Portugal “um país de artistas”

Ontem Joana Vasconcelos fotografou-se na sua piscina, depois de ter recorrido ao layoff para os seus trabalhadores. Passo à frente o mau gosto de tal foto quando milhares de crianças e pais estão sem almoço, ou sem jantar, a recorrer aos bancos alimentares. Nunca esperei bom gosto da artista reconhecida, pelo que não me surpreendeu a falta de decoro e humanidade. Vamos às contas de quanto nos custa a piscina. Se o vosso patrão (Estado, privado ou sector social) vos despedisse e dissesse para vocês entregarem as poupanças que têm no Banco e a casa dos vossos pais para que ele use esse valor para vos pagar o salário enquanto não trabalham, vocês entregariam? Pois o layoff é isso, despedimentos, com ou sem redução de salário, mas sempre pagos a 70% por vós, isto é, pela Segurança Social, para onde descontam para um dia ter uma reforma. O Estado não é dono deste dinheiro, ele é nosso, o Estado é – devia ser – fiel depositário, em vez disso usa-o para proteger as quedas de lucro das Joanas deste mundo, para que não falte nada na piscina, no candeeiro de tampões, na casa dos donos da FNAC ou no jardim dos accionistas da Decathlon, que, mais recatados, nos privaram das fotos na piscina. Estamos a pagar com as nossas reformas layoffs de empresas lucrativas que este ano não podem distribuir dividendos, mas podem no ano que vem, e nos anos seguintes, já que nós pagamos mas a propriedade destas não passa a ser pública. Mais, podem não vos despedir agora, que estão a pagar o vosso próprio salário, mas podem despedir-vos depois de terem recorrido ao layoff. Portugal, uma piscina a ir ao fundo, tal qual a desenhada por Joana Vasconcelos, uma piroseira de pvc que durante anos se erguia nas Docas em Lisboa, como sinónimo de arte portuguesa. Para que não olhem só para a mensagem em vez do mensageiro, recordo que Joana Vasconcelos só pode fazê-lo porque o nosso Governo aprovou esta medida. Como diria o marceneiro da aldeia onde ainda tenho raízes, e onde todos os pequenos negócios são sustentados na crise com as poupanças de cada um desses homens e mulheres honrados, e não com a minha reforma, Portugal “um país de artistas”. E ainda há quem ouse, dirá Joana Vasconcelos, fazer oposição e críticas, gente que só sabe dizer mal, em vez de apoiar os esforços do Governo, as noites passadas em branco por António Costa, são precisas muitas insónias para encontrar um esquema destes. Damos um mergulho?

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14 thoughts on “Portugal “um país de artistas”

  1. Os burgueses e a pequena-burguesias reacionária como sempre a olhar para o seu umbigo, estas Joanas e as tiaaas e tiooos de cascais estão numa boa… Como sempre tiveram, passando por alguns banqueiros e de mais canalhas ligados ao sistema… Como diria um amigo meu “isto é tudo um p…”

  2. Receita para maior golpada sobre os direitos dos trabalhadores de que há memória:

    1. Criar e alimentar uma onda de pânico sobre o corona virus (que sim, é um perigo real, mas que tem de ser combatido com informação e proteção social)

    2. Criar um estado de excepção permanente, normalizando todo tipo de atropelos aos direitos fundamentais das pessoas

    3. Passar a mensagem de que a crise económica é culpa do vírus, e não dos desmandos da especulação financeira onde circula grande parte do capital mundial (roubado que foi da economia real).

    4. Criar a ilusão de que a UE está a fazer alguma coisa para ajudar na recuperação económica das pessoas, enquanto na realidade está a promover um desvio gigantesco de dinheiro para os bancos.

    5. Convencer as pessoas de que vão ter se habituar ao novo normal de vida sem direitos

  3. Que salganhada: a Joana Vasconcelos, com o lay-off, com a Decathlon e a Fnac e os pobres em almoço e os tampões. A técnica da amalgama no seu melhor: misturar tudo, polvilhar com umas frases que ficam no ouvido e assim se vai conseguindo clientela para melhor faturar.

  4. Esta Joana é um retrato, um verdadeiro espelho do país em que hoje em dia Portugal se transformou ,com o Promeiro Ministro a dirigir-se ao País atravez de conversas com a Cristina ou o Manuel Luis Goucha!

  5. Sem dúvida.É caso para dizer que isto é da joana. O que vale é que a morte não esclhe por rankings…ceifa o que pode.

  6. Qual é o mal dela viver bem e de ter partilhado um momento agradável, no espaço dela e dos amigos dela? Por acaso foi por causa da piscina que ela teve de fazer o lay off dos seus colaboradores? Se enquanto houver crianças com fome neste mundo não se puder publicar uma fotografia que revele o mínimo de conforto de vida, então quero estas redes socias todas em branco. É só dor de cotovelo!

    • Minha senhora, todas as Joanas desta vida podem fazer os seus autoretratos da forma que muito bem entendam. Não deveriam era poder usar o dinheiro de todos para pagar os seus contratempos enquanto mantêm os seus lucros bem guardados.

      “Se enquanto houver crianças com fome neste mundo não se puder publicar uma fotografia que revele o mínimo de conforto de vida….”. Tire um bocadinho do seu tempinho para pensar no que escreveu.

    • A cara Filipa Lima não entendeu a mensagem do post, mas também não vai ser aqui que o vai aprender. Felicidades para ambas, Filipa e Joana.

      • É a Sra Dra Historiadora que insiste em não entender o quão ridículo é considerar que, por ter uma piscina, a Joana Vasconcelos não tem direito a recorrer ao ‘lay off’ como qualquer outro empresário. Talvez pudesse vender a piscina. Mas é uma piscina em PVC, não há-de render muito. Olhe, deixe lá. Não está para me e ouvir e eu não tenho o tempo, a paciência nem os lápis de côr para lhe fazer um desenho.

  7. Os gouchas e as Cristinas é do pioria, mas assim tem a certeza que chega a casa dos velhos que nao ouvem conselhos neste momento

  8. Sou burro,admito. Não entendo que empresários são estes, que ao primeiro “round” deitam a toalha ao chão e abrem a boca para lhe darem o “milho”. Acredito que alguns precisassem do “milho” ainda antes do combate, mas outros…. e mais não digo, porque sou burro.

  9. Se tinha uma empresa e trabalhadores pertencentes a essa empresa o Lay off também lhe é extensível possivelmente. Misturar direitos e arte parece-me errado, porque senão o direito a concorrer a um subsídio na área das artes ficaria sujeito ao gosto estético de quem o atribuía e mesmo estando visível na foto uma espécie de piroseira, também ela pode ser apresentada esteticamente como válida por ser criação humana destinada a parecer Arte. Se as cadeiras fossem brancas talvez fossem mais agradáveis, tal como muitas telas pintadas, mas acontece que a arte nem sempre visa o agrado generalizado ou particular e caso tenha pago impostos, segurança social etc, nada a difere de uma empresa que também receba apoio a fundo perdido. Estes artistas que se tornam muito famosos de modo repentino acabam por cair sempre no mesmo, isto é, ficam encerrados na Linguagem que lhes lhes deu visibilidade. Eu apesar de gostar muito do discurso e opinião de Raquel varela, mulher lindíssima, não fico com inveja daquilo que ganhará por participar num Programa de Televisão, mas julgo que não será pro bono. Caso eu não gostasse do discurso, porque nem todos os comentadores de televisão são do meu agrado, até que ponto seria legítimo criticar o despedimento de uma empregada doméstica que Raquel varela viesse a despedir, usando factos de natureza particular/contratual numa guerra particular motivada por um gosto estético?

  10. Estimada Raquel,

    Meu nome é Dusko Despotovic e sou o correspondente da revista Point de Vue, de Paris, na Espanha e o autor das fotografias de Joana Vasconcelos feitas para uma reportagem sobre ela em nossa revista

    Estou escrevendo estas linhas para você desde que acabei de descobrir a existência do seu artigo sobre Joana Vasconcelos publicado em seu blog no dia 11 do presente, com a intenção de saber se artigo e basado na fotografias publicadas em nossa revista Point de Vue da semana pasada? … porque, se for o caso, é necessário saber que o que escreveu sobre a data da fotografia em frente à piscina não está correto em absoluto porque, como pode imaginar, o reportagem fotográfico foi feito muito antes do início desta pandemia.

    Concretamente, foi feito no mês de Novembro do ano passado mas só foi publicado agora devido aos motivos habituais de planejamento editorial da revista. Temos muitos artigos relacionados ao universo dos artistas e os publicamos aleatoriamente quando podemos.

    Por isso, ficaria grato se você pudesse dizer se estava se referindo à fotografia de nosso artigo e, se for o caso, peço que a retifique o mais rápido possível, pois seria uma grande injustiça com a Sra. Vasconcelos manter informações incorretas, muito menos nesse contexto.

    Muito obrigado por sua atenção e receba uma cordial saudação

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