Un peuple en révolution

Queridos amigos, estarei em Paris para o lançamento da tradução da História do Povo na Revolução, pela ediota Agone, será na livraria La Bréche. Com o sociólogo Ugo Palheta, director da revista Contretemps a apresentar o livro.

Rencontre avec Raquel Varela, autour d’Un peuple en révolution. Portugal, 1974–1975
27 mai @ 18 h 30 min – 20 h 30 min
En présence de l’autrice Raquel Varela et animée par Ugo Palheta, directeur de la rédaction de Contretemps.

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Un Peuple en Révolution, em Paris 25 e 27 de Maio

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Dias 25 e 27 de Maio estarei em Paris para a apresentação da tradução do meu livro História do Povo na Revolução Portuguesa (Bertrand), que em França, por correcta opção do meu editor da Agone teve a tradução de Um Povo na Revolução (isto porque o livro não é a história de todo o povo português mas dos que fizeram e estiveram na revolução, que foram cerca de 3 milhões). Na sede da L’Union syndicale Solidaires dia 25 de maio e na Livraria La Bréche dia 27 de maio, aqui com apresentação do cientista político Ugo Palheta. São bem vindos, ambas as sessões são abertas ao público.

Un peuple en révolution. Portugal 1974-1975

*** Extrait de “Un peuple en révolution. Portugal 1974-1975” de l’historienne Raquel Varela (Éditions Agone, 2018) ***

“Sans le réveil de l’Afrique, le peuple de Lisbonne n’aurait jamais pu célébrer le 25 Avril, jour où il s’est libéré de quarante-huit ans de dictature.”

Aux origines de la Révolution portugaise. Un extrait du livre de Raquel Varela

Entrevista Rádio Alfa em França

Entrevista Rádio Alfa em França

“Escrevi a História do Povo na Revolução Portuguesa, agora editada em França, em oposição à tese de Boaventura Sousa Santos sobre o Estado e a sua relação com os movimentos sociais. Cada um de nós, ambos cientistas sociais e no espectro de esquerda, temos uma tese antagónica sobre Estado e direitos.

Sousa Santos, talvez o teórico com mais influência, embora de presença pública discreta em Portugal, no Bloco de Esquerda, renovadores e mesmo esquerda do PS, defendeu para a revolução dos cravos a tese do Estado Dual. Segundo ele – em 1974 e 1975 – o poder do Estado esteve em disputa entre os trabalhadores e as elites. E os trabalhadores conseguiram, sem tomar o poder do Estado, dividi-lo, e alcançar mais direitos.

No meu livro História do Povo demonstrei que tal tese é falsa. Porque o que os trabalhadores conseguiram em termos de direitos não foi por dentro do Estado, mas contra o Estado: através das comissões de trabalhadores, moradores, órgãos de gestão de escolas e hospitais, etc. Não houve um Estado Dual mas uma Dualidade de Poderes.

A diferença essencial neste tese é teórica, mas não só. Eu, para defender a minha tese fiz uma investigação empírica de mais de 10 anos em centenas de casos concretos, dados, a mais longa cronologia de movimentos sociais publicada sobre 1974-1975, a única base de dados de evolução de greves e manifestações, tudo em mais de 8 arquivos nacionais e internacionais. Onde provei que a conquistas de direitos é, em cada escola, fábrica e hospital, imposta ao Estado, contra o Estado. E isto tem uma cronologia, factos, e uma metodologia que não é aleatória.

Boaventura, da área da sociologia pós moderna, não fez investigação empírica, e criou uma teoria – sofisticada, porque ele é um intelectual- sem factos ou investigação de arquivos ou casos concretos.

Para mim existe a comissão de trabalhadores que entrou dentro do autocarro em Carnaxide, liderada por uma operária têxtil, e impôs que o autocarro agora ia até ao bairro de barracas, com a conivência grevista dos motoristas. Para Boaventura só existe o final dessa história – a existência de uma nova carreira de autocarros, que passou a servir as populações pobres.

Tal tese reverbera hoje no BE, por exemplo, onde a conquista de direitos estaria dependente da força parlamentar do número de deputados e não da força social das ruas. Menos ainda dos locais de trabalho, onde o BE tem escassa representatividade. O apelo ao fim de greves ou protestos ou à «moderação» assume que o povo actua de forma caótica, e perigosa; e que os deputados regem o poder de forma racional e correcta. Não por acaso Boaventura é o filósofo da razão instrumental, contra a razão cítrica.

Podem ouvir a entrevista completa aqui.

Un peuple en révolution

Meses antes de de Howard Zinn morrer escrevi-lhe sobre o meu projecto da História do Povo na Revolução Portuguesa. O maior historiador da América, infelizmente não editado em Portugal, coisa que ainda não entendo, que tinha começado a vida como estivador, filhos de judeus pobres emigrados, escreveu-me de volta com um enorme entusiasmo e devo dizer mesmo carinho – sem me conhecer. Este mês o meu livro é publicado em França na mesma editora francesa que o publica. O significado disso para mim é imenso porque ele é e será sempre o mestre da historiografia social que não se limita a fazer a história dos debaixo, das vítimas, do trabalho, com suas misérias e grandezas, é muito mais do que isso, as Peoples History, de que ele foi o percursor em todo o mundo, é a história de um tipo particular de subalternos. E que por isso não se podem chamar subalternos – é a história dos que resistiram.

Para os amigos franceses o livro já se encontra à venda em França, e em Janeiro devo fazer algumas apresentações no país de Blanqui e Jaurès, no país que em 1945 tinha meio milhão de militantes armados na resistência ao nazismo.

Pas de nouvelles parutions de livres ce mois-ci – il faudra attendre novembre pour lire Un peuple en révolution, l’ouvrage de Raquel Varela sur la révolution portugaise.