Género e Sexo

Género e Sexo

Perguntaram-me aqui o que penso sobre “ideologia de género”. Penso duas coisas. Que o tema é secundário, pouco importante. As sociedades não enfrentam com a mesma urgência todos os desafios, há temas mais importantes que outros, existe uma pirâmide das necessidades. É um assunto que não merece, em termos de risco social, o destaque que lhe é dado. Em segundo lugar penso que isso é uma expressão de extrema-direita homofóbica, abertamente anti homossexual, e sobre isso, quem me me lê, sabe o que eu penso – cada um tem as relações que quer, sem que os outros devem opinar, punir, perseguir. O amor é livre. Se não não é amor.

Toda a mentira porém abraça parte da verdade. A esquerda pós moderna tem defendido de facto que o sexo é uma construção, e isso é falso. O sexo também é uma construção mas não é só. Com isso parte da esquerda deixou o campo aberto a ser ridicularizada. Género inclui sexo mas não exclui. Isto é, nós somos mais do que o sexo, mas também somos o sexo. Reduzir os nossos papéis à biologia, como faz a extrema-direita, é reduzir-nos ao nosso lado animal. Os nossos papéis fazem parte do género humano, humano porque social, cultural, educativo, e histórico. Mas não se pode ignorar que o sexo existe, por exemplo, que uma mulher não pode ser alocada a um sector de uma fábrica que exige a força muscular de um homem porque isso é um abuso sobre determinações biológicas. Também acho que os homens não têm que ter medo de ser masculinos, não existe para mim “masculinidade tóxica”, o que existe é gente bruta e criminosa, não é por serem homens, vestirem-se de azul, e serem mais fortes que violam uma mulher, é por serem criminosos. Fazer dos homens todos do mundo violadores em potência, que não teriam controlo sobre os instintos sexuais, é indecente e indigno porque brutalmente injusto com a maioria dos homens.

Volto porém ao início – o que eu acho é que o tema não devia ter 1/10 do espaço mediático que tem face a questões infinitamente mais graves que convocam o nosso pensamento e acção no campo social, económico e laboral, e emocional, e, enfim, político. Sobretudo acho que a esquerda perde hegemonia quando se dedica a estes assuntos deixando a extrema-direita a falar sozinha de impostos, habitação, saúde…No fundo acho que a esquerda tem que ter uma política universal para o país e não para Principe Real. Sendo que a extrema-direita quando fala nada diz sobre soluções porque a sua solução é só uma – a segregação, a eliminação, a guerra, a barbárie. Ventura chegou ao Parlamento para dizer que está tudo mal mas no seu programa propõe acabar com a saude pública. Este debate tem que ser dado, com urgência, a ideologia da extrema direita tem um género que se chama barbárie social. Combate-se com discussões sociais, não com fait divers como a “masculinidade tóxica” e outras bizarrias. Espero ter respondido. Haja saúde!

1 thought on “Género e Sexo

  1. Não vou nem devo fazer qualquer comentário à sua opinião “Género e Sexo”, até porque é uma matéria, sobre a qual não me encontro com dados disponíveis para o fazer. Isto apesar de sabermos, que existem muitos comentaristas e jornalistas, os mesmos que comentam os jogos de futebol. E por falar de futebol, foi eleito um individuo que passou o tempo todo a fazer comentários sobre o futebol. Hoje vamos vê-lo a fazer os mesmos comentários não sobre futebol, mas sobre as coisas que desconhece, e como sabemos, vai ter o apoio dos carreiristas que se limitam a ver futebol, novelas, filmes policiais, e não só.

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