Padre Martins, a Igreja é do Povo

Há uns anos perguntei ao Padre Martins que palavras usava num funeral, respondeu-me “nunca faço a geografia do além, interessa-me o que as pessoas fizeram em vida, é isso que conta”. Tem mais de 80 anos mas acabou com a confissão há mais de 4 décadas, “Deus não precisa de intermediários”. A Ilha da Madeira em Portugal – facto que muitos desconhecem -, teve um regime feudal até 1974, em que os camponeses (chamados colonos) tinham que entregar ao Senhor da colónia, dono das terras, parte do que produziam; e não podiam, por exemplo, construir um quarto para os filhos no casebre porque isso era considerado construção em propriedade alheia. Portugal estava na cauda da Europa em mortalidade infantil, mas a Madeira esta a 4 vez pior do que Portugal Continental, em 1974. O Padre Martins liderou o fim do regime de colonia, com o recurso à ocupação de terras pelos camponeses. Também teve que convencer muitos camponeses reticentes a acederem terras para deixar passar a estrada “para levar o médico às zonas altas das aldeias”. Tal coragem valeu-lhe, já nos anos 80, ser expulso da Igreja, por pressão do Bispo Santana, acusado de relações com o bombismo de extrema direita – aliás o Padre foi ainda alvo de ataques físicos. Alberto João Jardim mandou a polícia cercar a Igreja do Padre Martins, a Igreja da Ribeira Seca, onde ainda hoje está pintado um mural de Zeca Afonso e a inscrição ” A Igreja é do Povo”. Não esperava Alberto João pela recepção do povo, que cercou a polícia, durante 18 dias…até que a polícia desistiu.
Vou receber este homem extraordinário no CCB no Sábado às 16 horas, no Conversas Com História, juntem-se a nós.

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