Um mundo perfeito

Dezenas de imigrantes mortos a passar de Marrocos, num infame acordo entre o Estado marroquino e o Estado Espanhol, dirigido por Sanchez, em que em troca de entregarem a Frente Polisário (o direito à autodeterminação só serve para a Ucrânia, os outros que se façam à vida…ou à morte), se comprometem a “estabilizar” a fronteira; dezenas de imigrantes mortos, assados vivos num camião, nos EUA, para dar continuidade à máxima do mercado de trabalho desde Obama, sim desde Obama, que Trump continuou claro, que os imigrantes só ficam nos EUA o tempo que têm emprego, depois são recambiados. Enfim, uma semana que nos demonstra que se não fosse Putin (sim, um ditador que espero derrotado pelo seu povo, e não por sanções que só penalizam os povos), o mundo era um lugar perfeito e os governos ocidentais um exemplo nobre de respeito pelos direitos humanos. E o massacre na Palestina continua, e ainda que a ONU tenha chegado à conclusão que a jornalista norte-americana foi morta pelas tropas israelitas, tal tema não passou de rodapé. Já os discursos guerreiros da NATO, sôfrega das matérias primas, que não saltam sozinhas o arame farpado, são-nos oferecidos ao pequeno almoço, em pé de microfones, sem mediações quaisquer de interpretação histórica, social, económica. O chefe disse, neste caso o da NATO, o jornalista escuta, nós ouvimos – assim se fazem noticiários. A imprensa como boletim ou newsletter do poder não é imprensa, é propaganda. Uma imprensa livre, com jornalistas críticos, livres, é urgente.

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