o que disse ou com o que defende, era consigo, com o facto da sua vontade de aprender não ser menor que a vontade de ensinar.

  3. É inqualificável a incursão à vida privada de alguém para fundamentar uma qualquer posição, é a completa indigência intelectual e quem não percebe isto não percebe a mais elementar noção, a da individualidade, a do outro na verdade não reconhece a expressão a si próprio. A força destes fracos é como sempre colectiva, também por isso assustadora, são o vislumbre da sociedade medieval dos nossos dias.

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