Morrer no Trabalho e por causa do trabalho?

Morrer no Trabalho por causa do trabalho?

Desafio o Governo a responder a uma pergunta: há ou não mais mortes de docentes – desde logo enfermeiros, médicos e trabalho nos transportes, fábricas e logística onde há horário de laboração contínua- em e no trabalho depois de 2008? Estes casos são coincidências ou são karoshi (morte por excesso de trabalho reconhecida como tal no Japão)?

– Professora Marina Cláudia Costa Pereira Cabral, docente de História da Escola Secundária Campos Melo, falecida em 14 de junho de 2019 enquanto lançava na respetiva plataforma informática as notas atribuídas aos seus alunos. Esta docente estava ainda responsável pela correção de 60 provas de aferição e também realizava atividade de vigilância em salas de exame.

– Professora Rosa Maria Correia Guilherme, docente de Inglês do Agrupamento de Escolas de Manteigas, falecida na sala de aula em 13 de março de 2019;

– Professor João Paulo Seco, docente do 1.º Ciclo da Escola Básica da Quinta da Paiã, Odivelas, que integra o Agrupamento de Escolas Braamcamp Freire, falecido em 29 de abril, aparentemente, pouco depois de ter enviado ao coordenador de estabelecimento, por email, documento administrativo que elaborou;

– Professora Elizabete Cristina Rodrigues de Almeida, docente de Inglês da Escola Básica e Secundária de Fajões, sede do Agrupamento de Escolas de Fajões, no concelho de Oliveira de Azeméis, falecida no início de junho de 2019, aparentemente enquanto corrigia testes de avaliação dos alunos.

Burnout Desgaste e Condições de Vida

Mal encontre um tempinho livre quero contar-vos a maravilhosa aventura que foi fazer este trabalho numa equipa de cooperação, como foi escrever junto com posições distintas, críticas construtivas, saber recuar, aprender de novo, ouvir, ouvir muito. Foi o momento mais gregário e distinto que vivi na minha vida académica, e entre pessoas com idades, saberes, e mesmo teorias distintas. Agora partilho para já o link. São 2 milhões de dados, sobre os docentes portugueses. Deixo-vos aqui em acesso livre o nosso estudo sobre burnout, desgaste, trabalho e condições de vida dos professores em Portugal. Trata-se de um dos estudos mais amplos alguma vez realizado a nível mundial sobre as condições de trabalho de um sector. Estamos agora a analisar dados semelhantes para o Pessoal de Voo de aviação civil e também para os estivadores e logística. Ou seja, em breve Portugal terá uma radiografia da sua população trabalhadora ímpar , analisada por uma equipa transdisciplinar e internacional.

Click to access JF_INCVTE_20182.pdf

 

Burn-out docente em Portugal

Há uns anos fiz uma entrevista a um colega e ele falava sobre o processo de alienação do trabalho (ele é professor) e uma aluna minha que estava a transcrever a entrevista escreveu-me e disse “é mesmo para eu transcrever aquela parte?”. Eu respondi que sim, “claro que sim!”. É exemplar para explicar o que é o sofrimento no trabalho. Em que ele diz “o grande momento do meu dia-a-dia, na sala de aula, é quando vem o intervalo e eu vou com o meu colega fazer xi-xi e fazemos um concurso para ver quem chega mais longe”. Dizia-me ele na entrevista: “repara Raquel, é o que eu tenho em comum com os hipopótamos. Eu e os hipopótamos somos profundamente felizes quando fazemos xi-xi. Temos prazer!. Se dúvidas houvesse de como eu estou alienado do meu trabalho, é que eu entro na sala de aula e penso que o meu principal objectivo é que eles não adormeçam (é professor no Brasil e os alunos chegam muito atrasados por causa dos transportes em grandes distâncias), não que eu lhes consiga ensinar alguma coisa. Isso eu já desisti há muito. Mas o meu grande prazer é quando eu faço xi-xi.”.
 
Ora, não é normal que o grande momento do dia de trabalho seja o momento em que se deixa o trabalho. (…)
 
O meu discurso completo de apresentação do estudo do burnout em Portugal nos docentes. Este discurso é fruto da reflexão e conclusão colectivas de toda a equipa.
 
«Este estudo começa com uma citação de um médico. A primeira vez que se falou em burnout é através de um médico que entra em exaustão e ele vai tratar do seu próprio burnout a tratar de leprosos. A cuidar dos outros, em cooperação. Eu também acho que já estaria em burnout se não estivesse a trabalhar com uma equipa académica e não académica que é absolutamente maravilhosa e onde conseguimos um feito. Este trabalho foi escrito conjuntamente. Foi uma escrita colectiva que combina diversas áreas da ciência. Por isso chegamos um pouco mais além na nossa capacidade. Começámos a estudar o burnout e nem temos a certeza se este conceito existe de facto. Isto não diminui nada a qualidade científica deste trabalho nem o estado de doença dos professores, em que eles se encontram.
 
Não tivemos medo nenhum de colocar em causa dogmas científicos. E a única forma de fazer ciência é fazê-lo neste diálogo. O estudo tem uma primeira parte patenteada, reconhecida internacionalmente por várias instituições. Por exemplo, em França já se propôs que isto entre como doença registada. Esse estudo foi feito a estes docentes. Os resultados são esmagadores e amplamente conhecidos. Temos quase 80% dos professores em exaustão emocional. Temos perto de 50% que não se realizam profissionalmente e temos um dado muito curioso que é o de que só cerca de 10% dos professores entraram em despersonalização. Ou seja, não passaram, na maioria, a ver os alunos como coisas. E isso é um processo de adoecimento no trabalho. Isso não significa que estão menos doentes. Significa que há um processo de implosão do sector e não de explosão. Portanto, essa doença não é no ódio ou no desinteresse ou na alienação dos vossos alunos, como existe noutros casos de burnout . Ela é um processo implosivo. É uma doença dos professores que também se manifesta e isso é visível no inquérito numa forte competição, desconfiança e mal-estar, fundamentalmente com o não reconhecimento público, o que imediatamente apela ao Estado e à comunicação social, com as chefias mas também entre colegas. Não temos qualquer dúvida que a divisão dos trabalhadores em carreiras dos professores em carreiras docentes distintas, nomeadamente em titulares e não titulares, mas também noutras categorias (precário e fixo) leva a uma grande desagregação e a um grande mal-estar dentro do corpo docente.
 
Há outros dados particularmente relevantes. 94% dos professores querem ir para a reforma.
 
Uma história com piada, por que agora parece que toda a gente quer ir para a reforma, o ápice da vida: “eu quero deixar de trabalhar!”.
 
Isto não era assim há 20 ou 30 anos atrás. Aliás, nós tínhamos um padrão até contrário. As pessoas iam para a reforma e frequentemente deprimiam. Agora, têm uma sensação de alforria, de libertação. Isto é muito triste porquê? Há uns anos fiz uma entrevista a um colega e ele falava sobre o processo de alienação do trabalho (ele é professor) e uma aluna minha que estava a escrever a entrevista escreveu-me e disse “é mesmo para eu transcrever aquela parte”. Eu respondi que sim, “claro que sim!”. È fundamental do ponto de vista exemplar para explicar o que é o sofrimento no trabalho. Em que ele diz “o grande momento do meu dia-a-dia, na sala de aula, é quando vem o intervalo e eu vou com o meu colega fazer xi-xi e fazemos um concurso para ver quem chega mais longe”. Dizia-me ele na entrevista: “repara Raquel, é o que eu tenho em comum com os hipopótamos. Eu e os hipopótamos somos profundamente felizes quando fazemos xi-xi. Temos prazer!. Se dúvidas houvesse de como eu estou alienado do meu trabalho, é que eu entro na sala de aula e penso que o meu principal objectivo é que eles não adormeçam (é professor no Brasil e os alunos chegam muito atrasados por causa dos transportes em grandes distâncias), não que eu lhes consiga ensinar alguma coisa. Isso eu já desisti há muito. Mas o meu grande prazer é quando eu faço xi-xi.”.
 
Ora, não é normal que o grande momento do dia de trabalho seja o momento em que se deixa o trabalho.
 
Este sinal de 84% dos professores quererem ir para a reforma, não tem um significado clínico, analítico e social inferior aos 78% em exaustão emocional. Isto significa que o trabalho se transformou numa tortura. O trabalho é um factor de sofrimento porquê?
 
É a isto que eu agora queria chegar. Quero dar-vos mais um dado esmagador. Quase 20% dos professores está preocupado com o seu consumo de álcool, drogas e medicamentos. Este número corresponde exatamente àqueles que estão em burnout extremo no resultado psicométrico. Nós frequentemente ligamos a televisão e ouvimos falar que os professores deram falsas baixas médicas. Ora, o que queremos chamar a atenção é que nós temos uma percentagem dos trabalhadores a trabalhar e só conseguem trabalhar porque estão em auto doping, só porque estão medicados.. Nós temos professores muito doentes, extremamente doentes, que só está a trabalhar porque estão medicados. Este doping não é, em geral, nos estudos internacionais, diferente. Os valores aliás são idênticos de Portugal para outros países. Não são, na maioria dos casos, comportamentos aditivos. É mesmo tomar a medicação para conseguir manter-se no trabalho. Como sabem, o relatório refere que há uma relação direta entre a exaustão emocional e a idade e, portanto, seria fácil nós conseguirmos concluir que as pessoas estão mais cansadas, têm menos energia e por isso estão mais doentes.
 
Essa não é a nossa conclusão do estudo. A partir de um certo nível de cansaço é impossível as pessoas não começarem a sentir sintomas depressivos e outros. Há um nível de cansaço objectivo que é destrutivo. Porém, o que nós estamos a falar fundamentalmente é de organização do trabalho. Na nossa opinião concluímos do ponto de vista analítico que a maioria dos professores com mais de 55 anos tem mais exaustão emocional porque há uma dissociação entre as suas expectativas no local de trabalho e as realmente vividas. Porquê? Porque esses professores são, maioritariamente, uma geração que começou a trabalhar após o 25 de Abril onde o espectro da autodeterminação persecução de uma Educação baseada num ensino universal transmitido aos alunos era a pedra de toque. Estes professores, ao contrário dos mais novos, assistiram a um terramoto na vida deles. De repente passaram de uma gestão democrática para uma gestão hierárquica e deixaram de trabalhar com alunos num ensino unificado, denso, em que se queria a transformação do aluno do ponto de vista da aquisição de conhecimentos para produzir o chamado capital humano. Ou seja, força de trabalho para o mercado. Neste terramoto os dois factores estão ligados.
 
É impossível convencer um professor a olhar para aquele aluno e a dizer “eu vou produzir uma força de trabalho para entrar rapidamente para o mercado, devidamente adaptado ao mercado de trabalho”,. Nós todos temos de trabalhar, seja em que sociedade for. O trabalho é necessário. O trabalho é produção. Portanto é normal que nós, quando produzimos alunos, quando educamos, também estejamos a pensar na produção da sociedade. A questão é que a escola está a produzir para o mercado capitalista e, neste caso, especificamente português. Daí a imensa pressão pela flexibilização e pela municipalização, porque as empresas querem que sistematicamente o ministério adapte a educação ao mercado de trabalho.
 
O mercado de trabalho é a coisa mais volátil e flexível que pode haver. Para terem uma ideia, a média da taxa de retorno dos investimentos em Inglaterra é de 18 meses. Um empresário quando investe numa determinada empresa quer retorno ao final de 18 meses. E ao final de 18 meses pode abandonar essa empresa e ir para outra. Isto significa que há uma grande pressão sobre as necessidades de formação das forças de trabalho, o que passa naturalmente pelo ministério da Educação, pelos cursos de formação profissional, pelos testes psicotécnicos… Há duas necessidades altamente perniciosas que têm a ver com as necessidades do mercado de trabalho, mas também do desemprego. Eu sei que isto parece ser tremendamente assustador.
 
As políticas governamentais nas economias liberais não são só destinadas a produzir para o mercado de trabalho, também são para o desemprego, porque o desemprego é o regulador do salário. Quando se sobem os salários num determinado sector, há uma pressão para entrarem mais alunos nesse sector para fazer cair o salário. É o caso clássico dos médicos em Portugal. Qual é a luta eterna entre o ministério e a ordem? A ordem não quer que entrem mais médicos porque essa é a forma de manter protegido o salário e o ministério quer que entrem mais médicos porque cai o salário. Significa que os professores estão permanente emente assediados com as transformações do mercado flexível. Em Portugal, ainda por cima, isto é pior porque na divisão internacional do trabalho, Portugal prima por baixas qualificações. Portanto porque é que as empresas estão sempre a dizer às escolas que precisam barmans, gente para mudar camas nos hotéis, operários de tarefas simplificadas. Do outro lado estão os professores a dizer que estão aí para ensina história, ensinar matemática, quero ter tempo de ensinar física, de que resulta uma série de dinâmicas que resultam da multiplicação de testes e exames e com a expropriação da autonomia dos professores no sentido de cada vez mais deixarem de definir as matérias que vão dar dentro da sala de aula e como vão dá-las, para cada vez mais isso vir de fora: o programa, restrições curriculares… os professores entram nas escolas como se entrassem numa fábrica que produz em série e peças todas iguais, segundo um modelo standard. Este ´e o significado da proletarização que está a ocorrer, também sobre a classe docente. Obviamente que vem acompanhada de um desinteresse e de uma desmoralização generalizados. Pois se eu penso em como dar uma aula e me vejo confrontada com dar pela vigésima vez a mesma coisa, com tudo idêntico e altamente padronizado!… As formas de organização do trabalho que impuseram aos professores, burocratizando-os, fazendo trabalho administrativo.
 
O salário está altamente relacionado com os , com mais aliunos por turmanham para o que fazeemou a recuperaçtamente portugu20% dos professoresoi uyma escrita colectiva queíndices de adoecimento no trabalho e no vosso inquérito isso fica muito explícito. A queda salarial é muito mais pronunciada do que questões avançadas como a contagem do tempo de serviço ou a recuperação da carreira, porque se calcularem aquilo que é o salário relativo, o vosso salário caíu drasticamente, ou seja, aquilo que os professores ganham para o que fazem (hoje têm o dobro, o triplo ou o quádruplo das tarefas), com mais alunos por turma, é a quantidade de trabalho que vocês fazem. Há uma queda real do salário e há também uma queda no salário relativo (quanto é que eu recebo face àquilo que eu produzo). Isso levou a que a escola deixasse de ser um espaço de onde os professores possam sair e inovar pedagogicamente. Hoje em dia não se consegue discutir pedagogia… aliás, a pedagogia resume-se a “vou rezar a deus para ter os meus alunos muito disciplinados e bem educados”, o que é virtualmente impossível, pois eles estão em criação, em formação, estão a ser educados, ou então vou pô-los na rua. A pedagogia está encapsulada porque os professores não tem tempo nem formas de discutir pedagogia quando a própria forma de organização do trabalho está direcionada para esta produção das peças todas iguais.
 
Nós tivemos a participação do Duarte Rolo e do Roberto della Santa que foi absolutamente fundamental. Não só pela crítica ao burnout psicométrico tout court, como adicionar as questões de vida, como a crítica à razão instrumental que hoje domina todas as ciências sociais.
 
A Educação é um saber fazer é um aprendendo fazendo. O sistema fabril da escola impede esta pedagogia. Isto significa que a vossa sensação de falhanço é enorme. Eu sou muito crítica do PISA da OCDE. A OCDE é uma organização dos estados ricos, altamente influenciada por políticas empresariais, o PISA não é o modelo idóneo de avaliação do sucesso escolar. Tem de haver uma crítica porque a determinada altura nós usamos sempre a metodologia da OCDE para medir o sucesso escolar. Ora, a metodologia da OCDE é a da aquisição de tarefas e competências para o mercado de trabalho. Não mede o ensino concentrado, abstracto a razão crítica… Esta ausência de praxis leva-nos a ser acríticos perante o resultado da existência de 50% de chumbos a português e matemática. Porque a análise imediata é a de que os chumbos existem porque os professores são maus. É possível martelar números noutras áreas e nestas disciplinas que lidam com um alto conteúdo abstracto e analítico não há como martelar números. Isto significa (eu sei que os professores utilizam estes dados para falar de sucesso escolar) que se Portugal continuar a tratar os seus professores como trata hoje, daqui a 20 anos vamos ter um ensino devastado. Os resultados que temos hoje no ensino no nosso país só é possível devido ao tipo de ensino que tivemos a seguir ao 25 de Abril. Até porque é impossível metodologicamente, dizer que os resultados de hoje têm a ver com políticas de há três anos atrás.
 
Isso não existe, da mesma maneira que os governos usarem a esperança média de vida para dizer que o serviço nacional de saúde está muito bom, quando nós só vamos saber se o serviço nacional de saúde está muito bom hoje, através da esperança média de vida, daqui a 40 anos.
 
Hoje, o ensino de que nos podemos orgulhar é o resultado das políticas, da gestão democrática e do ensino unificado e universal. Não é o ensino da flexibilização de há três anos atrás. Isso e uma pirueta estatística que está sempre a associar a políticas imediatas que não corresponde à verdade.
 
A sensação de falhanço dos professores é real. Assim como esse sentimento de que não se está a educar e a ensinar bem os alunos é verdadeiro. Os pais também acham que os filhos não estão a aprender e têm razão. Só que depois atiram a responsabilizar aquele professor individualmente considerado como o responsável do falhanço, porque não têm a capacidade de fazer a distinção entre os responsáveis e aquele que está ali à sua frente. Os governos chegaram ao cúmulo de arranjar maneira de os pais estarem representados no conselho de turma em nada contribuindo para resolver os problemas daquele ou daqueles professores. Imaginem o que era eu ter direito de dizer aos médicos com é que devem fazer-me uma cirurgia, do tipo “ai não, não! Eu quero dizer como se faz. Eu quero ter direito de voto.”. isto não tem nada a ver com a democracia. Isto é um método de vigilância dos professores.
 
Temos alterações significativas nas escolas cujos resultados virão aí. Já se nota ao nível do raciocínio abstracto e analítico. Coisa de que os governos se servem para ainda desvalorizar mais, agravar mais, reduzir mais as condições de trabalho dos professores e até os salários. Quando isto não se resolve assim, mas sim pela via contrária.
 
Um falhanço que vai sendo transferido de nível de ensino para nível de ensino porque a tendência para a simplificação dificulta a capacidade de compreensão, de leitura, de análise e de assimilação. Para não se falar da capacidade de estar várias horas a estudar uma determinada matéria e que a compensação virá passadas essas horas.
 
Talvez nós estejamos perante, se não o maior, um dos maiores estudos feitos a uma profissão com esta extensão que já foi alguma vez realizado. Estamos a falar de quase 160 questões sobre os mais múltiplos aspectos da vida e do trabalho, numa colectânea de perto de 2 milhões de dados. É por isso que nós somos muito cautelosos, acreditando que o resultado que hoje apresentamos é o resultado final, mas apenas de uma parte dos dados que foram tratados. Há muito ainda por tratar, quer do ponto de vista quantitativo, quer do ponto de vista analítico.»