Homicídio no SEF

“Foi preciso a Comissária Europeia condenar Portugal para que, 9 meses depois do mais bárbaro homicídio, o Governo e o PR tomassem decisões. Ihor Homeniuk foi espanado pelo SEF e morreu asfixiado, I can’t breath, lentamente, pela perfuração pelas costelas partidas do pulmão, por 3 homens, sendo que um comentou à saída do crime, dentro do aeroporto “hoje já não precisamos de ir ao ginásio”.

Mais de 10 pessoas encobriram o caso, dentro do SEF. Foi produzido um relatório onde o mesmo tinha sido dado como morto por doença súbita. O médico legista e uma denúncia anónima conseguiram que a verdade fosse conhecida, desde Março. O caso foi noticiado durante estes 9 meses nos jornais, com os detalhes sádicos, por 3 jornalistas que diligentemente nunca largaram o caso no DN e no Público. Porém, não houve reacção das Instituições nestes 9 meses…até à UE – e bem – intervir. O Ministro auto candidatou-se a medalhas e criou um botão de pânico (às vezes achamos estar no sketch e não num país) e Marcelo disse mesmo que nunca falou neste tempo sobre o caso porque “ninguém lhe perguntou”. O mesmo Presidente que liga para programas de televisão em directo e está em todo o lado ao mesmo tempo, comentando tudo.

Este é para mim um caso de declínio evidente e problemas estruturais do Estado português, e não só do SEF, já que pela cronologia dos acontecimentos tudo indica que sem a União Europeia a viúva de Ihor ainda estava a pagar o funeral a prestações (7 salários mínimos na Ucrânia, só para transladar o corpo do marido) e nem um diplomático e seco bilhete bilhete de condolências teria recebido. O jornalismo denunciou – sem consequências – por 9 meses. E nós, cidadãos comuns, tão desprovidos de poder efectivo na esfera pública real, mostrámos durante meses a indignação nas redes sociais, sem agir também. Não há só um declínio do Estado, que tem um SEF dentro de si, como parte de si. Há um declínio da política fora do Estado, do controlo democrático, da acção colectiva”.

4 thoughts on “Homicídio no SEF

  1. É exactamente devido à passividade geral, é que a Polícia, nos casos menos graves, continua a agir quase impunemente, neste País…

    (E, que o último continua a aparecer na lista negra da Amnistia Internacional, por exemplo.)

    E, este é mais um daqueles casos em que têm de ser outros a intervir, ou a pressionar por Justiça – pois, quem é vítima dos abusos e da violência policial gratuitos é que, normalmente, não está em condições de poder lutar de volta.

    «Mais de 10 pessoas encobriram o caso, dentro do SEF.»

    E, depois vêm com lengalengas de que “não são todos os polícias que são maus” ou “a maioria dos polícias são bons” etc…

    (Quando, sabem as pessoas bem informadas que, quem decide denunciar a corrupção e os abusos no seio das forças policiais acaba por ter de sair, devido ao assédio constante por parte dos seus colegas…)

    Juntando quem matou aos que encobriram este homicídio, com que percentagem das pessoas que lá “trabalhavam” é que ficamos?

    • Ainda, para os ingénuos e ignorantes,

      Acham que, logo por enorme coincidência, todos os “elementos maus” do SEF estavam a trabalhar naquele dia, no mesmo turno – e foi por isso que este caso foi encoberto? Ou que, a estarem outros colegas seus a trabalhar em tal turno, as coisas se teriam passado do mesmo modo?

      Abram os olhos e informem-se sobre quando e por que razão surgiram as várias forças policiais, nos vários países…

      E, vejam como a Polícia irá alinhar com tudo o que serão medidas opressivas que estes governos corruptos irão decretar.

      Também, interroguem-se sobre por que razão tais forças policiais não permitem que quem (ao contrário de muitos dos elementos das mesmas) não é conhecido por espancar ou matar pessoas gratuitamente – nem tem cadastro – possua armas para se defender a si próprio.

  2. Cara Raquel, apenas uma nota lateral: eu trabalho na Holanda auferindo aqui 7 vezes, repito sete vezes mais do que auferia em Portugal. Por isso dou graças à livre circulação de trabalhadores dentro do espaço comunitário. É o que permitiu nos períodos de crise darvl esperança a muitos jovens que encontraram noutros países mais prósperos da UE trabalhos com salários decentes e condignos.

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