Governos não gerem catástrofes, antecipam-nas!

As mesmas pessoas que criticaram, com nervosismo frenético, os que defenderam a greve dos enfermeiros e agora lhes batem palmas às dez da noite, são as que não compreendem agora porque falo eu tanto dos estivadores de Lisboa. Quando tiverem uma crise de abastecimento na capital, de um país como o nosso que não tem auto-suficiência alimentar, compreenderão como os estivadores são importantes, como agora compreendem que o serviço privado de saúde não presta serviços de saúde, gere activos financeiros. Idem para o Grupo turco Yilport, que gere o nosso porto público de Lisboa – o seu negócio não é abastecer Lisboa, ou as Ilhas, isso é o que fazem os estivadores que carregam navios, o seu negócio é gestão de activos financeiros. Agora façam comigo este exercício de imaginação – usem um título de bolsa, os tais activos que eles gerem, para curar um doente num hospital ou experimentem pôr no forno uma acção de uma empresa para ver se sai de lá uma carne assada…
Menos, gente querida, menos. Eu compreendo que não saibam como funciona uma sociedade, até que as catástrofes o demonstrem. Agora errar tantas vezes seguidas já não é ignorância, é como dizia o nosso génio Einstein estupidez infinita. O problema é que a vossa obstinação em estar contra quem trabalha, e luta, mais cedo ou mais tarde passa a trazer-nos problemas a todos – o resultado da estupidez infinita passa a atingir quase todos nós. Sim, estamos como sociedade em perigo se o porto de Lisboa não for nacionalizado. Nós, a Madeira e os Açores. Idem para os hospitais e laboratórios privados, que já deviam ter sido requisitados há várias semanas – não sabemos quantos testes não foram feitos aos profissionais de saúde e quantos entre eles e outras centenas de pessoas não adoeceram para manter a propriedade dos laboratórios intocada, que andaram aos mesmo tempo a fazer testes privados, gerindo lucros de milhares ou milhões no meio da pandemia. O Governo optou por não fazer nada, não os requisitou em nome da saúde pública de toda a nação. Foi requisitar os estivadores que estavam numa greve contra os salários que não recebiam desde janeiro, não têm dinheiro na conta para comer, estes foram requisitados ao abrigo do Estado de Emergência. Hoje às dez da noite não batam palmas, pensem como chegámos aqui.
Governos não gerem catástrofes, antecipam-nas!

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