Barbárie Tecnológica

Artigo indispensável de Naomi Klein, jornalista canadiana, sobre o que nos prepararam os Estados e a Google e outras empresas, detalhadamente referidas neste artigo republicado pelo Intercept Brasil. Por favor carreguem no link para o ler todo, um futuro sem trabalho médico, de professores, de motoristas – a barbárie tecnológica:

“Estamos prontos, entramos com tudo”, disse o governador.
“As primeiras prioridades do que estamos tentando fazer”, disse Schmidt, “são focadas em telemedicina, aprendizado remoto e banda larga (…) Precisamos procurar soluções que possam ser apresentadas agora, e aceleradas, e usar a tecnologia para melhorar as coisas”. Para que não haja dúvida de que os objetivos do antigo CEO do Google eram puramente benevolentes, o fundo de seu vídeo apresentava um par de asas de anjo douradas emolduradas.

Apenas um dia antes, Cuomo (governador de Nova Iorque) havia anunciado uma parceria semelhante com a Fundação Bill e Melinda Gates para desenvolver “um sistema educacional mais inteligente”. Chamando Gates de “visionário”, Cuomo disse que a pandemia criou “um momento na história em que podemos realmente incorporar e levar adiante as ideias [de Gates]… todos esses edifícios, todas essas salas de aula físicas — por que manter isso com toda a tecnologia que temos?”, ele perguntou, aparentemente de forma retórica.

Demorou algum tempo para ela se formar, mas algo parecido com uma Doutrina de Choque da Pandemia está começando a aparecer. Chame de “Screen New Deal”. Muito mais high-tech do que qualquer coisa que vimos nos desastres anteriores, o futuro que está surgindo à medida que os cadáveres ainda se acumulam está tratando nossas últimas semanas de isolamento não como uma necessidade dolorosa para salvar vidas, mas como um laboratório vivo para um futuro permanente — e altamente lucrativo — sem contato físico.

https://theintercept.com/2020/05/13/coronavirus-governador-nova-york-bilionarios-vigilancia/?fbclid=IwAR0PAtf03aoGhSvYdPdY0Go2TC86hORtJeDMAIfVzxceqQWNaHkkoHZDe9o

4 thoughts on “Barbárie Tecnológica

  1. Assustador….. O medo é o pior vírus..
    Como vejo o que se passa no mundo.
    1º Ensaio – “invasão” controlada da Europa por africanos e asiáticos
    2º Ensaio – Covid-19 (um vírus de baixa letalidade, aproveitado e reaproveitado para lançar o pânico, alterar as condições do mundo do trabalho e testar a reação dos povos ocidentais, quando lhe são retiradas a maioria das liberdades, aumentar o o número de Apps e Algoritmos de nos espiam e controlam
    1º Acto – Ou um futuro muito próximo envolto num véu escuro, com muito pouco de diáfano, mas que não deixa adivinhar nada de bom

  2. A preocupação é legítima, mas é importante entender que automatização e teletrabalho podem ser bem ou mal utilizadas (incluindo teleconsultas e telemedicina). Podem ser mal ou bem utilizadas. E consoante a aplicação podem aumentar ou diminuir desigualdade, e diminuir ou aumentar uma boa vida social.

    Se para um assunto perfeitamente corriqueiro me chega uma rápida teleconsulta, a deslocação que evitei é tempo para eu estar com família e amigos, mais tempo para o meu médico dar a quem precisa, e um pouco menos de tempo para quem está em filas de trânsito porque está lá menos o meu carro.

    Em universidades, muitas alas teóricas são do ponto de vista de contacto entre alunos e professores, uma inutilidade. Digo isto como aluno e professor. São cem alunos num anfiteatro a ouvir um professor despejar matéria, muita dela igual há décadas (particularmente verdade em ciências básicas). Como aluno, tendo no último ano decidido faltar às teóricas de uma cadeira, estudando pela sebenta, para conseguir uma 6a feira livre, o que consegui foi um enorme aumento na minha qualidade de vida. O caminho de ida e volta de comboio todos os dias não é fácil, e muito menos o é conciliar estudo e prática desportiva.

    Ter conteúdos em vídeo para mim teria sido uma mais valia. Se ficasse sempre em casa às 6as seriam cerca de 2:30h a mais por semana, para amigos, treinos ou dormir. Para não dizer que são bastante mais eficientes em termos de aprendizagem. Posso pausar para pensar 5 minutos se precisar, em vez de me perder e ficar o resto da aula a olhar para o boneco. Como professor, menos tempo com teóricas que poderiam ser filmadas, para passar mais tempo com alunos em gabinete e práticas, onde o contacto humano realmente acontece, só teria favorecido os meus alunos.

    Para muita gente, 3 dias de trabalho em escritório e 2 de teletrabalho, significa que compensa ter uma casa mais longe do centro da cidade. É bem diferente ter de efetuar deslocações 3 em cada 7 dias, e 5 em cada 7 dias. Na prática significa uma casa com muito melhores condições, por um preço mais baixo.

    Claro que também poderia apontar muitos potências problemas. Agora convém entender é que o ser mau ou bom depende de como se aplica.

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