Inter-regno

No Equador uma rebelião de indígenas tomou a capital; na Argélia e em Hong Kong manifestações de massas questionam os Governos; a Alemanha, de que depende hoje a “mono”-economia portuguesa, entrou em recessão; o Bréxit; a bárbara invasão do Curdistão e agora, nada mais nada menos, do que líderes políticos na Europa democrática condenados a 13 anos de prisão na Catalunha. Há um mundo velho e um mundo novo, o velho acentua o seu carácter bizarro, brutal, o novo, nas profundezas, estrebucha, grita. A crise de direcção é total – nem os trabalhadores se recuperaram dos efeitos da ditadura soviética, reconstruindo uma direcção nova para o mundo, um projecto de sociedade livre e igual; nem as classes dirigentes têm hoje qualquer respeito social, ou apoio, depois do colapso de 2008. Vivem da inércia do medo. Estamos no inter-regno. Sobram teorias da catástrofe, novas religiosidades obscuras, identitarismos tribais, fragmentação.
Urge a ciência contra a des-razão, a filosofia crítica contra a crítica instrumental, a esperança contra o medo, em suma, um mundo novo que não grite e estrebuche mas, fale. Pense e fale com sentido.

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2 thoughts on “Inter-regno

  1. muito realista e forte reflexão, muito visível o que vem a seguir, muito claro o antes deu causa ao presente; bem haja tal lucidez.

  2. “a Alemanha, de que depende hoje a “mono”-economia portuguesa”

    Nem mais!! Uma dependência desejada!!

    “Urge a ciência contra a des-razão, a filosofia crítica contra a crítica instrumental, a esperança contra o medo, em suma, um mundo novo que não grite e estrebuche mas, fale. Pense e fale com sentido.”

    Hear hear!!

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