2 thoughts on “O Proletariado do Teletrabalho

  1. “Solidariedade da classe média” para os mais pobres não é solidariedade/caridade, mas roubo, a solução de fuga para a frente e injusta que os governos arranjaram para não incomodarem os seus apoiantes, amigos e familiares patrões administradores e gestores ricos dos grandes grupos económicos privados e das empresas do setor público, incluindo os do próprio governo. Há sempre o argumento de que aqueles são os criadores de emprego e de riqueza, mas a riqueza de um país é o fruto da força e do suor do trabalho de quem trabalha por contra de outrem. Por isso, a riqueza criada deveria ser justamente distribuída de forma a não concentrar quase tudo nas mãos de alguns. Se o trabalhador dá 100 a ganhar ao patrão, porque razão o trabalhador recebe apenas 30? Todos temos despesas e impostos para pagar, e todos temos direito a usufruir dos mesmos privilégios na vida, incluindo a constituir uma família e assegurar o seu sustento e a sua qualidade de vida.
    Se houvesse fiscalização sistemática séria e imparcial sobre as fortunas de todas aquelas pessoas que acumulam riquezas e benefícios à descarada, sobretudo à custa de pagar salários precários e roubar direitos a quem trabalha e paga os impostos, os bens e riquezas que não são declaradas ou taxadas dariam para fazer justiça fiscal e pagar muitas dívidas a quem trabalha e não foge aos impostos. Depois, ainda há o caso do favorecimento de contratos, de negócios de ajustes diretos, de crime e corrupção das empresas e contas bancárias offshore (dinheiro quase sempre ilícito e para iguais fins), em territórios onde há baixa tributação, e ainda de todos aqueles que, comprovadamente, roubaram aos médios e pobres trabalhadores, mas que a Justiça, com complacência e medo, se inibe de fazer cumprir a lei, arrastando os processos nos tribunais até ao cúmulo de prescreverem!
    Admitiria que fosse solidariedade se o dinheiro fosse utilizado para resolver os problemas dos pobres – trabalho, saúde, educação e garantia de todos os outros direitos de direito para qualquer cidadão. Solidariedade dentro ou fora do país à custa do dinheiro dos outros (mas só de alguns), não é solidariedade, é roubo disfarçado de caridade pública!

  2. Perfeitamente desmontado o estado atual de miséria governamental.
    Pobres, classe média e ricos, respetivamente, nada têm, sobrevivem e tudo têm.
    Como resolver as dificuldades económicas das pessoas agravadas pela pandemia?
    Ação do governo: ajuda, através das taxas ou regime benévolo, dos que sobrevivem aos que nada têm, sendo que os que mais têm, ou mantêm o que têm, ou mesmo aumentam o que têm, ficando assim com mais.
    É sempre assim que se gere uma crise. E é exatamente por isso que os que mais têm tudo farão para que haja mais uma crise, prolongando-se periodicamente em dízima infinita.

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