Quando algumas mulheres se tornam um perigo para a defesa das mulheres.

Na sequência do meu post de ontem vieram os “activistas” da bolha liberal de esquerda e ONGs explicar que achar que a senhora que recebeu 325 mil euros para ficar calada é infame e desprezível, era estar a apoiar o «estás a pedi-las».
Estes saltos de lógica aristotélica são bons para a política panfletária, mas não explicam nada da sociedade. A vida teima em ser complexa.
Vou desenhar:
1) Ela é uma prostituta de luxo. Trabalha no ramo. Não existe a profissão de «atrair clientes» no manual do HISCO – sistema internacional de classificação de ofícios e ocupações. É a minha área, conheço o tema. Pode ser prostituta à vontade, eu sou contra a prostituição, uns são a favor, mas é prostituta.. Se estivesse à porta do Jamaica a ganhar 20 euros ninguém questionava que o era, como está num casino em Las Vegas passa a «atraidora de clientes».
2) Por ser prostituta pode ser violada? Não, nunca. Não pode ser “mais ou menos” violada. A violação é um dos priores crimes que existe. Não tem «mas». Todas as mulheres em qualquer circunstância tem que estar protegidas do crime.
3) Não existe «sedução mútua» que justifique qualquer acto de violência. Uma mulher, prostituta ou não, pode estar no meio de um acto sexual consentido e pedir mesmo no meio para parar que deve parar-se logo. Idem ao contrário – sexo só existe entre adultos em liberdade. Por isso uma mulher pode dançar a noite toda nua agarrada a um homem e desmaiar inconsciente que ele não a pode violar – senhores juízes. Se há um «mas» é para agravar a pena, se está inconsciente a pena, quanto muito, deveria ser mais grave ainda. Isto para o caso do Porto.
4) Caso Ronaldo. Houve violação ou não? São os tribunais que decidem recorrendo a trâmites processuais de garantias de ambos. Eu não acredito nela ou nele porque julgar não é matéria de crença, eu pessoalmente não acredito em nenhum porque não faço a mais pequena ideia de tudo o que se passou. Julgar não é matéria para um circo romano de activistas, exige investigação, provas, advogados.
5) Os EUA têm desde o Metoo sido nesta matéria um exemplo de decadência mundial, recentemente um juiz apoiante de Trump foi acusado mas não houve investigação, apenas, em directo para a TV uma performance – ganha o melhor actor, aquele que é mais convivente diante das Câmaras.
6) Foram violadas 4 mulheres em Lisboa o mês passado – à noite em zonas suburbanas a ir para casa, do trabalho ou festas. O caso teve honras de capa no Correio da Manhã apenas. Quando é evidente que este é um crime gravíssimo cujas penas devem ser muito longas e exemplares para demover quaisquer actos semelhantes. Um dos predadores está detido, era este o caso que devia abrir telejornais, a imediata prisão eficaz de um predador sexual e não um caso como este de Casino – em todos os sentidos, até no lugar onde aconteceu.
7) Misturar o caso do CR7 e da garota de programa com estes casos é contribuir para que de hoje para manhã nunca mais ninguém acredite nas mulheres violadas e vitimas de predadores sexuais. Gera-se um alarme social em que o exemplo de mulher vitima é uma arrivista social que quer dinheiro. Perdem todas as mulheres do mundo.
8) O mundo não se divide em homens maus e mulheres boas. Há mulheres manipuladoras, dispostas a destruir a vida dos homens com quem vivem ou estão, e há homens fantásticos. Há mulheres maravilhosas e homens horríveis. Os homens da minha vida, família, amigos teriam parado o carro na estação da Amadora e dado uma carga de porrada no violador.
9) A violação não é um assunto terrível só para as mulheres. A maioria do homens no mundo condena estes crimes.
10) Estamos a construir uma sociedade que supostamente vive numa guerra dos sexos, e sem direitos processuais. No caminho vai levar a protecção das mulheres para o campo do relativismo total, sucedem-se casos nebulosos que porão em causa a credibilidade social de todos os outros. A culpa ficará na conta de quem apoiou esta filosofia em que se justifica não olhar a meios para fins superiores; ou ficar calado quando uma acção errada parte da vítima e porque é vitima apoia-se o erro. Quem defende isto é hoje um risco claro para as mulheres. O que estou a dizer é que este feminismo atingiu um nível que os coloca a nós mulheres em risco porque banaliza actos de uma enorme gravidade.
11) O Metoo é um movimento reaccionário protagonizado por mulheres sem carácter que andaram durante 30 anos a tirar fotografias na passadeira vermelha com os homens que agora dizem que as violaram. Também há as que não sendo violadas admitiram agora – mas não explicaram porque não falaram mesmo não tendo sido violadas – que sabiam de tudo durante 30 anos. Ler sobre isto a posição de Camille Paglia, é a minha. Estas mulheres não me representam.
12) Sedução mutua é uma coisa maravilhosa, os casais seduzem-se, eles e elas, a sedução mutua, sem a qual não podemos viver, mesmo entre desconhecidos, não autoriza relações não consentidas. Elas podem seduzir, eles também podem seduzir. E todos sabemos quando um não é um não real.
13) Se isto continuar assim daqui a uns tempos vamos todos ter medo de todos, a desconfiança impera e vamos todos precisar de ter ao nosso lado um advogado e um polícia. Quem não distingue entre sedução, piropo, brincadeira, jogo e violação não tem qualquer capacidade de propor políticas para o conjunto da sociedade e se arvorar em defensor das mulheres vítimas. Seduzir, conquistar, às vezes errar, não acertar é normal – violar e abusar é crime e é excepcional. Se a nossa secretaria de Estado para a igualdade não o compreende não pode representar-nos.
14) As penas por violação têm que subir, sem atenuantes. E a educação geral para o sexo tem que começar já, em vez de se resumir às doenças e saúde reprodutiva.
15) As sistemáticas políticas de defesa da marginalidade e do princípio individualista de que a acção individual é livre e tudo justifica por isso, por parte da esquerda, têm levado a extrema-direita a ganhar cada vez mais força com politicas autoritárias e regressivas. Que a mão não nos trema nestes casos. Por mais pressionados que estejamos, qualquer pessoa simples com uma vida comum que não esteja enfiada na «bolha activista» olha para este caso e vê o que ele é: um negócio vil às custas de um problema social real gravíssimo, a desigualdade de género.
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2 thoughts on “Quando algumas mulheres se tornam um perigo para a defesa das mulheres.

  1. Estou completamente de acordo com a Raquel Varela.
    Penso exactamente o mesmo.
    A “angariadora” de clientes aceitou ir para o quarto de um hotel com um homem rico. Estaria a pensar que iria tomar chá com bolinhos?
    Aceitou dinheiro, pelo que fez e pelo que não fez (sair dali aos berros a gritar a violação, para que pudesse ser comprovada).
    E isto tem um nome.

  2. Estou completamente de acordo com a Raquel Varela.
    Penso exactamente o mesmo.
    E mais.
    A “angariadora” de clientes aceitou ir para o quarto de um hotel com um homem rico. Estaria a pensar que iria tomar chá com bolinhos?
    Aceitou dinheiro, pelo que fez, e também pelo que não fez (sair dali aos berros, a gritar a violação, para que pudesse ser comprovada).
    E isto tem um nome.

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