Contra a Censura, hoje no Jornal I

“(…) Raquel Varela, historiadora, investigadora e professora universitária, mostra-se completamente contra a decisão da União Europeia, realçando em simultâneo ser “completamente contra a invasão russa”. Ao i, classificou a suspensão dos meios de comunicação russos em espaço europeu como “injustificável”. “É inaceitável fechar televisões e jornalistas. O jornalista tem de ser livre”, começa por defender Raquel Varela, acusando a UE de reagir “como reage a Rússia, apagando os seus opositores”. “Não é assim que se faz. A liberdade de imprensa tem que ser inquestionável e, portanto, esta é uma decisão completamente intolerável”, continua a investigadora, argumentando que esta é uma decisão “contra os jornalistas”, que deverá deixar todos os profissionais deste setor “indignados”, porque “hoje fazem com a Rússia, amanhã fazem com outro grupo qualquer”.

Sobre o perigo que se cria ao suspender estes meios na Europa, de dar uma ‘carta branca’ aos russos para fazer o mesmo com meios ocidentais, Raquel Varela acusa: “É indecente que Putin persiga os opositores, e que cale órgãos de comunicação social, mas é indecente a UE fazer o mesmo.” A investigadora defende que deve ser o cidadão a decidir se há manipulação da verdade. “Nós é que temos de decidir quais são os órgãos que lemos, não é alguém vir apagá-los por nós. Isto é uma visão ditatorial do Estado a decidir o que podemos ouvir ou não. Eu quero decidir se acho que é propaganda. Quero decidir desligar a minha televisão, não é que o Estado a desligue por mim”, conclui.

Também Joaquim Vieira, fundador e presidente do Observatório da Imprensa, não hesita em definir esta ação da UE como sendo uma forma de censura. “Não é o bom caminho, e acho difícil conseguir-se defender esta decisão. Para todos os efeitos é censura, eu não estou de acordo. O que nos distingue das ditaduras é a possibilidade de livre expressão. Às tantas vão dizer que somos iguais ao regime de Putin”, lamenta Vieira. “Qual é a entidade que emite um juízo sobre o que é um órgão de propaganda e o que é um órgão de comunicação?” Joaquim Vieira alerta para os riscos inerentes a esta decisão da UE, achando que “seria melhor que não tivesse existido, porque isso mostrava a superioridade moral que nós no Ocidente temos sobre um regime como o de Putin”. O silenciamento dos meios de comunicação russos, conclui, vai “contra o código genético de uma sociedade aberta”.

(…) a Federação Europeia de Jornalistas (EFJ, na sigla em inglês), que se mostrou contra esta forma de “censura”. Ricardo Gutiérrez, secretário-geral da EFJ, recordou que “a regulação dos meios de comunicação não entra na competência da UE”. “Acreditamos que a UE não tem qualquer direito de dar ou tirar licenças de emissão. Essa é uma competência exclusiva dos Estados-membros”, continuava, em comunicado, acusando possíveis efeitos secundários desta medida: “Este ato de censura pode ter um efeito totalmente contraproducente nos cidadãos que seguem os meios agora banidos.”

Ao contrário da decisão tomada pelos líderes europeus, o secretário-geral da EFJ defende que teria sido uma melhor medida contra-atacar “a desinformação de meios propagandistas – ou alegadamente propagandistas – ao expor os seus erros factuais ou mau jornalismo”.

https://ionline.sapo.pt/artigo/764095/informacao-ue-silencia-meios-russos-na-europa-e-ha-quem-fale-em-censura?seccao=Mundo_i

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