Paradoxos da História do Feminismo

Publicado no Jornal Sol

Em nenhum país hoje na Europa há igualdade salarial entre homens e mulheres. Elas trabalham mais em casa, eles trabalham mais fora de casa – também por isso eles vivem menos anos. Em Portugal morrem 30 mulheres por ano vítimas de machismo e mais de 100 homens vítimas de “acidentes” de trabalho (evitáveis). Um mundo decente está por construir. 

O feminismo foi atravessado por muitas contradições, paradoxos. 

Em 1968 foi pujante a visão radical das mulheres que recuperou as teses do amor livre de 1917 (o direito a amar para além das restrições materiais que, por pobreza, obrigava os casais a ficarem juntos – estamos a voltar a isso nas hipotecas?) 

Em muitos países o capitalismo, necessitando da entrada das mulheres no mercado de trabalho, teve um papel central na aceleração da independência das mulheres. Noutros, para gerir os “custos do trabalho”, teve um papel conservador. 80 por centro das crianças na RDA, uma ditadura, tinham infantário gratuito até aos 3 anos; na RFA, um regime liberal-democrático, menos de 3 por centro frequentavam o infantário. Na RFA a mulher ficava em casa.

A história não é linear –a guerra colonial e a imigração colocaram Portugal em 1974 com uma das mais altas taxas de trabalho feminino, perto do 40%. E hoje 49%. Na Holanda liberal de hoje não há creches gratuitas generalizadas – elas “estão” em casa a cuidar dos filhos, garantindo um pleno emprego artificialmente baixo.

Hoje, ganharam espaço movimentos de elite que querem as mulheres nas chefias das empresas. Pergunto-me: a vida das mulheres no mundo melhorou com Merkel ou Lagarde no poder? O mundo ficou menos desigual?

O feminismo foi também usado como combate puritano – caso do Metoo – contra o movimento dos trabalhadores nos EUA, liderado por Bernie Sandres. Elas diziam “mulheres”, ele dizia “working class”. Em países com forte pendor católico, a Irlanda e a Polónia, o feminismo continua a batalhar por fazer sair as mulheres da Idade Média. 

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5 thoughts on “Paradoxos da História do Feminismo

  1. bom dia, fiquei curiosa quanto à sua última frase porque vivo na Irlanda há alguns meses e não sinto isso, pelo contrário, as mulheres aqui parecem mais (comparativamente com a minha referência que é Portugal) “empoderadas”, pelo menos a nível das relações sociais e de casal. não há notícias de violência ou assassínios conjugais, na rua os homens são mil vezes mais respeitadores com uma mulher que passa (nem aquele olhar que em Portugal sentimos, muito menos as bocas), mas isto são impressões apenas, da rua, dos transportes, das lojas, dos consultórios médicos. admito que haja estudos que mostrem coias diferentes e gostava de os conhecer.

    • Veja o seguinte mapa: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Abortion_in_Europe.svg

      A autora deste blogue é pró-Aborto.

      Não me admira nada que, na Irlanda tenham uma sociedade muito mais saudável.

      Curiosamente, a mulher pela qual mais me apaixonei na vida, foi uma irlandesa – que se distinguia das portuguesas por ter traços muito mais marcadamente femininos (e que depois soube que tinha andado numa escola católica(?) só para raparigas).

      Felizmente, os irlandeses ainda são muito diferentes, para melhor, dos restantes europeus. E, espero que continuem a valorizar a Vida Humana.

      Mas, se observa que Portugal é pior do que a Irlanda, posso também dizer-lhe que, por exemplo a consideração por mulheres grávidas na “capital” da Europa, não tem nada a ver com o que por cá se pratica (i.e. em Bruxelas é muito pior do que em Portugal) – não havendo lá sequer lugares prioritários nos autocarros.

  2. “nem aquele olhar que em Portugal sentimos”
    Os homens não olham para as mulheres??? A coisa por aí vai mal…

  3. Mais,

    O feminismo moderno (que começou na mencionada década de 1960) é uma criação das classes dominantes.

    Sendo os seus objectivos,

    1) Poder cobrar impostos à outra metade da população (que dantes trabalhava em casa – e não era assalariada)

    2) Poder colocar as crianças mais cedo na escola, para poderem estas ser mais cedo (e, por isso, mais facilmente) doutrinadas (i.e. “lavadas ao cérebro”) pelo Estado

    (Ver: h*tps://www.prisonplanet.com/10-ways-true-feminism-is-under-attack.html)

    Pois, como toda a gente bem informada sabe, por trás dos governos que temos, está o Grande Capital – o qual, não só dá ordens ao Estado, como fica ultimamente com grande parte do dinheiro dos impostos, através de toda uma série de esquemas conhecidos.

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