Notícia-mercadoria e a vida humana desrespeitada

Recuso-me a embarcar em anátemas sobre as profissões, os médicos são isto, os jornalistas são aquilo, os políticos, esses, então já são sinónimo de insulto. Há um niilismo nesta versão da história que desconhece os subterrâneos dos sentimentos daqueles que com medo, desmotivação, desorientação entram em sofrimento ético com a cumplicidade com as más práticas. Em suma, não somos, não são, todos iguais. Conheço dezenas de jornalistas chocados com a cobertura da pandemia, que vive na relação umbilical do jornalismo com o Poder, com os dois poderes centrais da nossa sociedade: Estado e Mercado. Este movimento, ampalmente estudado nas ciência sociais há anos, não veio com a pandemia. Portugal tem uma vida pública pobre. Este país chegou a ter uma centena de jornais financiados pelos trabalhadores e seus sindicatos, no início do século XX; e em 74-75, e até mais tarde, viveu com democracia nas redacções e segurança no emprego, os ingredientes mágicos da boa informação.

O caso mais recente da criança “morta por Covid-19”, em que poucas horas depois os médicos exigem uma autópsia por suspeitas de morte pela vacina de Pfizer é exemplar. Desde logo nunca a própria DGS contabilizou a morte da criança por COVID. Porque entrou no Hospital com uma paragem cardíaca. Mas a notícia-mercadoria não pode esperar – é o bater no fundo de uma casa que de tanto bater no fundo veio abaixo. Primeiro, o luto dos pais não podia nunca ser conspurcado, desrespeitado. Mas na nossa sociedade só há uma coisa sagrada – a mercadoria. A notícia vende? Que se venda. E que se venda bem e rápido.

A concorrência, e claro, o poder das agências de comunicação, assim o ditam.

O assunto está em investigação porque os médicos exigem uma autópsia urgente – mas os jornais foram rápidos a afirmar até o que a DGS se recusou a confirmar. Relatos de próximos tornados públicos também dão conta da criança ter passado mal desde que levou a vacina, as gordas afirmam taxativamente que morreu infectada com COVID e poucas horas depois são obrigados a publicar que pode ter sido por reacção à vacina – os médicos pedem o óbvio – investigação urgente. Não há tempo, calma ou respeito. Urgente é a mercadoria. O que se pede ao Governo é uma investigação rigorosa, depois de alertas sucessivos públicos de médicos sobre as eventuais, raras mas existentes, consequências cardíacas da vacina. Mas pede-se também a quem está contra as vacinas que não cheguem a conclusões precipitadas – não se sabe nada sobre esta criança, a sua condição de saúde prévia, uma investigação rigorosa pode e tem que esclarecer, a tragédia de perder um filho devia ser a linha vermelha que obriga a todo o cuidado, delicadeza.

A notícia-mercadoria mata o jornalismo, mas sem organização clara da defesa dos direitos do jornalistas podemos indignar-nos, ou deixar de ler jornais, o que tem sido a opção de tantos, mas não vamos resolver o problema de fundo. Precisamos de jornais independentes do Mercado e do Estado, que assegurem por isso o espaço da esfera pública, de redações democráticas e de segurança no emprego. Já batemos no fundo e a casa já caiu. Ou os jornalistas rompem o cerco das suas péssimas condições de trabalho ou a casa não se reconstrói.Eu pessoalmente não quero notícias rápidas, última hora ou Breaking news, quero notícias sérias, inteiras.

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10 thoughts on “Notícia-mercadoria e a vida humana desrespeitada

  1. A indignação e o apelo da Raquel fazem todo o sentido, mas de certeza que vão cair em saco roto. Desde logo porque não se fazem autópsias aos mortos pela vacina. Porquê? Porque as autoridades têm medo de descobrir factos perturbadores. As poucas que se fizeram em outros países mostraram situações terríveis. Depois, porque tal iria assestar uma machadada irreversível na eficácia e segurança das vacinas, coisa que o Big Pharma de modo nenhum pode aceitar. Por último, todos os media e plataformas estão vinculados ao “Trusted News Cartel” que controla com mão de ferro (cortina de ferro?) a totalidade das publicações, tendo o respectivo algoritmo a função de apagar tudo o que não se enquadre na “versão única da verdade”. Portanto, os jornalistas nunca farão as tais perguntas incómodas de que já aqui se falou.
    Contudo, a realidade vai rompendo paulatinamente o manto de nevoeiro com que a querem cobrir. Cada vez mais médicos e especialistas se vão juntando e denunciando a FRAUDEMIA, de modo que a “narrativa” se está a desmoronar.
    swprs.org/professor-ehud-qimron-ministry-of-health-its-time-to-admit-failure/

  2. Esperemos que os técnicos competentes não se calem perante qualquer tentativa de construir a verdade que o poder teima em querer vender.
    Os anúncios dos milhões de vacinas dadas, os milhões de 3 doses dadas, os milhares de crianças já vacinadas, os milhoes de testes realizados, os milhares de infectados diariamente que diziam poderiam atingir os 100 000 criar medo e receio ameaçar com a perda de capacidade hospitalar quando se está longe do i »inferno de janeiro 2020 e depois só anunciar um reforço de 800M€ para 2022 para o SNS e uma esquerda incapaz de obrigar o governo em 2022 a investir os 2500M€ no SNS com a obrigatoriedade de mensalmente revelar publicamente a execução desta verba permite toda a degradação deste SNS .

  3. Estou naturalmente de acordo com o que defende, ética e moralmente. No entanto, não podemos deixar de reflectir na importância de uma primeira página de jornal como a que o CM fez hoje, especialmente nesta altura onde o absurdo impera, daquela forma e com aquele conteúdo, ainda que os motivos tenham sido, infelizmente, aqueles que a Raquel descreveu.

    Vamos aos factos: Em primeiro lugar, pelo que li num dos excelentes artigos do jornalista Pedro Almeida Vieira, este tipo de mortes em crianças saudáveis, nesta faixa etária, simplesmente não ocorrem (dizem os dados disponíveis em relação ao período 2015-2019); segundo, em quase dois anos de pandemia, não há em Portugal registo de mortes idênticas em crianças saudáveis, devido à covid; terceiro, os médicos que reportaram a situação ao infarmed têm uma suspeita evidente de que o caso poderá estar relacionado com a vacina, caso contrário, não o fariam. Não o fariam se tivessem desde já outra explicação para o caso, não o fariam se achassem que era mais uma morte por covid. A suspeita é, pois, uma possibilidade bastante real.

    Neste sentido, ainda que seja demasiado cedo e tendo em conta os factos acima, não podemos deixar de sentir como muito pertinente que alguma comunicação social tenha dado destaque a este caso, mais não seja para que os pais que decidam futuramente vacinar os seus filhos tenham conhecimento desta suspeita e possam fazer aquilo que um governo decente teria já hoje feito: suspender temporariamente a vacinação de mais crianças. Recordo ainda que esta notícia poderá ser, independentemente da sua duvidosa intenção, a gota que traga à superfície a consciência de todos e uma discussão séria no oceano de censura, abusos, insultos negacionistas e incoerências que têm pautado a actuação das autoridades políticas e de saúde.

  4. Ter em consideração que a Inoculação de tais produtos é uma forma Viral do que se pretende supostamente proteger.
    Além de existirem várias forma, incluindo DNA, mRNA entre outras forma de terapia genética.
    As inoculações em massas tendem a criar variantes dos produtos inoculados (cVD), algo semelhante é observado com os antibióticos e as bactérias resistentes.

  5. Alteram as definições de Pandemia para deixar de contar a severidade e agora para dar crédito aos produtos inoculados, gera-se mediatismo a dizer que a severidade é menor e que passou a endemia.
    Os casos = Testes Positivos são o factor dominante para se continuar a Pandemia, pois a definição foi alterada. O ano passado até surgiu nas redes sociais o termo Casedemic… o que é uma pandemia de casos.
    Outros conceitos foram alterados como a definição de imunidade de grupo, regras e leis desrespeitadas, como exemplo a prescrição médica e análise por um médico das condições de saúde, sendo que a televisão e meios de comunicação, nunca deveriam promover tratamentos experimentais ou com receita médica (o que é proibido por lei – Artigo 69b Proteção do consumidor).
    Os procedimentos implementados, as regras, as leis, os livros, a ciência que se sabia, foi colocada de lado para favorecer interesses económicos, tal como na Pandemia de 2009 (Fonte: Parlamento Europeu).

    • Apoio totalmente o João e só acrescento que a pp definição foi alterada nas agências americanas e até no Webters para acomodar as injecções de base genética. Como acabou recentemente por reconhecer, a OMS comunicou que os testes PCR não são adequados para diagnosticar o C-19, algo que os criadores desses testes sempre disseram. Nada como robustecer a confiança….

      • Muito bem dito, realço a indicação no documento que o José refere:

        O documento da CDC (CDC 2019-Novel Coronavirus (2019-nCoV) Real-Time RT-PCR Diagnostic Panel) expressa
        uma das seguintes limitações dos testes RT-PCR e descreve o seguinte:
        ENG: “Detection of viral RNA may not indicate the presence of infectious virus or that 2019-nCoV is the causative agent for clinical symptoms.”

        Traduzido PTG: “A deteção de RNA viral pode não indicar a presença de vírus infecioso ou que 2019-nCoV é o agente causador de sintomas clínicos.”

        Resumindo o teste RT-PCR nada pode afirmar que é vírus ou que é 2019-nCoV.

        Além disso é possível verificar no “COVID-19 Vaccine Market Dashboard”, as plataformas das injecções, onde estão 33 vacinas atualmente aprovadas para o uso, a estimativa de mais de 40 Biliões de doses para 2022 e 2023, os vários tipos de inoculações que passam por mRNA, DNA, T-Cell, entre outros.

  6. Pingback: Notícia-mercadoria e desrespeito pela vida humana

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