Singelos estados do Estado

O que é alegado é que parte do aparelho de Estado português – e logo o sector militar/policial, onde está o monopólio das armas – foi usado como plataforma de tráfico. Em plena missão “humanitária”. Não é singelo, normal, ou regular. É um escândalo político da maior gravidade. Ou seria – se realmente a anormalidade não tivesse tomado conta da vida política e pública.Os estivadores tiveram despedimento colectivo no primeiro dia do Estado de Emergência (até hoje despedidos); os motoristas de matérias perigosas uma requisição militar; os portuários à jornal de Setúbal uma camioneta (derrotada felizmente) de fura greves, escoltados pela polícia; os enfermeiros uma requisição civil. Toda a força bruta do Estado foi implacável contra trabalhadores essenciais. Os militares (incluindo altos cargos e funções internacionais – que sequer se debate que funções e com que objectivos), envolvidos alegadamente em tráfico de diamantes tiveram uma singela frase – trata-se de uma investigação regular, normal em democracia, a justiça a funcionar, diz Marcelo. Passemos ao próximo tema, um qualquer fait divers mobilizador, como eleições 15 dias ou 15 dias depois.
Os militares são nada menos do que a coluna vertebral deste mesmo Estado. Tudo isto é anormal. Indecente. Normalizou-se o Estado poderoso contra quem trabalha e faz greve por direitos, e o Estado benevolente quanto se trata de se defender a si próprio do indefensável. O objectivo dito humanitário destas missões sequer é debatido publicamente – e devia. Mas que em cima do bolo ainda tenhamos cargos do aparelho de Estado militar acusados de usar tais missões, segundo a investigação, para enriquecer devia, em qualquer país intacto, ser uma vergonha pública, sem palabras singelas.

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