Liberdade de apanhar sol

Quer na Dinamarca quer na Bélgica se pode sair para fazer exercício, apesar da quarentena, desde que não em grupo – na Dinamarca podem ser dois juntos, na Bélgica também, desde que habitem no mesmo tecto. Está por calcular o impacto de ausência de sol, vitamina D, exercício fisico, e os efeitos psicológicos de não sair de todo de casa. Temos 800 km de costa e metade da população em pequenas vilas e aldeias, que estão junto a um pinhal. Pergunto-me que mal faz andar na praia ou no pinhal se mantivermos uma distância segura? Mantemos fábricas abertas, aeroportos, com centenas de trabalhadores, e não deixamos as pessoas irem apanhar ar? Que lógica de saúde publica é esta? Hoje fui ao supermercado: estava toda a fila paciente a 2 metros de distância entre pessoas; idem na farmácia; idem no passeio marítimo, onde as pessoas circulavam mantendo 2 a 3 metros entre si. Vejo há dias um cuidado extremo, educado, empático. E fizemos tudo isto sem ordens do Estado e decretos marciais. Sempre fui a favor da quarentena geral – tirando os poucos que não podem, todos a fizemos com regras. Sempre fui a favor de não contactarmos com idosos e doentes e que o Estado devia (não o fez!) há muito ter mobilizado a assistência social, cuidadores especializados, para cuidar de mais de 1 milhão de idosos, evitando o contágio de filhos e netos, que os têm que ajudar, sob pena de nem alimentos terem. Fui a favor que se fechassem empresas de alto contágio, e transportes públicos, como aliás epidemelogistas o sugerem. Em vez disso mantêm-se estes focos de alto contágio, e muitos destes trabalhadores têm que sair da empresa onde estão, com mais 80 pessoas, espaços comuns, apanhar um transporte público, e ir a casa dos pais e avós levar-lhes comida e tratar deles, porque são dependentes. É este o país real! Segundo o Governo pode ser assim, porque Portugal, cito, “não pode parar”. Já cumprir a quarentena rigorosamente, voluntária, e ir ao jardim correr ou apanhar ar com os filhos, ou o marido e mulher, respeitando as distâncias, não. Sair para o pinhal é crime, para o metro e para a linha de montagem é “Portugal não pode parar”.
O momento mais distópico de tudo isto é este: parece que quem tem cães, segundo o decreto que aí vem, pode apanhar ar e sol. Quem tem filhos não…

5 thoughts on “Liberdade de apanhar sol

  1. Infelizmente parece que a Raquel Varela tem razão.Tudo isto que ela denuncia é obvio Mas o quê que se espera do Costa Terá que haver resistencia passiva perante medidas que não teem pés nem cabeça, sem de algum modo pôr em causa os cuidados necessarios para evitar o contagio

  2. Afinal parece que não é tao grave como tudo isso Mas os restaurantes terem que fechar e só funcionar o Take-away é de facto pouco esclarecida, parece que não confia nas pessoas terem os devidos cuidados, por foça de razão diexava-se de poder ir à Farmacia ,e aos supermercados

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