Assédio Moral, o que fazer?

O assédio moral no trabalho tornou-se um tema central da sociedade hoje: perseguições, “ser colocado no arquivo ou na prateleira”, sofrer olhares de esgar e ameaça explícitas; ser colocado nos piores horários, ou ser alvo de processo disciplinares por toda e nenhuma razão – estes métodos de gestão da força de trabalho não são novos, mas depois das medidas de salvação dos bancos pós 2008, e consequente intensificação dos ritmos de trabalho, tornaram-se uma forma que – tudo indica – é cada vez mais recorrente dentro das empresas e dentro do sector público. Na forma de processo disciplinares este assédio tem ainda a consequência de esvair os recursos sindicais em processo jurídicos, a maioria dos quais não têm seguimento em tribunal, mas abalam a confiança entre trabalhadores e colegas, e erodem os recursos financeiros dos sindicatos. A resposta ao assédio moral deve ser múltipla: ajuda pessoal e psicológica ao assediado; resposta jurídica que evite despedimentos ou penalizações mais graves; mas sobretudo a resposta tem que ser organizativa, política e colectiva: isto é, os trabalhadores devem falar em conjunto sobre o tema entre eles, e não centrar-se no erro de cada um, de forma oculta e escondida, ajudando a espalhar rumores e calúnias; e devem fazer greves colectivas, e outras formas de protesto, em defesa de cada um dos assediados, dos perseguidos e dos que são alvo de processos disciplinares, sob pena de os processos se arrastarem em tribunal, destruindo moralmente os indivíduos e financeiramente e politicamente as organizações. As empresas e o Estado têm que perceber que sofrerão na forma de greves (paragens da produção) as consequências de criar um clima de terror e desconfiança nos locais de trabalho.

3 thoughts on “Assédio Moral, o que fazer?

  1. Nos últimos tempos tenho lido os textos/estudo de Raquel Varela, que acho muito interessantes.
    Partilho-os, não só na minha página pessoal, como também noutra conta “as pequenas coisas”.

  2. As empresas são hoje lugares de grande fragilidade, a desigualdade e a necessidade encontram-se com a imoralidade do poder. Nas empresas não há assédio, não há assédio porque não há moral, também não há pessoas, o que há é gente que ousou num determinado tempo fazer por não existir. O poder sufragado é sempre esmagador, as empresas são o contorno e a definição, a violência é do estado.

  3. Assédio moral na E(e)ducação
    Isto é um grito! Há assédio moral vertical e horizontal. A malta até sabe disso! Contudo, tantas vezes me questionam para que serve incomodar-me com isso – “ainda foste escrever…responder…. não vale a pena, colega!; não há consequências; não te incomodes com isso…. olha que depois sofres as consequências!; ainda arranjas lenha para te queimar!; fala baixo que as paredes (os bufos) têm ouvidos…. “. São até alguns colegas que vão “bufar” e “lamber as botas” ao chefe, e também os Auxiliares. Quem cala consente. Subserviente. Bajulador. Impostor. Estupor. Por privilégios, favores e proteção da chefia, “vendem a alma ao diabo” em troca do prazer pela humilhação do outro. Tal como nos velhos tempos! Agora até podem ser novos tempos, trajando roupagens modernas, mas por dentro, velhos espíritos. Inventam delitos, fazem acusações e difamações. Adoram a perseguição, a desmoralização, a desacreditação até ficares em exaustão e sucumbires à depressão. Tentam convencer-te de que és fraco e não produzes. Exigem tudo, e ainda mais, por muito pouco.
    Como se não bastasse, ainda há o assédio moral dos mais novos. Os miúdos ao poder! Poder para insultar o professor, fazer bullying, instalar a anarquia, boicotar as aulas, ditar as suas leis, furar-lhe o pneu do carro, queixar-se dos “maus tratos”, vitimizar-se e ainda reclamar inocência “Não fiz nada! Não estava a fazer nada! A stôra está sempre a chatear-me… Não sou só eu! Só estava a ver as horas no telemóvel…, a falar com …. sobre a matéria, ou ainda, “Tem algum problema?! F****! Eu sei do que precisava…. “. Na Direção, falam com os miúdos e acham que são uns anjos, com “coluna vertical e lisura de modos”. Exigem saber o que vais fazer para mudar a relação pedagógica, que “sinal” de mudança lhes vais dar…. A eles nada é exigido. Nada lhes acontece. Pouco têm de fazer para terem positiva e passarem o ano. O professor dá tudo, mesmo o que não tem, e faz tudo, mesmo o que não devia. Acomodações, adaptações, medidas universais e outras que tais. Conhecimento, informação, desenvolvimento de competências e capacidades, espírito crítico, cidadania, identidade, memória, Ciência, História, ….não há paciência! Que maçada! Estudar?! O que é isso? Saber ser e estar…. Ó sôra, tá-se bem!
    Sim, tudo tem de parecer bem. Calem os gritos! Temos sucesso! Os resultados, as estatísticas, as parangonas nos jornais e os rankings nacionais! Só não se fala do vazio, do stress da profissão, da angústia, do desalento, da solidão, da raiva que cresce, do burnout, e do coração, outrora pleno de devoção e de paixão, mas que cada vez mais se entristece. No fim das contas, somamos a dor e subtraíste o amor em prol do sucesso da hipocrisia e da mentira.

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