1 thought on “Retornar ao ato de ensinar na sala de aula

  1. Muito oportuno este texto (no qual me revejo na sua generalidade) e um alerta muito, muito importante. Veja-se na capa do Jornal i de hoje, dia 19: «OCDE traça quatro cenários futuristas para a educação – Mais robôs e inteligência artificial, menos notas e professores de carne e osso». Portanto, parabéns a Roberto dellla Santa e obrigado à Profª Drª Raquel Varela por o disponibilizar aqui (e os meus cumprimentos aos dois).

    Fui aluno universitário de Psicologia recentemente e, baseado nessa experiência (e comparando-a com a licenciatura de Engenharia Civil que tirei há 40 anos), deixo aqui algumas interrogações para reflexão.

    O Processo de Bolonha não foi um 1º passo nesta estratégia de acabar com a sala de aula? O que pude observar na minha experiência recente foi os professores a fazerem sínteses magras do seu saber a fim de o conseguirem encaixar nos tempos reduzidos de aulas que lhes são atualmente disponibilizados. Que, depois, tinham de complementar com textos disponibilizados nas plataformas digitais.

    Não existirá uma imensa fratura entre o discurso público, dominante e defendido teoricamente, e aquilo que os professores fazem efetivamente nas aulas? Acompanhei muitos professores (do ensino básico e secundário) nas suas aulas e fui recentemente aluno de uma universidade. Raramente vi uma aula em que o professor não fosse o centro e a fonte de todo o saber (ele e os seus PowerPoints, claro!). Eu próprio confesso que me incluo parcialmente neste grupo. No entanto, tinha duas preocupações: 1º, estava atento às turmas que tinha na frente, daí fazer sempre novas programações de aulas de um ano para o outro; 2º, procurava determinar o que os alunos sabiam e pensavam sobre a matéria a dar, e usava isso para transmitir os novos conhecimentos.
    Fui testemunha de uma exceção recente na universidade, em que a professora não dava de facto a matéria. Só que punha uma lista de perguntas às quais nós tínhamos que responder na aula, sem saber o que é que aquilo tudo queria dizer, numa sala de aula sem recursos nenhuns – algo de muito desconfortável e assustador até porque, depois, havia exames para toda a gente. Ora, isto não estará um pouco longe de ser uma metodologia ativa? Além de que não será certamente assim que se aprende, ou se treina alguém, a aprender a aprender.

    Uma ressalva pessoal: a par dos conhecimentos e de saber o que fazer com eles, saber como aprender eficazmente (juntamente com saber pensar) constituiu uma das competências cognitivas mais importantes e mais úteis de toda a minha vida escolar e profissional.

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