A crise e o Lupem-instagramer

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu “influencers” num acto populista de candidatura eleitoral – agora temos partidos de twitter, partidos de animais e natureza, e o PR ao lado de instagramers. É o dia a dia da crise crescente de representação política. A um dirigente cabe elevar o nível intelectual, científico e cultural de uma nação, e do mundo, e não rebaixar-se ao que a sociedade de mercado tem a oferecer aos jovens. Basicamente a nossa sociedade de mercado tem uma mão cheia de nada a oferecer-lhes, baixos salários, e más formações cientificas, e outra mão que é a imigração. No meio safam-se uns youtubers, instagramers e jogadores de futebol – sendo que mais ou menos com 30 anos todos estes três grupos entram na penúria e dependência familiar e/ou Estatal.

Não são os intelectuais que estão cheios de preconceitos em relação ao acto de Marcelo, é Marcelo, que, como todos as formas de populismo, tem um preconceito anti intelectual. O pensamento crítico, rigoroso, culto, sempre foi uma ameaça à superficialidade do mundo. A superficialidade é um dos alimentos preferido do populismo. Havia muitos cientistas precários, escritores sem meios de vida, pensadores imigrados em exílio económico para receber como “representantes da juventude”. Escolheu Marcelo um lado – o que representa o declínio da vida inteligente, em vez do vigor da crítica transformadora.

Ao contrário do que se possa pensar há gente que não pensa, o seu contributo para o país é nulo, e o seu modo de vida improdutivo para a sociedade. Marcelo achou que não, que tudo o que luz é ouro, até um comboio em sentido contrário – que é este desprezo nacional pela cultura e o amor ao fugaz, vazio, oco. Esta atitude ajudou a eleger o PR mas deixa-nos a todos mais pobres, e, envergonhados. Agora os pais e mães sensatos do país vão ter que dedicar mais umas horas a explicar aos filhos com paciência a importância de estudar e ler e que o PR não elevou os instagramers, os instagramers é que rebaixaram o PR. As fotos de “influencers” (lupemproletariado ou lumpem classe média, em linguagem sociológica) ao lado de Marcelo, o Presidente da República, são a selfie do país de Camões “onde Camões morreu de fome”, para recordar Almada Negreiros. Que depois desta triste cena ainda nos venham explicar que o problema está nos intelectuais críticos preconceituosos…enfim.

2 thoughts on “A crise e o Lupem-instagramer

  1. Ao longo dos anos tenho vindo a manifestar-me publicamente, contra estas políticas levadas a cabo pelos sucessivos governos e pelo ex-governo de Costa, apoiado pelas suas muletas. Sempre observei políticas de direita de Centeno e Costa e com o apoio das ditas esquerdas parlamentares. Não sou académico, falo sim com eles, mas muito mais com os operários e demais trabalhadores e principalmente com os jovens à procura do seu emprego e que querem construir uma família. Era de bom-tom dizer que a “comunicação social” é um dos principais responsáveis por muita coisa, porque não faz o seu papel de informar.
    Há alguns anos tinha feito uma crítica aos académicos por não dizerem o que se estava a passar no País, esse período já passou, sinto que alguns tiveram coragem de dizer o que se passa no nosso Pais e quem dele tem beneficiado. E fico por aqui…

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