Rir é Proibido

A minha relação com o futebol é inexistente, mas não acho mal que outros gostem, e gostem muito. Não fico nem triste nem contente com resultados, é-me indiferente. Porém, não sou crítica do entusiasmo, nem dos desportos colectivos, nem da euforia. Ainda hoje me pergunto, claro, quando o Benfica e o Sporting me vão devolver o que lhes paguei em escola e saúde de qualidade – sendo que eu não faço parte dos clubes mas paguei ao Novo Banco e BCP, na hoje chamada hoje dívida pública. Passou de uma dívida de um clube de futebol privado a um acto de sacrifício de todos nós, menos, naturalmente, dos que ficaram com as centenas de milhões que não foram expropriadas pelo Estado. Dito isto, o ar do tempo conservador está aí a explicar que aqueles malandros foram para a rua espalhar Covid-19. “Agora é que vão ver os mortos!”. Isto na semana em que foi divulgado que em mais de 5 milhões de trabalhadores houve menos de 290 mil estiveram em layoff (e uma parte parcial!), junte-se os 15% de teletrabalho e temos mais de 85% de todos os portugueses sempre desconfinados a trabalhar, se tirarmos o desemprego, mais de 4 milhões nunca pararam, leram bem, nunca. Ou seja, esta gente toda, que ontem esteve de verde na ruas, esteve sempre apinhada em transportes públicos, ou transportes colectivos de fábricas e empresas, a trabalhar, a ir ao supermercado, e depois “ai senhores! que foram rir para a rua”. Rir, vejam bem, que indecência. Em confinamento medieval pede-se um comportamento do Santo Ofício, rir é pecado, é uma expressão do Diabo.No capitalismo pode parar tudo menos a produção de lucro – foram paradas esplanadas mas sempre se construíram carros às 4 da manhã; foram vedadas praias mas nunca pararam de fabricar vestidos às 2 da manhã. Só isso foi essencial, indispensável. Tudo que seja afectos, festa e celebração faz parte da peste. Rir é proibido. Faz-me lembrar uma cena que adoro dos Gato Fedorento, em que os tipos imitavam uma sessão de cinema estilo King (cinema que eu frequentava semanalmente, confesso), e a certa altura o filme era tão mau que poucos lá ficam. Sobra um tipo, de óculos de garrafão, se a memória não me falha, e que a certa altura esboça um ligeiro sorriso e o Sr. que cuida da sala vai ter com ele indignado e diz-lhe “O Sr veio aqui para rir? Aqui não se ri!”. Divirtam-se! E, como diz o Sr. Pedro, operário, agora é abrir os arraiais que eu não gosto de futebol mas sou adepta do clube dos Santos Populares. E agora, sem turistas que bebem milkshake e comem paelha tradicional portuguesa na Rua Augusta talvez possamos voltar a Alfama, comer uma sardinha a um preço normal, e dançar sem sermos esmagados pela libertação do frio do norte da Europa.

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11 thoughts on “Rir é Proibido

  1. Claro que a Raquel tem inteira razão em mais esta importante denúncia, mas conviria ultrapassar um pouco o nível do faits divers, para ir mais à essência. Refiro-me, é claro, à origem. Quem instilou, potenciou e espalhou esta narrativa do medo, da peste e do ataque a comportamentos ditos desviantes, tentando culpar os desobedientes à narrativa oficial de contagiar os bonzinhos, foi o governo inteiramente secundado pelos acéfalos porta-vozes da dita narrativa (=media). Aquele por seu turno, numa atitude profundamente subserviente aos interesses oligopolistas internacionais, limita-se a reproduzir exactamente os mesmos slogans que a empresa de media-marketing internacional OMNICOM veio ensinar ao governo inglês e pelos quais este pagou a módica quantia de £1,6 B, em contratos destinados a fazer passar a “versão única da verdade”, de acordo com os ditames do WEF e apoiados vivamente pelo “Trusted News Cartel”:
    “Um nº substancial de pessoas ainda não se sente suficientemente ameaçado…O nível de ameaça pessoal tem de aumentar…através de mensagens emocionais de grande impacto…incluindo o uso da desaprovação social…para os que falhem em obedecer”…

  2. Se calhar, se calhar, daqui a 15 dias é que vai ser… Vai ser como depois da abertura das praias há cerca de um ano; como depois da Festa do Avante; como depois da Páscoa e da recente manifestação “negacionista” de pessoas sem máscara. Agora é que vai ser exactamente o mesmo cenário, o mesmo nada! Exactamente, 15 dias depois, a mesma lata e perda de memória por parte dos órgãos de comunicação e dos políticos que hoje prevêem uma subida catastrófica de casos nas próximas duas semanas. Daqui a 15 dias, recusarão lembrar-se do que disseram hoje e os mesmos especialistas que “acertaram” apenas no pós Natal (ignorando o frio e a sazonalidade inerente a um vírus deste tipo) continuarão também calados, acerca de tudo o que se disse hoje sobre os milhares que ontem saíram às ruas.

    O futebol pode até ser um bom retrato da forma como se tem gerido a pandemia. Jogadores e outros elementos continuam a usar máscara nos bancos, quando no instante seguinte saltam para o relvado, para jogar ou abraçar 11 colegas no festejo de um golo. Adeptos não são permitidos no estádio, onde poderiam cumprir distanciamento físico facilmente, mas são tolerados e até acompanhados pela polícia no exterior, aos magotes, antes e depois dos jogos das suas equipas. Os jogadores, grupo relativamente jovem de pessoas, testados e mais testados até à exaustão, apresentam zero mazelas (ou próximo disso), mesmo depois de tantos positivos ao vírus, que em muitos casos atingiu quase 100% dos plantéis de alguns clubes. Em suma, um conjunto de medidas irracionais e pânico injustificado, como em tudo o resto nesta pandemia. Só gostaria, eu que adoro futebol, que os portugueses se manifestassem como ontem por tantas outras coisas, verdadeiramente mais importantes…

  3. Sim tem toda a razão sobre o trabalho que nunca parou em lado nenhum, tirando lojas e restaurantesPois o Costa quere o dinheirinho para as benesses pré-eleitorais, pois ele sabe bem como se ganham eleições

  4. Esse pensamento dogmático aliás já nisxtzhe denunciou essa falta de alegria de viver um suicídio cínico e mundial em volta de um negócio de uma falsa pandemia tudo uns psicopatas os políticos eu não vi ninguém a fazer nada de mal aliás também e científico que a autoridade o dinheiro mexem e muito com a cabeça das pessoas e que há medida que as pessoas envelhecem ainda fica pior ou as teorias científicas só servem pó covid? Aliás a narrativa até que nesse verão já mudou ligeiramente agora toca a falar dos emigrantes pra daqui a três meses voltar a narrativa do cobvid

  5. O meu avô morreu com 27 anos de tuberculose teve na Guiné sugiro que o governo Me dê uma indenização de 1 bilião de euros por nunca ter conhecido o meu avô ainda no outro dia vi um camião cheio de troncos de árvores saiu um artigo que apesar da Pandemia a desflosteracao na Amazônia aumentou querem falar de problemas e coisas negativas então falem de tudo aliás essa negatividade toda ainda faz as pessoas ficarem mais doente também li um artigo científico sobre isso a senhora Raquel que me desculpe

  6. O Júlio Sarmento que morreu de câncer aos 72 anos e que disse bem o que ele fazia fazia por si e mais ninguém as pessoas tem que pôr na cabeça que ser político e uma profissão que estudaram e bem pra isso pra terem os privilégios que tem e o que fazem fazem somente por si em primeiro lugar o único que dei de si como disse o filósofo alemão foi Jesus o resto trabalha pra si quando enfim não desviam pra si algo como na parábola do administrador desonesto ora bolas com tudo isso esqueci o que ia dizer lol

  7. Desde criança que nunca gostei de futebol, e confesso nunca me esforcei por gostar, mas isso nunca significou que gostasse menos das vitórias do futebol, pelo contrário, qualquer vitória dos atletas e das equipas em qualquer desporto foram sempre bem vistas e um motivo de orgulho. Aliás, eu gosto muito de desporto e quase sempre pratiquei alguns, e do que mais precisamos agora, e sempre, são cada vez mais vitórias e boas conquistas, mas não apenas no futebol. Também acho que rir é o melhor remédio (livre e gratuito!) para muitos males, ainda para mais quando uma equipa já não ria pelo prazer de uma vitória há 19 anos!
    Não me crucifiquem por isto, mas a verdade incontornável e inegável é que há mais desportos e mais vida para além do futebol (e da pandemia!), tão espetaculares, importantes e necessários como o futebol, e igualmente ganhadores de muitas vitórias dentro e fora de portas, e que nem por isso têm merecido o nosso respeito, a nossa atenção, o nosso tempo e a nossa energia pelo justo valor das suas prestações, também nestes tempos de pandemia. Mas isto nem sequer tem a ver com o problema da pandemia, da utilização / não utilização de máscaras, do confinamento / não-confinamento e suas consequências, nem tão pouco das sucessivas contradições caricatas das decisões politizadas a que temos vindo a assistir nos últimos 2 anos – uns podem outros não podem; uns confinaram, outros não; uns deviam, mas não confinaram, outros confinaram, mas não deviam. O problema está em fazer do futebol um dos grandes motivos de parangona e levar à exaustão e desgaste todo o tempo, a atenção e as energias que o mundo lhe dedica, sobretudo nos casos de comportamentos menos dignos.
    Neste caso da vitória do Sporting, como em muitas outras situações relacionadas com o futebol, boas e menos boas, o que no meu entender salta mais à vista, é a exaustiva visibilidade e projeção que é dada aos momentos mais tristes do futebol. Até poderíamos entender os comportamentos observados nas ruas pelo motivo da falta de convívio social e de distanciamento físico a que todos temos estado sujeitos, porque estamos fartos de andar mascarados e assustados, mas nada justifica o aproveitamento da pandemia para acharmos graça aos exageros cometidos contra instalações e equipamentos públicos, e contra os agentes de segurança. Quer seja em contexto de pandemia ou não, o facto é que o que acontece muitas vezes nada tem a ver com respeito, com desporto, com fairplay ou com a euforia natural e legitima pelas vitórias. É como fazermos uma festa e deixarmos as garrafas, os copos e os pacotes dos amendoins pelo chão; ou como usarmos máscaras porque nos obrigaram e depois deixamos que as usadas se arrastem nas ruas da amargura ao sabor do vento.
    O vírus não tem respeito por ninguém, avançando e investindo impiedosamente contra tudo e contra todos, mas também acho que não é por virarmos tudo do avesso, partirmos coisas e batermos nos outros que ele vai deixar de nos atacar. Contudo, como em tudo na vida, por muito que tenhamos direito e razão, há uma diferença que sabemos e podemos fazer: continuar a rir e a festejar, sem medo, mas com fairplay, para que depois os do costume não venham arranjar “bodes expiatórios” para o que, no entender deles, correu mal, “virando o bico ao prego” e fazer voltar as pessoas a sentirem culpa e medo por não terem tido medo.

  8. Esta “pandemia” está a servir de desculpa para acabar com tudo o que traz sorrisos, prazer e bem-estar emocional.
    Proiba-se o riso, canto e dança para estarmos todos mais protegidos…

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