O PAN e o Autoritarismo Punitivo

Hoje o Presidente do PAN foi a uma festa Vegan explicar que os comedores de carne andam a estragar o planeta e que “comer é um acto político”. Esqueceu-se de dizer que “a ração para os cães e gatos das famílias portuguesas emitirá 1,53 milhões de toneladas de gases com efeito de estufa – tanto quanto 212,5 mil pessoas, ou quase metade da população da cidade de Lisboa” (Revista Visão com base num estudo dos EUA)…Eu sou contra animais presos em apartamentos mas não sou contra que outros os tenham, na verdade comer carne ou não, ter animais ou não, diz respeito a cada um. Não gosto de sociedades moralistas, hiper reguladoras, e proibitivas. Prefiro ver gatos capados catatónicos com diabetes fechados numa casa ou cães a morder o rabo, do que andar de dedo em riste a dar lições de moral aos outros. Aliás, até este fenómeno PAN existir na política portuguesa nem sabia que não comer carne podia virar um tema de campanha ou sequer de conversa de café. É que na verdade não me importo nem me interessa que o Presidente do PAN e os seus apoiantes poluam o mundo a dar de comer aos seus animais. O que me incomoda mesmo é este messianismo punitivo que – imagine-se – terá representação parlamentar! Não quero hoje debater como chegámos aqui – isso merece todo um cardápio sustentado de ensaios filosóficos sobre a solidão que, como se sabe, é talvez um dos temas centrais do século XXI. Tema tão sofrido que temos evitados debatê-lo a sério, porque a verdade é que há imensa gente que fez dos animais amigos, netos, filhos, maridos e mulheres, e sofrem a sério com as perdas de quem pensam que amam realmente. É coisa para um diván 20 anos. Não é para mim, a não ser aquela parte em que a solidão nos locais de trabalho e a competição é tanta que um afago fetiche a um pelo parece amor ou amizade ou apoio – não é, nem nunca será. Amor e amizade são sentimentos humanos, entre iguais. Por agora fico-me com este pedido: que o Presidente do PAN deixe de se comportar como um pastor evangélico que prega o casamento com a amante nos bastidores. Ou se remete ao silêncio nestas matérias, ou passa a dar alfaces aos cães, e tofu aos gatos como “acto político”. Três vivas para o leitão e a Alheira de Mirandela!

Advertisements

10 thoughts on “O PAN e o Autoritarismo Punitivo

  1. “(…) andar de dedo em riste a dar lições de moral aos outros.”
    É impressionante a quantidade de gente que há com moral superior à minha. Se tivesse alguma até me sentiria mal com a minha execrável condição de omnívero!

    Ah, Viva! Viva! Viva!

    • Que eu saiba não há nenhum concurso de moral. Há muita gente que tem comportamentos mais éticos do que eu em muitas matérias e não me passa pela cabeça denegri-las para me sentir melhor com as minhas escolhas de conveniência, preguiça ou desconhecimento.
      Sermos omnívoros – ou oportunistas alimentares – é uma condição biológica inerente à espécie que nos permite sobreviver em diferentes habitats. Hoje em dia sermos carnistas é uma escolha cultural que tem consequências desastrosas para o ambiente, condicionando inclusivamente a nossa sobrevivência enquanto espécie.
      Podemos fazer como os últimos habitantes da ilha da Páscoa, cortando ainda árvores na fuga para colocarem estátuas em pontos estratégicos numa lógica de apaziguamento da ira dos deuses, pois não percebiam que era o desmatamento o responsável pelas enxurradas… ou então informamo-nos e percebemos que temos de mudar os nossos hábitos de consumo. Na era da informação, a ignorância não pode ser desculpa.

      • Discordo. Há um enorme tribunal moral global, também no que toca à questão ambiental.

        Há um lado virtuoso que está absolutamente certo (e que sabe como nos salvar do apocalipse se apenas eu fizer aquilo que me dizem) e há os negacionistas maus, imorais, trumpistas e afins.
        Não há espaço no meio, e aqueles que têm dúvidas e levantam questões são imediatamente ostracizados com um qualquer rótulo de intolerância.

        Basta abrir um jornal, ligar a televisão ou entrar numa escola (desde a primária até ao ensino superior) para se ficar a saber como é que se deve pensar se se quer ser “um dos bons” e como quem diverge do ‘groupthink’ é mau.

        Confesso que admiro as tácticas desta “Revolução”: estão a tomar conta da comunicação social e do sistema educativo com a doutrinação colectiva. Brilhante.
        Deviamos incluir o livro ‘1984’ no curriculum escolar de forma a conseguirmos estar mais atentos a estas manobras, mas divago…

        Voltando ao ponto em questão, pergunte-se: Onde é que fui verificar os dados que confirmam a minha posição? Ou será que li e ouvi dizer que “estudos científicos provam que…” e agora repito-o como um mantra?

        Não a estou a atacar, apenas a sugerir que ponha em causa aquilo que tem como certo e absoluto. É um exercício deveras confrontante mas com um potencial imenso para combater a ignorância que tanto abomina.

        Pelo que vale, posso dizer que fui procurar informação sobre a temática climática porque estava cheio de dúvidas: e se tinha poucas certezas quando comecei, com menos fiquei depois de o fazer.

        O planeta já cá está há 4.5 biliões de anos e nós entre 250 a 100 mil (parece não haver consenso científico): já passou por inúmeros aquecimentos, arrefecimentos e demais cataclismos; cerca de 99% das espécies que já o pisaram estão extintas e se calhar está na nossa hora – mas o nosso ego torna-nos cegos à nossa insignificância.

        Fala em deuses e no seu apaziguamento, mas na era da informação, vou arriscar e dizer que rejeita os factos que acima lhe apresento.

        Não há um concurso, o que há é uma religião ambientalista que já reinvindicou a moral por completo. Apresenta um discurso extremista e está repleta de fanáticos que querem exercer poder sobre mim, gritando-me (de dedo em riste) como é que tenho de viver a minha vida e o que é que posso e não posso pôr na boca.

        Também posso aqui sinalizar a minha virtude ambiental listando todas as acções que tomo – tanto no meu dia a dia como em termos futuros – que reduzem a minha pegada de carbono mas não vou fazê-lo porque, tal como 100% das pessoas que conheço, mais há que posso, mas que escolho não fazer.

        Em relação aos animais também sou da opinião que a indústria pecuária é das mais poluidoras e insustentáveis.
        Mas acredito que a solução para a maioria dos problemas passa por tomar acção individual no nosso círculo de influência. Nunca em tentar impôr a nossa forma de ver o mundo aos outros. E só reconheço a duas pessoas, a moral para me pregarem neste assunto – sendo que estas não o fazem e lideram pelo exemplo… um que eu escolho seguir.

        https://lifetidesblog.wordpress.com/2019/09/28/climaticas-deambulacoes/

        P.S. Não tenho “pets” e toda a carne que como e dou aos meus filhos é biológica e alimenta-se exclusivamente de pasto.
        Afinal sempre acabei por sinalizar qualquer coisa… 😏

      • “Não a estou a atacar, apenas a sugerir que ponha em causa aquilo que tem como certo e absoluto. É um exercício deveras confrontante mas com um potencial imenso para combater a ignorância que tanto abomina.”
        Agradeço a sua sugestão e informo que o meu interesse pelas alterações climáticas não nasceu ontem, mas há vários anos que acompanho o assunto de perto. A minha posição não é, pois, o resultado de um “achismo” mas do conhecimento científico que tem sido produzido e publicado após peer review. Este assunto é inclusivamente objeto de um consenso ímpar na história da Ciência, com 99% dos especialistas em climatologia a reconhecerem a causa antropogénica do aquecimento global, como pode verificar aqui:
        https://www.theguardian.com/science/2019/jul/24/scientific-consensus-on-humans-causing-global-warming-passes-99?fbclid=IwAR1Q-IgXBycvjzlqsayvEX_TE9–6Cl8G3Tlv_gneBtqlLgC62PoPW-vFOY
        “Fala em deuses e no seu apaziguamento, mas na era da informação, vou arriscar e dizer que rejeita os factos que acima lhe apresento.”. Quais factos? Que a Terra já passou por alterações climáticas? Penso que ninguém nega isso, o que não podemos é comparar os fenómenos. Aqui pode ler uma descrição acessível da diferença entre os fenómenos: https://www.scientificamerican.com/article/current-warming-is-unparalleled-in-the-past-2-000-years/
        Precisamos urgentemente de distinguir entre factos e opiniões.
        “Não há um concurso, o que há é uma religião ambientalista que já reinvindicou a moral por completo. Apresenta um discurso extremista e está repleta de fanáticos que querem exercer poder sobre mim, gritando-me (de dedo em riste) como é que tenho de viver a minha vida e o que é que posso e não posso pôr na boca.” A vitimização aqui é ridícula, desculpe que lhe diga. Os dados são apresentados e as pessoas fazem as suas escolhas com toda a liberdade, independentemente de poderem fazer escolhas que lixam o futuro a todos os outros; quer maior liberdade individual do que essa? O problema é que as pessoas não querem ser confrontadas com a sua própria consciência e, quando forem interpeladas pelas gerações mais novas sobre o que fizeram ou não fizeram quando foram alertados para a crise, querem poder dizer que não sabiam, não havia certezas… só que essa desculpa obviamente não vai pegar. E não vai pegar porque vão ter de responder a seguir porque é que não usaram o princípio da precaução num assunto dramático como este. É que no fim, se se verificar que foi um exagero do mundo científico, o facto de mudarmos os nossos padrões de vida para conseguirmos um mundo mais limpo não vai prejudicar ninguém; ao passo que se for real e continuarmos alegremente a caminhar a passos largos para o abismo, é… o que é que podemos chamar a isso? Irresponsabilidade? Estupidez? Crime?
        Quanto às suas ações para mitigar os efeitos das alterações climáticas são para o tal concurso? É que não sei como é que isso funciona, no meu mundo não existe esse jogo; será que por cada garrafa de plástico deitada no ecoponto recebemos uma estrela e isso anula o facto de andarmos a comprar água em embalagens de plástico?

      • Ok, aceitando que o planeta está a aquecer e o Homem é o principal causador desse aquecimento pergunto-lhe: Para além de insinuar que sou irresponsável, estúpido e criminoso (assumo que o dedo nao está em riste) o que é que sugere que faça? Que façamos? Quais são as medidas concretas que propõe?

        Apesar das acusações e insinuações que me fazem, recuso reclamar o estatuto de vítima – muitas há mas eu não o sou.
        E quando for interpelado pelas gerações mais novas:
        – Vou-lhes dizer que foi a queimar carvão que erradicámos doenças e praticamente acabámos com a pobreza abjecta no mundo;
        – Vou-lhes dizer que toda e qualquer decisão tem um custo e que priorizámos a melhoria da condição humana;
        – Vou-lhes dizer que fizemos o melhor que podiamos com as ferramentas que tinhamos disponíveis e que nunca parámos de trabalhar em desenvolver ferramentas melhores;
        – Vou-lhes dizer que desde que começámos a ter mais consciência dos efeitos nefastos por nós causados, temos tomado acção;
        – Vou-lhes dizer que os níveis de CO2 por nós emitidos têm vindo a diminuir nas últimas décadas;
        – Vou-lhes dizer que os rios e o ar estão mais limpos do que estavam há 40 anos graças ao engenho humano;
        – Vou-lhes dizer que o nosso passado está cheio de asneiras e atrocidades mas também repleto de inovações e descobertas que nos fazem usufruir deste nível de conforto nunca antes experienciado por ninguém. Um conforto que – assumindo que se encontra em Portugal – nos permite “estar aqui a conversar” a 18000 Km de distância (quem diria que tal seria possivel há 30 anos?);
        – Vou-lhes dizer que não somos perfeitos mas que queremos o melhor para eles e que o saldo das nossas acções é extremamente positivo e alcançado com eles em mente.

        “Quanto às suas ações para mitigar os efeitos das alterações climáticas são para o tal concurso?”
        Touché!
        Na verdade as que listei foram principalmente motivadas por questões éticas, de saúde e conforto (no caso dos “pets”) mais do que ambientais.

      • ahahahahah…mais uma ambientalista simplória, procure no youtube “ambientalista simplório”…acorde para a vida

      • Diogo, acho maravilhoso que ao consenso científico mundial sobre as alterações climáticas contraponha uns videos do Alex Eipstein divulgados pela Prager university, que de universidade tem apenas o nome enganador; outro do guru da auto-ajuda – Jordan Peterson – que sempre que confrontado com alguma coisa para a qual não tem resposta se refugia no seu mantra que o melhor é não fazer nada, porque sabendo apenas que há um fogo, mas não sabendo quantificá-lo nem como começou, o melhor é a inação.
        Ambos se tornaram artistas pop do movimento negacionista, tendo o primeiro inclusivamente fundado um centro para o desenvolvimento industrial que se propõe treinar os porta-vozes das empresas para discursos convincentes branqueadores dos impactos negativos das suas atividades.
        Olhe, boa sorte com isso!

  2. A indigência intelectual dos manifestos anti-PAN é indicativa do desconforto que algumas das suas causas provocam nos ecologistas de sofá. É confrangedor ver alguém que pretende ser levada a sério desconhecer a mensagem científica sobre o impacto da indústria pecuária nas alterações climáticas divulgada em todos os meios, atribuindo-a ao presidente do PAN para fins fins populistas. Ainda assim, vale a pena explicar o óbvio:
    1. O excesso populacional de cães e gatos é um problema que os humanos criaram e que alguns tentam resolver de forma mais compassiva do que o tradicional abate massivo (100.000/ano), é grotesco sugerir que são “pets” dos apoiantes do PAN
    2. A imagem de marca da Raquel é andar de dedo em riste a atacar todos os que não pensam como ela, mas subitamente tem pruridos de o fazer se as vítimas não tiverem estatuto humano, o que diz muito da sua sobranceria
    3. Sim, a alimentação dos animais domésticos – gatos e cães, mas também porcos, vacas, galinhas, etc – é devastadora em termos ambientais, por isso esses números devem ser controlados e reduzidos drasticamente. Os humanos já provocaram a extinção de 83% dos animais selvagens e de 50% das espécies vegetais. Em compensação, 70% do número total de aves são para consumo humano e 60% dos mamíferos atualmente no planeta também, estando estes números em ascensão.
    4. Desconhecer que há alimentação vegetariana para gatos e cães é apenas demonstrativo da sua preguiça em recorrer ao google e na fé que tem no eco popularucho do negacionismo trumpista, mas insinuar que as pessoas que procuram não causar dano ou sofrimento desnecessário aos outros animais é por não serem capazes de se relacionar com humanos, é torpe e imperdoável.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s