Emergência Salarial

O Estado de Emergência não é necessário legalmente para medidas de saúde pública nem tem qualquer efeito nas taxas de contágio. O mundo e Portugal estão a passar por um processo de restruturação produtiva de substituição massiva de postos de trabalho, automação e subsídios a empresas ” verdes” que vão implicar milhões de novos desempregados e queda geral dos salários – a renovação do Estado de Emergência serve o propósito de fazer esta restruturação sem greves, protestos ou reacção por parte dos trabalhadores. O paradoxo da história é que esta restruturação também vai ser feita nos serviços de saúde e na educação onde, em breve, seremos atendidos digitalmente em muitos serviços (já estamos), e são tantos os profissionais de saúde que pedem mais medidas restritivas e apoiam estas…cavando o seu próprio desemprego. Quando as alas COVID estão de facto pressionadas mas o resto está em sub utilização – e o resto é a maioria de quem trabalha na saúde.

A queda do salário, prevejo, será em torno dos 25% – a TAP parece ser o laboratório. A “bazuca” (empréstimo do Estado-Banco Luxemburgo) cumprirá a circulação financeira do mesmo, acumulando juros pagos pelos países periféricos aos países centrais – as empresas recebem dinheiro emprestado, despedem, enviam trabalhadores para a segurança social, pré-reforma ou reforma, e contratam menos trabalhadores por menos salário- tudo com a “bazuca” como garantia, ou seja, nós contribuintes. Não há nada de ecológico nem sustentável nesta restruturação produtiva e o Estado de Emergência impede ou atemoriza os sectores que se podem opor a esta restruturação, -transportes, logística, serviços públicos, fabril -, porque os convida à não reacção, ou inibição da ação.


Ninguém criou este vírus, isso de facto são teorias absurdas, mas o que se está a fazer à boleia da pandemia só é comparável, creio, à restruturação da década de 70 – um desastre que vai aumentar o cansaço, a desmotivação, e fazer cair ainda mais o mercado interno português à boleia dos baixos salários. E um aumento enorme da desigualdade mundial. Não há uma estratégia de país, por parte das elites que o governam – nunca houve, mas agora é óbvio. Está em curso uma nova Troika, uma queda geral de salário e um desemprego que vai passar 1 milhão, creio até 1 milhão e meio de pessoas (já está nos 800 mil), e o Estado de Emergência é a sua garantia. A pandemia tornou-se para muitos um drama e para outros uma oportunidade. É tudo eticamente inaceitável. E resistir a isto é um dever do mundo do trabalho, das pessoas civilizadas e de quem não cede a democracia ao medo porque sabe o preço que a história nos obrigada a pagar quando o fazemos.

A Emergência é garantir empregos, salários, redução do horário de trabalho sem redução salarial, políticas realmente ecológicas para salvar as pessoas, uma economia política do bem estar. E direitos democráticos.

5 thoughts on “Emergência Salarial

  1. A Raquel tem inteira razão no tocante à tremenda ofensiva do capital contra o trabalho à boleia da pandemia e da cultura do medo, exacerbada pelos media subservientes. Já não a tem sobre a origem do vírus. É sabido que um certo número de laboratórios estão há muito dedicados a cultivar vírus, destes e outros, com o objectivo de os tornar particularmente contagiosos e graves. Whuan é apenas um deles. Sucede ainda que os níveis de segurança da maioria desses laboratórios é medíocre ou menos que isso. Para perceber o resto não é preciso muita imaginação. E a procissão ainda vai no adro.
    Não esbanjámos…….. Não pagamos!!!!!!!!!!!!

  2. Eu acho que a Raquel está a considerar alguns temas como «forças opostas», quando nem sempre o são.

    Portugal é um dos países mais envelhecidos do mundo. Se não queremos voltar aos tempos em que as pessoas tinham que trabalhar até ao dia da sua morte, de forma a puderem subsistir, ou aumentamos brutalmente a imigração, ou aumentamos a automatização de várias tarefas, ou optamos por um misto das duas (que me parece ser a solução mais viável a curto e médio prazo).

    A automatização, que pode gerar aumentos de produtividade significativos, também poderá permitir o que a Raquel defende: trabalhadores a trabalharem menos horas, sem decréscimo de salários.

    Só para terminar, e ainda acerca deste tema da automatização do trabalho, automatizar tarefas mais simples e rotineiras, permite às empresas deslocar os trabalhadores para funções de maior complexidade, nas quais me parece que muitos se irão sentir mais realizados e onde as valências do ser humano podem aportar mais valor.

    Em suma: nem sempre as coisas são preto/branco.

    • O Pedro deve estar muito equivocado quando alude aos grandes aumentos de produtividade devidos à automação (e às novas tecnologias). Em teoria pode ser que sim, mas como diz o outro, uma coisa é a teoria, só que na prática, a teoria é outra. Se se consultar as estatísticas da produtividade, percebemos que ela tem vindo a baixar substancialmente e até a estagnar nas últimas décadas, precisamente quando os gurus da globalização asseguravam amanhãs cantantes. Ora se estamos num pico de automação e inovação tecnológica e a produtividade se mantém cada vez mais anémica, é que a história está mal contada. Porque será???????

  3. Boa noite Raquel. São 20:10 de 6 de janeiro e estou a ver as notícias da rtp1 a dizerem que uma UCI em Lisboa está a 90% da capacidade. Será que se refere apenas a ala covid? Alguém está a omitir informação? A enviesar dados?

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s