Sobre o Concurso FCT

Como infelizmente, e no meio de tantos assuntos urgentes para o país, este caso envolveu questões públicas, cabe-me esclarecer o seguinte de forma que não paire sobre o tema nenhuma dúvida. A FCT contactou-me há cerca de 3 semanas dizendo que a minha candidatura não deve ser admitida, não por qualquer erro no CV, como foi cabalmente esclarecido pelo Conselho Científico, mas exclusivamente porque segundo a FCT eu me desvinculei do IHC e o IHC de mim, e isso faz que não exista instituição de acolhimento para a candidatura, item obrigatório para seguir para análise do júri. Explicámos que sou investigadora da FCSH/UNL em mudança de unidade de investigação e que isso requer procedimentos internos mais longos do que os do concurso, pelo que a candidatura deveria, na nossa ótica, ser mantida e levada a júri. Não foi esse o entendimento da FCT, mas não há qualquer notícia aqui com relevo para a opinião pública. 


Não deixaremos de no futuro concorrer a outros projectos FCT, naturalmente, e com as regras por esta estipuladas. Mas há questões que se levantam para reflexão no seio da Academia e que se prendem naturalmente com as unidades de investigação. Pode uma unidade de investigação que não tem personalidade jurídica (e a maioria destas unidades a nível nacional não a têm, já que as candidaturas são assinadas pelas universidades), retirar, sem apoio da própria universidade, uma candidatura? Significa também que um investigador que tenha conflitos com a sua unidade de investigação durante uma candidatura não pode solicitar a sua mudança para outra unidade de investigação? São questões académicas, que interessam às instituições e não à esfera pública, dado que há vários casos de investigadores que solicitam desvinculação das unidades durante bolsas e projetos a decorrer, e sobre isto há conflitos que perduram no tempo há anos. Isto num quadro em que nos projetos europeus, e em nome da liberdade de investigação, não só estamos autorizados a mudar de unidade como até de faculdade, no quadro da total liberdade de investigação científica que se deve proteger e promover. São questões que ultrapassam o meu caso em particular, envolvendo bastantes investigadores e que irão certamente repetir-se, pelo que seria conveniente definir uma orientação clara e inequívoca.

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