Liberdade

Espero que compreendam, sobretudo as pessoas de esquerda, porque fui contra o Metoo com a sua inversão do ónus da prova; contra a proibição de piadas, mesmo que racistas; contra a censura a livros, mesmo que brutais; contra a proibição de filmes, cujos diretores, considera alguém, seriam indecorosos. A restrição da liberdade é como um comboio em que só sabemos onde entramos, nunca como saímos. Sou, desde muito nova, algo como uma socialista romântica, não acredito na ditadura dos mercados a que chamam liberdade, não acho que o dinheiro produza sociedades mais felizes, mas nunca me tornei uma cínica que cruza os braços face aos gulags como “um mal menor”. Acho que podemos e devemos viver em comunidade, cooperando, e só assim alcançaremos a verdadeira liberdade individual, a expansão da arte e da ciência, isso é o socialismo. Como socialista romântica nunca aceitei um único argumento dos estalinistas sobre as “exceções”, nem dos democratas sobre os “imprevistos”, nem da direita sobre a “necessidade”, nem da nova esquerda sobre o “mal menor”. Nesta hora, em que foi decretado o Estado de Emergência contra um povo que voluntariamente se recolheu, só temos a lamentar que face ao colapso do capitalismo, à crise pandémica, e à crise de direcção dos de cima, se junte a evidente crise de direcção dos debaixo. Estamos órfãos de organização, e de representação. Portanto, sem autonomia. Abriu-se hoje a porta ao que mais se temia, à extrema-direita, à ditadura, que começa sempre por ser dita-branda. Que os próximos anos me tirem toda a razão é o que desejo sinceramente.

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