O Homem Máquina

Há professores que já não conseguem dar aulas sem ser com power point e alunos que não consgeuem ter aulas sem ser a olhar um power point. A máquina domina o Homem, de instrumento passa a sujeito. O Homem passa a ser a máquina. Retrocesso distópico. Nada é tão bom numa sala de aula como uma aula magistral (sim, com diálogo, perguntas, críticas, nunca foi a caricatura hierárquica que fizeram dela para lançar o novo mundo das “competências” e do “aprender a brincar”), nada é tão bom como um professor que nos mergulha na curiosidade e saber, que anda pela sala, perde-se, faz-nos perder o fio à meada para depois nos envolver no conhecimento profundo, em que tudo se liga, tudo faz sentido, uma totalidade. Nada pode ser mais aborrecido numa sala de aula do que horas a olhar um power point, magistralmente mecânico, sem vida, ainda que cheio de animações. A vida animada do power point é o ocaso da docência enquanto “transmissão naquele aluno singular do melhor conhecimento produzido pela humanidade”.

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9 thoughts on “O Homem Máquina

  1. A frase utilizada no final do texto carece de fundamentação “transmissão naquele aluno singular do melhor conhecimento produzido pela humanidade”. Todo o professor é um redutor de conhecimento e selecciona-o segundo os seus interesses pessoais (e infelizmente segundo um currículo). A grande função do ensino não é a transmissão de conhecimentos. Aí só posso discordar. O ensino deve criar estruturas de conceptualização, de assimilação, de apreciação (valoração), de problematização , etc. (podíamos fazer uma taxonomia da totalidade das actividades intelectuais que precisam ser desenvolvidas – ainda que se possam utilizar conteúdos para isso – para que as estruturas lógico-críticas da racionalidade e da sensibilidade possam ser apuradas). Não compete aos professores assumirem-se como dogmáticos com a apresentação de conteúdos considerados o “melhor conhecimento”, quando os alunos não estão no mesmo patamar. Seria uma forma de incutir a crença no que o professor diz (como se fosse o detentor da verdade que o aluno não está apto para verificar – e há casos lamentáveis de cegueira intelectual incutida por mestres nos discípulos que, anos mais tarde, é brutalmente posta em causa).
    Não há mesmo um “melhor conhecimento produzido pela humanidade”, pois o conhecimento não é nem bom nem mau. Será sempre no seu uso que se revelará a utilidade do mesmo para o indivíduo singular e para a sua comunidade.

  2. A evolução do homem em todas as suas dimensões é real. Real é também a forma de como chegamos até aqui, “transmitindo o melhor conhecimento produzido pela humanidade”. Não existe outra.
    Keppler subiu aos ombros de Copérnico e viu mais longe…
    Galileu subiu aos ombros de Keppler e ainda viu mais…
    Newton subiu aos ombros de Galileu e o horizonte aumentou…
    Por sua vez, Einstein, lá do cima da pirâmide humana, traçou outros limites…
    O que se encontra provado não é passível de refutação. Foi a transmissão de conhecimentos (livresco) que criou “as estruturas de conceptualização, de assimilação, de apreciação (valoração), de problematização, etc.”

    • Onde está a refutação ao que eu afirmei?
      A sua última frase está errada: toda a ciência funciona por refutação. Não há verdade em ciência, há paradigmas de interpretação e compreensão do real que servem enquanto não são refutados. O próprio real é colocado em causa nas suas estruturas mais básicas pela evolução. Mas as estruturas de conceptualização, etc. podem ser construídas com base em qualquer tipo de actividade, boa parte delas ligadas à descoberta e não à transmissão de conhecimentos dogmaticamente escolhidos.

      • Lesto, disponível e, pretensamente, conhecedor. Comeu na diagonal. É peão.
        Bom proveito!

      • Sugiro leitura de Popper e Khun antes de criticar. O conhecedor não me serve mas sim o crítico. Adoro o seu pretensamente …

      • Os seus comentários são um exercício pós moderno : vazios, com pretensa linguagem complexa.

      • É claro que Saviani é muito mais repleto de… fetichismos. Novamente, recordo que Popper afirma “toda a ciência se constrói por refutação”. Se e só se escolhe ler quem concorda consigo, esse problema é seu.
        Quanto ao vazio, acredito que muitos dos seus posts não resistiriam a um exercício de hermenêutica.
        Enfim, tem direito à manutenção das suas incoerências. E eu também!

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