De Hipócrates à Telepatia

Depois de anos a ouvir médicos vociferar contra a homeopatia vejo agora uma parte deles (com muitas excepções, felizmente) com um entusiasmo contagiante com a “telemedicina”. De Hipócrates à Telepatia…o progresso não pode parar. Depois daquele momento hilariante de ir ao médico que olha o computador em 5 minutos, em vez de olhar o doente, não lhe toca, e passa exames e receitas, entramos no momento da parapsicologia e do espiritismo – “O Sr não se atreva a aparecer no meu consultório!”. A produtividade, ora aí está. Naturalmente que a degradação da saúde dos portugueses fruto da automação da medicina vai ser debitado daqui a uns anos na conta da pandemia (e nunca nos seus erros grosseiros de gestão nem na restruturação produtiva à boleia oportunista da grave crise sanitária ) e, claro, no facto de ganharem 550 euros, trabalharem por turnos, mas malandros “não se alimentam bem, nem fazem exercício físico”. Oh meu povo adorado, devias ter nascido com um chicote junto ao certificado de culpa, adquirido logo por nascimento aqui na finisterra. Em breve ter um professor e um médico presencial será um luxo gourmet, uma experiência vintage-bio.

5 thoughts on “De Hipócrates à Telepatia

  1. A máquina trituradora da “Gestão” atira-os para saídas de emergência que de repente lhes parecem auspiciosas soluções. É um fenómeno conhecido, acreditar que se descobriu algo novo, do qual se pensa fazer parte, como saída airosa de uma insuportável vivência subjugada a parâmetros cada vez mais demitidos do humanismo. Assim parecem mitigar a crescente desolação intelectual e moral, sentem que dela se conseguem proteger, mas não deixam de contribuir para uma desAparição adiada.

  2. Somam as mortes covid de 2020 e 2021, algo que nunca aconteceu… mas que passou a normal. No entanto em 2017 morreram um pouco acima de 800.000 crianças abaixo do 5 anos de pneumonica, e a classe de profissionais de saúde não disse para ficar em casa, nem a mass média fez qualquer referência ao assunto aterrorizando os cidadãos diariamente.

    Parabens pela coragem, como personalidade publica que é, mas é a ultima vez que lhe escrevo.

  3. O mais grave desta situação é que isso é apresentado como uma enorme vantagem para os pacientes. E o pior é que, do que vou percebendo à minha volta, a generalidade das pessoas aceita essa solução e até a valida como excelente. E percebo que ninguém faz a reflexão que o seu texto introduz. O que me deixa cada vez mais preocupado; vejo que a ignorância domina a nossa sociedade e caminhamos rapidamente para uma crescente desumanização, que me faz sentir a viver dentro de um daqueles horríveis filmes de ficção científica de há uns 40 anos, que de repente se tornou numa aterradora realidade.

  4. sou médica de família e não podia estar mais de acordo. a Telemedicina, se for um acrescento a uma relação paciente-médico já estabelecida é uma mais valia. se for um substituto obrigatório das consultas, se for A relação, é a degradação do acto médico.

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