Sempre dei aulas de portas abertas

Muitos celebram a entrada dos seus filhos na Universidade, – compreendo, embora que cursos, onde, com que escolha seja todo um tema para debate. Não para hoje. Hoje, na página online do Jornal Público lê-se a gorda, “Saiba se o Seu Filho Entrou na Universidade”, e logo por cima um anúncio de uma Universidade Privada, “Candidaturas Abertas”. A Universidade devia ser um lugar onde todos os que quisessem lá entrar entrassem – o conhecimento não ocupa lugar, não pode ter vagas limitadas. Não me interessa se um pedreiro vai lá assistir a uma aula minha ou se eu vou a uma aula de medicina, ou de cinema. Há estudos destinados a formar força de trabalho para o “mercado de trabalho”. Mas todos os estudos devem ser livres, antes de qualquer função na produção, seja em que modelo económico. Por mim, já o disse tantas vezes, as aulas devem ser de portas abertas, como são as Igrejas, no centro das cidades. Desde que saiba comportar-se num local público, entra quem quer. Curioso pensar que hoje é mais fácil entrar numa Igreja do que numa Universidade, quando as igrejas são historicamente os locais por excelência do conhecimento elitista e fechado.
Sempre dei aulas de portas abertas.

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1 thought on “Sempre dei aulas de portas abertas

  1. A vida das pessoas deve ser uma ampliação e não uma trajectória construída a preceito por algo que as ultrapassa. Vivemos numa sociedade onde as pessoas não envelhecem, morrem aos poucos. A condição humana ultrapassa em muito o acto declarado ou a acção com propósito. Lugares do conhecimento são e têm de ser lugares de confiança, lugares onde nos permitimos conhecer.

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