Informação e Espectáculo

Lembram-se do jovem terrorista apanhado pelo FBI que deu indicações e que foi condenado em directo interminável por todas as TVs em Portugal? Está em tratamento psiquiátrico. Conhecemos a sua foto, casa, família. Foi assim que foi tratado um doente mental. Há 20 anos ensinava-se as crianças que não se maltratam doentes, velhos e animais. Hoje pode-se espezinhar um doente mental porque os “directos assim o exigem”. Quando tudo na sociedade ganha a forma mercadoria – vendável – não há sociedade. Nem humanidade possível.

Se há ameaça de segurança de outrem/pessoas por um doente mental deve ser naturalmente seguido e tratado – o que algumas pessoas não percebem é que a Polícia tem que agir nestes casos, mas não se devem publicitar porque a publicitação é uma ameaça aos direitos humanos, daquele jovem. É um atentado à democracia condenar um doente mental em praça pública – isso não significa que não seja detido e internado, significa que não gozamos com ele, não aplaudimos pelourinhos, o que se fez foi maltratar um doente mental em horas de directo para 10 milhões de pessoas. Devia ter sido detido, nunca cuspido em praça pública, que foi o que aconteceu. Isso não tem nada a ver com a nossa segurança ou informação, é assédio de um doente mental para ver notícias-mercadoria. E a questão central é que uma notícia só o pode ser se for independente do Estado e do Mercado. As duas forças mais poderosas da sociedade. Só contra estas duas forças se pode afirmar e existir jornalismo.

5 thoughts on “Informação e Espectáculo

  1. A PJ foi incendiária, e as tv’s o combustível.
    Eu confesso que só me apercebi da situação aquando no Último Apaga a Luz, falaram do caso. Fui ver o que se passou. Fiquei perplexo.

    Cumprimentos

  2. “mas não se devem publicitar porque a publicitação é uma ameaça aos direitos humanos, daquele jovem”

    Errado, Raquel: ao que nos dizem comentadores, jornalistas, influencers e até políticos, isso é a prática da absolutamente inatacável “liberdade de expressão”! NADA que ponha limites, legais ou éticos, a essa bendita, absoluta, totalitária “liberdade de expressão” deve ser consentido!

    E é inatacável não apenas porque vende: é inatacável porque suavemente empurra os espectadores (pois, tudo agora é espectáculo…) para a boçalidade, a baixeza, a estupidificação; a criação na sociedade de antagonismos entre vítimas da mesma exploração. É uma arma ideológica para dominar e assim manipular a população.

    • Viva, sou contra que se proíba mas sou a favor que deixemos claro o que pensamos de editores que publicam e devassam a vida de doentes mentais.

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