Que ninguém diga que não sabia

Nas táticas da extrema-direita para crescer nas redes sociais está ser bizarro, brutal, anedótico, não estou a brincar, vem no livrinho de propaganda de Steve Banon, seu ideólogo, o algoritmo que cria estes tipos – cuja primeira função na vida é ser tropa de choque contra trabalhadores (Joacine é a distracção que os faz crescer, o objectivo é calar quem exige direitos, fazer sindicatos amarelos paralelos pagos por empresas). A minha simpatia por Joacine politicamente é nenhuma, mas a minha solidariedade hoje com ela é total. Os media e Marcelo Rebelo de Sousa e o Parlamento estão a ajudar a criar um ditador normalizando-o e dando-lhe espaço para brilhar fora do algoritmo de Steve Banon. Quero que a Jocanine fique cá, para que eu possa em liberdade dizer-lhe como discordo dela. Sem a ofender, sem ser brutal, a democracia não é um jogo de gangsters cuja arma é a violência verbal ou física – isso chama-se ditadura, e é o que é o Chega.

As sucessivas ilegalidades do Chega tornadas públicas não têm da parte dos media nem um décimo da atenção que têm estes gritos vazios de conteúdo, e brutais. Sim, as direcções de redacção estão a cometer um erro tremendo ao colocar os seus jornalistas neste papel, que não é jornalismo mas fazer dos jornais e das TVs uma extensão da propaganda de extrema-direita de Steve Banon.
E Marcelo Rebelo de Sousa outro erro maior ao receber com piadas este Partido, cujo programa com que foi eleito previa uma ditadura – regime presidencial, redução geral dos salários para todos os sectores, fim das carreiras, e proibição do sindicalismo livre porque impedia qualquer tempo, ainda que curto, de dedicação sindical. Nada de novo porém, só por ingenuidade poderíamos pensar que seria o Estado e Marcelo a livrar-nos do maior terror que os operários e trabalhadores viveram no século XX, o fascismo. Aliás, foram eles, os trabalhadores armados em exércitos que libertaram o mundo do fascismo, da “meia noite no século”.

Não voto no Livre nem em Joacine, não concordo com quase nada do que tem defendido. Mas Portugal somos todos nós, e Joacine também. E eu, pese embora essas tretas do lugar de fala e do identitarismo que Joacine defende, nasci em Cascais e acho que também sou da Guiné, que nos ofereceu o 25 de Abril numa luta tremenda pela liberdade, liderada pelo mais internacionalista (sim, e menos identitário) dos líderes africanos, Amílcar Cabral. Por mim Portugal é das pessoas decentes que sabem viver em democracia – isso não se adquire pela cor de pele branca e o passaporte português. Para saber viver em democracia é preciso ser maior dos que os nossos medos, viver além do dia seguinte, pensar o futuro muito para lá do presente, saber muito bem que os inimigos às vezes são os que nos gritam aos ouvidos, como Ventura, que nos vão defender.

Lamento que alguns trabalhadores mais desmoralizados com a situação actual se sintam atraídos pelo seu coveiro, e se deixem enganar. Afinal Joacine nada tem a dizer ao mundo do trabalho em Portugal, e o PS tem destruído ainda mais os direitos laborais, mas o Chega em matéria de ser contra direitos laborais ultrapassa tudo o que de pior vivemos, inclusive o próprio CDS ops o PSD. Com o Chega o mundo do trabalho organizado e combativo acaba, esse é o seu projecto. Que ninguém diga que não sabia.

6 thoughts on “Que ninguém diga que não sabia

  1. Bem, primeiro, que fique claro que também não sou militante e nem simpatizante do Livre e nem do Chega. Segundo, que também muito raramente tenho concordado com as posições defendidas pela Joacine e idem pelas do Ventura.
    Todavia, creio que ao assumires o essencial da posição aqui defendida, também não estás sendo globalmente PORTUGAL, no sentido da abrangência da pluralidade democrática. Porquanto, entendo que “nesse PORTUGAL” estaria SIM a Joacine mas TAMBÉM o Ventura.
    Não estarias defendendo que há um extremo BOM e outro com exactamente a mesma legitimidade democrática mas entretanto MAU ?
    Que fundamentos outros estão por detrás dessa classificação além do primeiro ser da ESQUERDA e o segundo da DIREITA ?
    Por que RAZÃO os extremismos são bons e aplaudem-se quando defendem coisas tidas como marcas da esquerda (que também conhecemos TODAS, do Stalin ao Kim, passando por Castro e Maduro) e já são maus e condenam-se quando defendem, genericamente, o seu oposto (que conhecemos igualmente bem, do Hitler ao Mussolini, passando por Trump e Balsonaro) ?
    E, não estarias caindo no ridículo “próprio dos extremistas, sejam eles de que lado for”, quando tu mesma reconheces, ainda por cima também publicamente, que as posições hoje assumidas pelo Ventura foram, globalmente, sufragadas pelos Portugueses nas urnas porque elas já estavam plasmadas na plataforma do Chega com que se submeteu ao escrutínio dos eleitores ?
    E repara que, infelizmente, esse teu raciocínio
    subjacente à defesa de mais compreensão e aceitação dos valores defendidos pela Joacine (ainda que neles não te revejas) porque foram ou estão legitimadas democraticamente esbarra contra um agravante de peso que é o facto do Ventura estar, globalmente, CUMPRINDO o que prometeu aos portugueses (substância da plataforma do Chega) CONTRARIAMENTE ao que vem fazendo a Joacine.

  2. Boa tarde!
    Não venho aqui falar deste assunto, sinceramente não me apetece!
    Venho sim, dirigir-me aos que escrevem estes artigos de opinião e notícias, esquecendo a responsabilidade gigante que têm pela forma como escrevem, esquecendo que os seus textos vão ser lidos por pessoas dos 8 aos 80. Não é bom para os mais novos nem para os menos novos lerem artigos com erros de português graves como os que se encontram neste texto!
    Gosto muito de ler e manter-me informada, por isso li este texto que foi partilhado no facebook, assunto sobre o qual não me vou pronunciar mas, não posso deixar de aqui escrever que fiquei extremamente desiludida quando me deparei com um texto tão mal escrito e confuso.
    Nós somos o exemplo dos mais jovens. Escrevam sobre tudo o que entenderem mas, por favor, façam-no em bom português!
    ex: na frase “Quero que a Jocanine fique cá, para eu PUDER em liberdade LHE DIZER como discordo dela”, deve escrever-se: poder e dizer-lhe. Já não falo de vírgulas mas colocadas, palavras sem a última letra, etc.
    É um mau exemplo!
    Cuidem do vosso Português, para que as pessoas que lêem os vossos textos fiquem satisfeitos e compreendam o que acabaram de ler. É muito bom para vocês que escrevem e é muito bom para quem os lê!
    Obrigada!

    • Concordo consigo quanto às incorreções e ao facto de estarmos atentos para as corrigir. É isso mesmo que importa: estarmos atentos. Atentos ao que nos rodeia, aos que decidem sobre as nossas vidas, o nosso trabalho, os nossos direitos, os nossos destinos e dos nossos filhos. Quando o essencial é a pertinência dos assuntos e o interesse que todos devemos ter pelos mesmos, não devemos distrair-nos com as coisas de forma, menos relevantes para o conteúdo. Devemos ter sempre “apetite” para as enfrentar e discutir. Trata-se de um exercício de boa cidadania chamar à atenção das pessoas para as questões e os problemas, os seus contornos e contradições, levando-as a refletir sobre as mesmas, independentemente de haver aqui uma “gralha” ou outra (todos sabemos que muitas vezes elas decorrem da “pressa” em escrever e/ou da forma como nos sentimos num determinado momento, por exemplo, o cansaço).
      Depois, gostaria de saber se, pelo menos a maioria das pessoas dos 8 aos 80, estão efetivamente interessadas em escrever bom português. Se pensarmos na forma como as pessoas comunicam umas com as outras – telemóvel, Facebook, Instagram, …. – verificamos que os erros ultrapassam o maior limite possível da imaginação e da criatividade, em língua Portuguesa. Já nem falo no interesse que os alunos revelam em aprender a língua materna e nas suas reais competências em ler, falar e escrever! Acredite, é de bradar aos céus! Chega a ser hilariante e deprimente ao mesmo tempo. O saber ser e o saber fazer dão muito trabalho e não tem interesse para aquilo que precisam de fazer nas redes sociais e afins.
      O que realmente causa preocupação é o que os nossos políticos e governantes andam a fazer à Educação! Exigência não é preciso, eficiência nem falar! Por isso, baixe-se a fasquia até rastejarmos. Sabe rastejar, pestanejar, sorrir, sentar-se, levantar-se, …? O sucesso já está garantido para todos!

  3. Neste momento, podemos afirmar com seriedade que o mundo ocidental do pós- guerra,tal como o conhecemos e estudamos, se encontra em falência completa. O entorpecimento da democracia,consubstanciado na diminuição dos direitos laborais e na ausência de bem-estar dos cidadãos , tem permitido a emergência de (des)ideologias comprometidas com ideias liberais ( o Estado não representa nada, por exemplo, então não deve existir) que apagam a esperança de um melhor futuro comum e sustentável. Ora, a inexistência do Estado, para que percebam melhor, implica a anulação das reformas, do rendimento de inserção social, do ensino público, do serviço nacional de saúde, bem como de qualquer regulamentação laboral entre outras coisas.
    Chegados aqui, a questão que se coloca é esta: é este o futuro que queremos? Não me parece.

  4. Uma esquerda caviar apresentável, segurando com quantas forças tem os seus tachitos e suas gamelas, ignorando um Povo quase faminto e ludibriado pelos ideais socialistas! Tenham vergonha e trabalhem para melhorar um País vergado e enxovalhado pela incompetência dos seus desgovernantes! Um dia, alguém, por ultimo, vai apagar a luz que ilumina os vossos tachos e vossa gamelas de onde até agora se têm banqueteado à conta do misero Povo! A vossa educação em parte ou em todo, foi fornecida por esse mesmo Povo que deveria agora usufruir desse conhecimento proporcionado! As melhoras e perdoe-me a ousadia e entrar sem ser convidado mas sou mais um dos que começa a ficar farto….
    João Pinto

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