Denuncia o teu vizinho, confia no Estado

Nem o SNS nem o sector privado esgotaram a capacidade. Há um caos instalado porque nunca houve planos e quem sabe realmente gerir a saúde – os profissionais de saúde – nunca foram chamados a fazê-lo. A gestão profissional falhou em toda a linha. Apenas 15% das ambulâncias de Santa Maria são urgentes , mas não há centros de saúde abertos que encaminham para os hospitais os doentes. Nos lares não há trabalhadores – chamam-se os bombeiros que encaminham todos para o hospital. O hospital entra em estado de caos. As pessoas com doenças não Covid morrem com medo de ir ao hospital. Em suma, há um plano que ninguém fez porque ninguém cumpre porque ninguém fez o que se planeia que não se cumpre – explicou a Ministra para todos ouvirem na entrevista na RTP em que tantos dizem que a Ministra “esteve impecável”. O Estado procura salvação na sua própria legitimidade.

O discurso de Marcelo ontem não foi para pedir desculpa por ter apoiado a salvação de 7 bancos no valor de 2 serviços nacionais de saúde e meio. A lista destes devedores falidos a comprar urbanizações e piscinas e cujo património salvámos ainda não foi tornada publica pelo Banco de Portugal. As palavras do Presidente foram para dizer que quem ficar doente é culpado (sendo que quase 3 milhões estão obrigados a trabalhar fora de casa) – o populismo é assim, demagógico, paternalista e freudiano. Tirando o PCP (de que não sou apoiante) e muitos juristas e professores de Direito ninguém parece ter percebido que o poder executivo em Portugal não só suprimiu direitos e liberdades e garantias como passou a dispor directamente do poder legislativo e judicial. Agora fecham-se tribunais a mando do executivo e depois manda-se o legislativo aprovar o fecho do judicial a mando do executivo. E faz-se um discurso a dizer que é… para continuar em frente. O tempo que for necessário.

Entretanto a dívida pública onde estão os activos que pagámos nunca foi suspensa, ou sequer auditada. Tudo isto enquanto ouvimos estes discursos a uma nação assustada e triste, que não só pagou até ao último cêntimo – e não sabe a quem nem porquê -, como ainda é colocada a pedir perdão se tiver a ousadia de adoecer. Estimula-se a delação privada e ao mesmo tempo pede-se a confiança inabalável no poder público condenando todos os que discordam à autocensura. Em suma, a máxima que nos pedem é – denuncia o teu vizinho e confia no Estado.

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1 thought on “Denuncia o teu vizinho, confia no Estado

  1. Muito lúcida a sua visão. O hospital de Aveiro e o de Leiria estão vazios. Muito abaixo do normal para esta época sazonal típica da gripe.

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