Arraia-miúda

Em pleno dia 10 de Junho a sequência das notícias fala por si. Marcelo vai a Inglaterra, elogiar a “arraia miúda” , fala da aliança Portugal-Inglaterra (uma dependência, nunca foi “aliança”), a seguir condecora um enfermeiro imigrado, que obviamente fugiu dos baixos salários e más condições de carreira, e logo a seguir – na mesma sequência de noticiário – temos as urgências de obstetrícia fechadas, numa semana em que se suspeita da morte de um bebé, por eventual ausência de cuidados de saúde. Um país a saque. Em que a burguesia sente orgulho do desastre, vendem o país, expulsam trabalhadores, condecoram-nos e ainda, da casa-mãe Inglesa, se chama ao povo “querida petinga”, com um ar de complacência com o povo. Só perderam de facto esse ar em 74-75, esta burguesia dependente e súbdita, quando tiveram medo e o povo deixou de ser um emblema na lapela e ganhou direitos. No ano em que as misericórdias foram expropriadas, e os médicos ocuparam (literalmente) hospitais, os colocaram sob gestão democrática, e ergueram as carreiras médicas, que permitiram construir um SNS. Esse passado assustador para as elites que têm médicos privados 24 horas por dia, passado que convém embrulhar na noção de “caos”, e oferecer um eterno presente de discursos extravagantes e elogios ao 25 de Novembro. Nem um pingo de noção histórica, e nem um pingo de decoro sobra.

8 thoughts on “Arraia-miúda

  1. ahahahahah ora bem, pensava que tinha sido só eu que me tinha indignado com o passar de mão pelo lombo, mas parece que nâo.
    Que nos tirem o futuro e que se esqueçam de nós, já estamos habituados, que nos tirem a esperança com salários de miséria, num país onde se trabalha para se ter cada vez mais mês no fim do mísero ordenado, também já conhecemos o fado, que não haja carreiras e que promovam os graxistas e incompetentes, já conhecemos tudo; agora que aconteça isto tudo e nos venham passar a mão pelo lombo, oh pá, ao menos que nos esqueçam de vez, porque na verdade, aos políticos, eu também não os quero recordar e sim, eu sou daqueles que votei, mas não votei em nenhum, pois risquei-os todos, em caso nenhum me representam, ninguém, de partido nenhum, é a única forma que tenho de demonstrar o desprezo que por eles nutro e remetia-os todos para a letra do “Vérnaculo (para um homem comum)” dos UHF.

  2. Isso mesmo. Não têm um pingo de vergonha na cara. Quando é que este povo abre os olhos? Até quando vamos continuar neste mundo globalizado interesseiro e de interessados que a seu belo prazer defiinhem 4e depauperam os povos por esse mundo fora e a quem, ainda por cima, se bate palmas

  3. Cegam o povo com a conversa do “fazer mais com menos”, mais eficiência, dizem.
    Ganham eleições, ora uns, ora outros, por vezes, como é o caso, com maioria absoluta.
    Povo acordai. não é em nome da eficiência, é em nome do desinvestimento.

  4. Eu teria muita coisa para dizer, mas estamos atravessar uma fase difícil, se não fizermos nada contra esta gente (para não dizer outro nome ) os nossos filhos e netos, não vão sobreviver!!! Digo isto, porque cada dia que passa sinto que ninguém nos da ouve, e os que o fazem, cada vez são menos, Mas como dizia o meu saudoso avô materno; “temos que continuar a lutar e nunca desistir”. Caríssima Dra. Raquel Varela, não desista e muita força

    • Caríssima Raquel, nunca na vida voltarei a ver uma cronica que reporte a 200% uma realidade de vida atualíssima. Incrédulo, e nunca esquecerei, um presidente da República, que apregoa direitos (blá, Blá), dizer fora portas do pais que os trabalhadores são “arraia miúda”, está doente, terá que se afastar de vida irracional que anda a representar. como sabe, a corrupção democrática produz muito menos que a corrupção ditadora e brutal. A figura que vem aí do mundo está à vista, até lá vivemos na esperança de viver. Parabens.

  5. Caríssima Raquel, nunca na vida voltarei a ver uma cronica que reporte a 200% uma realidade de vida atualíssima. Incrédulo, e nunca esquecerei, um presidente da República, que apregoa direitos (blá, Blá), dizer fora portas do pais que os trabalhadores são “arraia miúda”, está doente, terá que se afastar de vida irracional que anda a representar. como sabe, a corrupção democrática produz muito menos que a corrupção ditadora e brutal. A figura que vem aí do mundo está à vista, até lá vivemos na esperança de viver. Parabens.

  6. É um órgulho de País. O único país do mundo em que o PR fala todos os dias, diversas vezes ao dia em todos os canais de televisão e todas essas intervenções são uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

  7. Como escreveu o meu amigo Pedro, que vou tomar a liberdade de publicar um pequeno texto ,que me parece simbólico; “Os Costa e Marcelo de Portugal, o Johnson do Reino Unido, Macron de França, Scholz da Alemanha, a der Leyen da Comissão Europeia, passeiam-se displicentes no teatro da criminosa guerra que estão fazendo como procuradores e por procuração na Ucrânia”!

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