Medidas contra a pandemia

Entrevista que dei sobre as respostas à pandemia.“Inverteu-se a ordem das questões. O SNS tem que nos salvar. Não somos nós que temos que o salvar. São 20 anos de erosão de recursos, identificados. Estive anos a publicar estatísticas do número de profissionais de saúde, o Governo conhecia tudo, agora querem inventar anestesistas e intensivistas? Que levam 6 anos a formar. Exportamos enfermeiros e médicos, mesmo esta Ministra elogiou a migração destes, e agora importamos ventiladores que não são uma play station, não trabalham sozinhos. Estivemos anos a achar que os investigadores de saúde pública eram uns tipos fechados num gabinete que não faziam nada e por isso cortaram-se financiamentos de investigação e organização. Pagamos 1500 euros a um médico e 900 a um enfermeiros, é natural que o Governo não tenha, face a estes salários, nada a propor a não ser “fechem-se em casa”. Vão criar uma brigada para lares? E eu pergunto: com que médicos e enfermeiros?

A China não pode ser exemplo para ninguém – é uma ditadura. Nenhuma ameaça, de saúde, nuclear, de guerra, pode autorizar o Estado a limitar direitos liberdade e garantias. A quarentena só é uma medida aceitável num curto espaço de dias, tudo o que passa além disso será mais prejudicial ao conjunto da sociedade.

Não há uma experiência do confinamento, há várias. A maioria da população do mundo nunca esteve confinada (metade nem acesso a água potável e/ou sabão tem); sectores médios têm casas amplas, com jardins; ou porque pertencem a classes proprietárias, que já vivam confinadas – apartadas das outras classes, nunca iam, por exemplo, ao supermercado, e as casa têm mesas que permitem manter o distanciamento físico entre a família, por exemplo; depois há quem esteve confinado, vive em prédios, com elevadores, e trabalha e nunca deixou de trabalhar. Portanto o confinamento foi vivido de forma muito distinta. Eu vivo num lugar privilegiado, todos temos o seu quarto, eu trabalho sozinha no meu escritório, mas sempre me incomodou a falta de empatia social, não saber colocar-se no lugar do outro, e exigir mais confinamento, mais estado de exceção, esquecendo a vida de quem está entalado em transportes, casa pequenas, e ainda culpabilizá-los quando vão a um restaurante.

“No link podem ouvir a entrevista completa. Faço aqui uma série de propostas concretas sobre o que fazer neste período, espero que ajudem à reflexão.“A historiadora Raquel Varela identifica inúmeras questões de grande relevo relativas aos tempos que vivemos. Para Raquel Varela, a qualidade dos diferentes espaços que habitamos influencia tanto a nossa saúde como as relações que estabelecemos com os outros, pelo que a qualidade dos espaços deveria ser considerada, a favor de uma “economia política da felicidade”. Aqui fica o seu precioso testemunho.” Por Ana Sofia Silva

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2 thoughts on “Medidas contra a pandemia

  1. A sociedade que temos é a sociedade da destruição é isto que acontece quando se subverte a lógica das coisas, os cidadãos não têm de se adaptar a uma ordem estabelecida pela a arbitrariedade. O poder tem a pretensão da moralidade. Estabelecer regras de civilidade e instituir uma lógica de culpabilização é o “Santo Graal” de um modelo que não serve a ninguém. Houve uma altura em que quem não tinha condições para um objetivo que se quer comum era ajudado, atualmente é excluído, vilipendiado e ostracizado. A pretensão dominou o mundo, individualidade ou individualismo, pois, é isto, a nossa liberdade são os horizontes dos outros, a incomoda realidade insiste em destruir a mais profunda convicção.

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