O Príncipe

Há menos de 2 mil pessoas internadas em 10 milhões. Há colapso do SNS em serviços como oncologia e psiquiatria, entre muitos outros, mas esse colapso é tratado como “listas de espera”, “reagendamento de cirurgias” – não há filas à porta em ambulâncias, nem números de mortos diários a abrir telejornais com doenças crónicas, oncológicas, e saúde mental desfeita. Costa é um político de traços autoritários à procura de conservar um poder simbólico, materialmente já perdido. É essa a razão do país permanecer confinado – poder simbólico. Há que ler O Príncipe de Maquiavel para compreender António Costa e a fábula da ressurreição pascal. Não é a sua palavra que está a salvar, é o seu Governo. Que estejamos todos presos, uns porque pensam que gostam, outros porque pensam que não sabem resistir, é-lhe indiferente. O país pode afundar-se como um carro a fundo rumo a um precipício…desde que António Costa não perca o lugar de condutor. Rui Rio espera também pela ressurreição da Páscoa. Lá no fundo, no buraco de 8% de queda do PIB com menos de metade do salário médio da Europa e mais de um milhão de pessoas efectivamente sem produzir pode haver um milagre. Mais um, garante Marcelo.

2 thoughts on “O Príncipe

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  2. António Costa tem sido o expoente máximo da política de umbigo e escrutínio que marca os nossos dias. A política é hoje, mais que nunca, um jogo calculista de números e previsões, onde vence quem melhor antecipa o futuro e molda a sua actuação com base numa gestão calculada de responsabilidade ou reconhecimento, quer sejam os acontecimentos nefastos ou positivos para a sua imagem. O fluxo de informação é actualmente enorme e o próximo acontecimento sensacional está sempre ao virar da esquina de uma qualquer rede social ou meio de informação. O escrutínio é por isso máximo e os políticos sabem-no, gastando a maioria do seu tempo a preparar a melhor forma de lidar com este fenómeno de raiva, divisão, sede de culpados e “sangue” por parte da opinião pública. Tudo o que interessa a um político é, neste panorama, adoptar o comportamento e as medidas que menos votos lhe custe. Em suma, fazer rolar algumas cabeças, criar bodes expiatórios, afastar tenazmente responsabilidades e dirigir a atenção para onde menos interessa, para onde o dano for menor.

    Este tipo de escrutínio acaba, verdadeiramente, por não ser escrutínio algum. Quando muito, escrutinam-se pessoas e as suas vidas pessoais. Neste caos de comunicação e sensacionalismo, deixamos de escrutinar o que verdadeiramente importa: as ideologias, as ideias, os problemas de base de uma sociedade. António Costa sabe que não tem nada a ganhar em ser escrutinado pelas ideias do seu governo, porque neste momento não as tem. Governa para castigar, para capturar o pensamento crítico e manter o tal poder simbólico que a Raquel Varela tão bem refere. Por outro lado, a oposição pouco ou nada oferece em alternativa. Mesmo o PCP, que tem apresentado uma posição contrária à dos sucessivos estados de emergência e rebatido de forma interessante algumas das medidas tomadas, não tem visibilidade ou não é suficientemente incisivo na apresentação das suas ideias. Vi recentemente Jerónimo de Sousa responder a MST em entrevista à TVI, a uma pergunta (feita num tom vergonhosamente retórico) sobre os votos do seu partido contra o estado de emergência, de forma absolutamente acabrunhada. Quase tinha medo de escolher as palavras…

    É tempo de os partidos políticos deixarem de se preocupar tanto com o custo político das suas acções, assumindo com mais coragem as suas ideias e propostas para a vida das pessoas. Estamos fartos de calculismos e bandeirinhas. O custo dessa atitude está à vista e traduz-se num desinteresse cada vez maior das pessoas e de uma menor participação política e democrática. Já para não falar no aparecimento de “Chegas” oportunistas, que ganham a confiança do povo por dizerem ao que vêm. É que muito boa gente (sublinhe-se o “boa”), desiludida com tanta pobreza e desigualdades, já só quer que lhes digam concretamente ao que vêm, mesmo que o que venha seja muito pior e elas não o saibam, por via do desespero e da ignorância, distinguir devidamente.

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