Velhos de Todo o Mundo Uni-vos!

Não existe nenhuma base cientifica, de saúde pública, legal, e, a mais importante, ética e humana, para confinar pessoas ou limitar a sua circulação em função da idade. As pessoas devem ser educadas, aconselhadas, mas ser velho não é ser incapaz e ter perdido direitos jurídicos, entre eles a liberdade de pensar, decidir e circular por si próprios. Onde iremos parar se tal ideia avançar? Vamos confinar 1 milhão e meio de diabéticos, os fumadores, os cardíacos, os drogados, e todos aqueles que, para sua própria protecção, decidimos aprisionar? Podia usar o argumento verdadeiro de que, mesmo entre os idosos, 87% dos infectados conhecidos sobrevive, e há lares onde o número de conhecidos infectados, sem sintomas, chega aos 50%. Portanto a taxa real de mortalidade está por conhecer e mesmo nos idosos com mais de 75 anos, pode ser algures entre 1% e 10%. O segundo argumento é mais doloroso e evidente: quem mais morreu em Portugal foi quem esteve confinado. Sim, 2 milhões e meio de portugueses foram trabalhar durante dois meses, e andar de transportes públicos e ao supermercado sem máscara, e quase 50% ou ainda mais dos mortos, números reais com os dados da Escola de Saúde Pública, são de idosos, a maioria confinados em lares, e com mais de 75 anos. E, tudo indica, contaminados por profissionais de saúde, eles mesmos enviados como kamikazes, expressão deles próprios, desprotegidos pelas políticas do Governo. Governo que determinou que os filhos estavam impedidos de abraçar os pais, mas não obrigaram nem deram protecção aos profissionais quando iam aos lares, ou em hospitais e centros de saúde não Covid, durante semanas sem material de protecção. Portanto a estatística fala por si: o confinamento em lares é o factor de maior risco que existe em Portugal para se morrer de Covid-19.

Mas não quero usar esse argumento, da probabilidade de morrer-se e da idade, é um argumento biológicos. a vida humana não isso. Embora o argumento dos números seja duro e doloroso para este Governo, Misericórdias e lares privados, que falharam em tudo, mostrando a realidade miserável a que são votadas as populações mais pobres, que, quando têm demências, mesmo nos sectores ditos de classe média, não podem pagar uma residência privada confortável e bonita, e têm que largar os seus pais e avós em lares sobre lotados, sem condições, às vezes ilegais, porque simplesmente não existe em Portugal um serviço de cuidado público para os mais velhos, que são os que mais descontaram e pagaram serviços!. Quero usar outro argumento, para mim o que prevalece – o da liberdade e do respeito pela pessoa humana. Não se homenageia o 25 de Abril na Assembleia, com discursos que fazem de Abril um facto mumificado. O 25 de Abril celebra-se todos os dias com a vida, nas nossas ideias e acções, é esse Abril que é futuro agora. Não podemos defender Abril em palavras e suspender o direito à greve, e confinar idosos, em acções. A liberdade, amigos, não tem preço; a vida reduzida ao estado biológico, sem que se possa ver filhos, netos, beber um copo, passear na montanha, namorar ou simplesmente ter a liberdade de não fazer nada, não é vida alguma. Sou a favor da educação para a distância física, higiene, máscaras, mas contra quer prolongar o confinamento, sobretudo contra prolongar para certos sectores, abrindo um precedente de eugenia social. Os sectores de risco em Portugal, muitos com 45 e 50 anos e diabéticos ou hipertensos dos turnos nocturnos e da má alimentação, bem como idosos, e todos nós, devemos ser aconselhados. Jamais criar-se uma lei que lhes retire direitos, liberdades e garantias.

A cereja no bolo é que, segundo os media, o Governo e a CGTP, a UGT não sei, terão negociados que vai haver concentração no 1º de Maio, com distanciamento (o que acho bem, os trabalhadores devem manifestar-se e o farão em todo o mundo, com distanciamento fisico), mas em Portugal , diz o jornal, só vão alguns dirigentes sindicais com lugares marcados, e não podem ir crianças nem idosos. Bom, cabe-me a mim lembrar que o 1º de Maio foi conquistado pelos velhos que hoje estão proibidos de lá ir, trabalhadores que encheram os cofres da Segurança Social, hoje delapidada para pagar os layoffs, até de empresas lucrativas, e que – se é verdade que uma central sindical aceitou isto -, devia pensar duas vezes, ainda está a tempo de recuar – os sindicatos só são úteis se são baluartes de liberdade e direitos. Só me ocorre perante isto, Velhos de Todo o Mundo, Uni-vos!

6 thoughts on “Velhos de Todo o Mundo Uni-vos!

  1. Olá Raquel,
    Tanto quanto sei a questão do lay-off está relacionada com o Orçamento de Estado e não com o orçamento da Segurança Social. Apesar de que, sou totalmente contra o lay-off e os aproveitamentos que daí advêm.
    Cumprimentos!

  2. A maior parte dos infectados nem dá por isso, por não manifestar sintomas.

    E, um estudo da Universidade de Stanford, nos EUA, que fez testes aleatórios à população, concluiu que a real taxa de infecção na população é 50 a 85 vezes maior do que as estatísticas oficiais dizem.

    Logo, dividindo a suposta taxa de mortalidade (para a qual apenas contam os casos confirmados de infecção) pelo mesmo número de vezes que a real taxa de infecção está a ser subestimada…

    Temos que a real taxa de mortalidade é de 0.12% a 0.2% – ou seja, que a taxa de mortalidade deste novo vírus pouco diferente é da de uma gripe.

    h*tps://www.irishtimes.com/news/health/coronavirus-cases-may-be-tens-of-times-higher-than-previously-thought-study-says-1.4232557

    Todos os anos morrem milhares de pessoas por gripe – e não é por isso que os governos mandam toda a gente ficar em casa. (No Inverno de 2018/2019 mais de 3 mil pessoas terão morrido devido à gripe em Portugal.)

    h*tps://www.dn.pt/vida-e-futuro/mais-de-3-mil-pessoas-terao-morrido-devido-a-gripe-em-portugal-no-ultimo-inverno-11396230.html

    Logo, não é por estarem preocupados com a saúde das pessoas que os vários governos estão a fazer isto.

    Também, se se lembrarem de consultar as estatísticas oficiais da mortalidade em Portugal, irão observar que não tem havido um real aumento da mesma. Pelo menos, segundo diziam os dados até há 1 semana. Pois, entretanto e misteriosamente, decidiu o governo há 2 dias acrescentar números ao gráfico deste ano (a um mesmo dia, criando agora um pico que não lá estava antes – e 20 dias depois?!) e também alterar a maneira como apresenta os gráficos dos vários anos, de um modo que faz agora parecer que a mortalidade deste mês é anormal.

    a) gráficos de 19 de Abril: h*tps://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G51183d08/21775262_IMLRg.png

    b) gráficos de 24 de Abril: h*tps://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G0618adb0/21782504_t9UQU.png

    (Gráficos tirados de: h*tps://evm.min-saude.pt/)

    • «misteriosamente, decidiu o governo há 2 dias acrescentar números ao gráfico deste ano»

      Lembrem-se de que, este é o mesmo governo que, primeiro dizia que não se devia usar máscaras, mas que agora diz o contrário…

      (Eu não sei qual será o nível de consciência política de quem leia esta palavras, mas… Os governos mentem. E, o actual PM pertence ao mesmo partido de um PM que está agora a ser julgado em Tribunal e que mente a torto e a direito…)

  3. Excelente.

    “Quando o Governo se decidiu, na sessao de 1844, a obrigar os caminhos de ferro, que monopolizam todo o tráfego, a permitir que os operários viajassem por um preço correspondente aos seus meios, um penny por légua, e propos nesse sentido que pusessem diariamente ao serviço um comboio de 3.a classe em cada linha, o Reverendo Padre de Deus, Bispo de Londres, propos que essa
    obrigação não fosse válida ao Domingo, precisamente o único dia da semana em que os operários têm possibilidade de viajar, e que assim as viagens aos
    domingos não fossem permitidas aos pobres, mas só aos ricos. Mas uma tal proposição era demasiado directa, demasiado pouco disfarçada para poder passar e foi abandonada”. (F. Engels, 1844, “A situaão a classe operária…”)

    Mas por cá, dois séculos depois, parece que os governantes e legisladores já não se importam de impor coisas escandalosas. Por exemplo, no “1º de Maio” não se pode sair do concelho de residência. Ou de fazer o tempo voltar ainda mais para trás que a Idade Média: desde sempre, isolam-se os doentes, não se isolam os que o não são. Até na Bíblia se faz essa distinção!

  4. Sou velha e não faço tenções de ficar em casa quando acabar o estado de emergência. Aliás, como somos dois cá em casa e um deles está em cadeira de rodas, não fiquei em casa. Vou ao supermercadosa vários, à farmácia, à tabacaria, ao talho, à oficina para a revisão do carro. Irei convidar filhos e netos porque tenho saudades. Tentarei ir a restaurantes e logo se verá se tenho ou não que zangar-me.

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