Animais e Trabalhadores, quem é quem?

O Governo anunciou medidas drásticas contra o mau trato a animais. Multas pesadas, tolerância zero. Os estivadores de Lisboa estão a receber o salário aos pedaços há mais de um ano, apesar de não trabalharem aos pedaços. Pelo contrário, fazem com regularidade até 60 horas por semana. Têm que pagar as casas, a alimentação dos filhos, mas só recebem parte do salário, dividido ao longo dos meses quando e como quer o patrão. O Governo até agora fez zero, apesar de isto se passar em Portugal e num porto público, ainda que concessionado.

Supostamente o salário em atraso – já que o trabalho não está em atraso – , vem como represália por serem solidários com os dos outros portos, nomeadamente Leixões onde reinará, denunciado pelos próprios, uma situação análoga à retratada no filme Há Lodo no Cais. Foi este sindicato, de Leixões, que António Costa elogiou publicamente, perdão, fez festinhas. Os trabalhadores de call centre, delegados sindicais, a trabalhar, foram demitidos por serem líderes de facto do Sindicato de Trabalhadores de Call Centre, onde lutam por coisas como direito a ir à casa de banho. Esta juventude exemplar não teve direito nem um convite para uma daquelas medalhas de mérito que o Governo distribui de vez em quando. Na Groundforce pede-se prisão contra os dirigentes sindicais. Eu diria mesmo porque não, além da prisão, uma trela e um açaime que os calasse de vez?

Sobre isto o Governo guarda-se ao silêncio, em matéria de trabalho só se ouve Costa quando é para se opor às greves, e aí usa toda a força disponível, porque a democracia não existe assim que se passa a porta das empresas. Aí começa um novo regime: o do quero, posso, mando, que vai do assédio moral disseminado à perseguição quando há greves efectivas e gente determinada que não se verga aos salários em atraso, à chantagem e ao medo.

Começo a pensar que se os trabalhadores portugueses fossem para o Ministério do Trabalho ganir e ladrar aparecia logo o Ministro a defendê-los, e uma inspecção relâmpago da ACT saía da cartola. Junto um coelho fofinho.

Quem pensa que estes são tempos em que os animais foram humanizados ainda não percebeu que o bem estar animal é um sinal – contraditório – doutros tempos, tempos de animalização dos humanos.

3 thoughts on “Animais e Trabalhadores, quem é quem?

  1. O propósito da “humanização dos animais” é esse mesmo – a consequente também “animalização dos seres humanos”, para se fazer do ser humano um mero animal, sem valores, fácil de controlar (e, consequentemente, explorar).

    Sendo por isso é que, por exemplo, por norma nos desenhos animados (ou até na “Rua Sésamo” e afins) criados pelo Grande Capital – como a companhia multinacional Walt Disney – os personagens são animais com comportamentos humanos – para que os adultos de amanhã cresçam a pensar ser pouco diferentes dos animais.

    O modo como as pessoas são lavadas ao cérebro neste e noutros aspectos foi já denunciado num livro, traduzido para português, escrito por um conhecido investigador (socialista) de sociedades secretas, com fontes nos serviços secretos russos: https://www.bertrand.pt/livro/o-instituto-tavistock-daniel-estulin/14530212

  2. “(…)Começo a pensar que se os trabalhadores portugueses fossem para o Ministério do Trabalho ganir e ladrar aparecia logo o Ministro a defendê-los, e uma inspecção relâmpago da ACT saía da cartola. Junto um coelho fofinho”! Se o PAN, lê este seu magnífico texto, vai decerto promover um baixo assinado. Eu, nunca o assinava… O PAN, foi um partido criado pelo PS e, mais uns tantos do PSD…

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