Provas de Agregação

Caros amigos, é com gosto que torno público que farei as minhas provas de Agregação a 18 e 19 de Fevereiro, na Universidade Nova de Lisboa. São 3 provas, em dois dias, onde defenderei perante o juri o meu Curriculum e percurso académico, uma nova disciplina que criei (História das Revoluções no Século XX) e darei uma aula magistral – História Global da Revolução dos Cravos.

O confinamento de Março deixou-me sem capacidade de resistir aos encantos do meu marido, Roberto della Santa, que todos os dias, entre abraços e beijos eternos, me perguntava se…era hoje que eu ia começar. Confinada, sem viagens semanais, não tinha como resistir-lhe – é para ele a dedicatória destas provas, que espero honrem o carinho e a crítica teórica e cientifica que ele colocou nelas. Sem amor, sem paixão, desejo e admiração, o afecto, os abraços e os beijos, sem proximidade social, não somos ninguém. Deixarei aqui o link para quem quiser assistir aos apuros e ansiedades e desafios. E a essa coisa deliciosa – o bichinho – que é a aventura de termos compreendido, através da investigação, algo.

No livro que ando ler do filósofo Alain Badiou, Elogio do Amor, ele recorda-nos que a felicidade amorosa é ” a prova de que o tempo pode acolher a eternidade” e só é comparável ao entusiasmo político revolucionário, ao prazer das obras de arte e à alegria, “quase sobrenatural de termos compreendido em profundidade uma teoria científica”. O Júri será presidido pelo Director da FCSH e professor catedrático Francisco Caramelo, e constituído pelos professores catedráticos Fernando Rosas, Manuel Carlos Silva, Marcel van der Linden, Valério Arcary, António Costa Pinto, Maria Fernanda Rollo.

12 thoughts on “Provas de Agregação

  1. Não me canço de lhe dizer que não houve nenhuma “revolução dos cravos”,foi sim um golpe de Estado protagonizado por militares. A Dr,Varela vê a revolução ou antes golpe de estado de uma forma muito romantica

    • Eu vive de perto todos esse movimento, o que esta a dizer é verdade, foi um golpe militar preparado por capitães que não estavam no quadro, tinha mais haver com as ex-colónias…
      Um Ex-RPAC

      • Perdoe-me a correção, mas “Eu vivi … todos esses movimentos … o que está …” e “… tinha mais a ver …”

  2. Muitos parabéns, querida Raquel. É com a maior felicidade que compartilho a sua, a do seu amor e a da sua carreira académiica. Afinal, quando somos felizes, tudo é mais fácil, ou corre melhor. A História da Revoluções é uma área da maior importância para a compreensão da nossa sociedade: chegámos até através das revoluções. E também aproveito para a felicitar pela sua intervenção pública. Sou dos que defendem a intervenção pública dos intelectuais e dos artistas, que corram os riscos da exposição, do debate, da crítica. Força para si. Um beijo de grande estima e apreço. Carlos Matos Gomes

    Raquel Varela escreveu no dia quarta, 27/01/2021 à(s) 12:06:

    > Raquel Varela posted: ” Caros amigos, é com gosto que torno público que > farei as minhas provas de Agregação a 18 e 19 de Fevereiro, na Universidade > Nova de Lisboa. São 3 provas, em dois dias, onde defenderei perante o juri > o meu Curriculum e percurso académico, uma nova discipl” >

  3. O Arantes finge desconhecer que o golpe militar foi seguido sim por uma revolução popular onde os portugueses, até aí menorizados e incréus, de um dia para o outro passaram a ter voz activa, a ter ideias e propostas, iniciativas e soluções. Lançaram-se na alfabetização e na conquista dos direitos que sempre lhes foram negados e puseram fim à guerra colonial, entre muitas outras coisas. Se isto não foi uma revolução então o que foi????????

    • …eheheh. Ao ler a obra de Franco Nogueira nao diria isso. O Estado Novo teve uma visão e plano de país. Construiu milhares de escolas, centros de saude e hospitais – coisa que a República nunca conseguiu fazer. Até aos anos 80 portugal tinha cerca de 55 mil camas de hospital – do serviço publico – atualmente tem cerca de 35 mil, uma evolução então. No que respeita às escolas primárias – quer fazer as contas às que se fecharam? …o 25 de Abril foi muito bom para os militares de carreira (os que conheço estão todos ricos e com casas de férias no alentejo e algarve… além de apartamentos a arrendar em várias cidades portuguesas) e para a casta politica, que as familias são as mesmas desde o tempo do Fontes Pereira de Melo.

  4. É com muita satisfação que recebo essa notícia. A Senhora é um verdadeiro exemplo de coragem, inteligência, resiliência, e acima de tudo, de grande humanismo, para todos, especialmente para as mulheres. A minha admiração e respeito por si é tanto maior quanto maior é a sua dedicação e generosidade perante a causa e o serviço público que serve em prol da construção de uma sociedade e de um país melhor. Já tenho pensado muitas vezes como consegue ter energia para lutar em tantas frentes e ter disponibilidade para fazer tantas coisas! Agora percebo porquê, quando fala do amor, daquele que faz mover montanhas. Também tenho reparado que nunca fala com tom altivo, rancoroso ou zangado, que fala sempre com gentileza e leveza, esboçando frequentemente um sorriso tranquilo e meigo. Mesmo para quem não concorde com as suas ideias, ou para quem nem sequer a queira ouvir ou ler, tenho a certeza que ganhariam sempre em a ouvir ou ler o que escreve. Quem pode dizer que não compreende um pensamento tão fluido, claro, coerente e bem fundamentado como o seu? Quem pode não ficar contagiado com esse “bichinho” de que nos fala?

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