Impõe-se uma reflexão profunda sobre o comportamento das pessoas nas redes sociais. Não podemos normalizar comportamentos canibalescos e anti sociais nas redes públicas onde ofender passou a ser normal. Não podemos assistir a isto em silêncio, mesmo quando não somos nós os alvos. As minhas duas páginas do facebook têm mais de 72 mil pessoas. Com frequências nestes anos recebi muitos elogios, conheci muitas pessoas, até fiz amigos reais, colegas de trabalho para a vida. Mas o inverso é verdade também. Embora de forma minoritária fui ofendida, agredia verbalmente, caluniada, o meu nome posto em causa, a minha vida privada questionada, e até ameaçada. Isto tudo na maioria das vezes no meu mural público. A pergunta que temos que fazer é como aceitamos normalizar estes comportamentos?
A cada “museu salazar”, vegans, feministas, amigos dos animais, direito à vida, homofónicos, membros do partido A e do clube de futebol B, anti sindicalistas ou anti intelectuiais, a cada polémica mais ou menos apaixonante, com mais ou menos piada e provocações ou seriedade científica, um grupo de pessoas descontroladas assume um papel em que o objectivo é aterrorizar o adversário. É assim que defendi comer carne e me disseram que estava a “branquear o fascismo” e era uma “criminosa”; ou que acho o feminismo reaccionário e me explicaram que sou uma amiga de violadores; que sou a favor do aborto e portanto quero matar crianças; que acho o identitarismo um atraso, logo sou racista, ou Put& colonialista; que considero o PS igual ao PSD em matérias centrais, logo “sou paga pelo CDS, menina da linha, sua V%c$”. Isto junto a “Cala-te estúpida”, ou, a versão anti intelectual, “A Doutora sabe muito, mas não vale nada”.
Se as pessoas pensarem um segundo no que escrevem verão que este é um comportamento que não nos permitira estar na casa das maioria das pessoas, falar com a nossa mãe, nossos colegas, nossos professores, ou fazer parte de qualquer equipa de trabalho. É um comportamento de um animal raivoso, incompatível com a vida em sociedade. Que não quer debater ideias, mas impedir o adversário de pensar. A táctica é bombardeá-lo com ofensas para que ele se sinta ameaçado e entre em auto censura, para que se mantenha em silêncio e evite ideias que, nem sequer tendo qualquer expressão maioritária na opinião pública, têm a defendê-las um grupo raivoso de gente que recorre a todo o tipo de métodos. É assim que recebo 10 ofensas em público e 100 elogios a dizer que tenho a razão, em privado, agradecendo a “coragem” mas que eles não o dizem em público porque não querem “acirrar o vespeiro e ser ofendidos”. No fundo, agradecem-me muito que eu seja ofendida por eles…(risos, meus).
Agora pensem. Coragem de quê? De dizer o que pensamos, de ter liberdade de expressão? De pensar? O que se tem passado nas redes sociais é que grupos de pensamento usam o terror, na forma de agressão, para impedir os outros de se expressarem. São formas totalitárias de estar, são, sejam de que cor forem, por melhores fins que digam ter – salvar o planeta, as mulheres, a vida e os animais – grupos de terror verbal cujo meio é a utilização do terror com o fim de impedir a diversidade de pensamento.
A isto corresponde claro uma profunda crise na humanidade. Um misto de individualismo, pobres redes sociais reais, sem responsabilidades laborais, familiares e relações densas, sociedade flexível e rápida, sem memória. Gente que não compreende nem faz a mais pequena noção da diferença entre a liberdade de pensar, com metáforas, provocações, brincadeiras ou palavras duras, e o comportamento de matilha da agressão verbal. A humanidade vive uma crise de direcção, como nunca viveu. Ao ponto de termos aceitado que esta direcção – a da censura e da violência – ganhasse o nome de politicamente correcto. Quando a única coisa correcta na política, nas ideias, é dizer a verdade.
Do meu mural serão todos expulsos. O meu lema é todas as polémicas, todas as ideias são livres, todo o contraditório é necessário. Quando se quer impor ideias pela força – física ou verbal – essas pessoas deixam de ser adversários de um debate. Passam a ser tropa de choque de uma sociedade sem liberdade. Os camisas negras do (seu) pensamento único. Tanto me dá que seja para salvar o planeta ou o clube de futebol, os Touros ou o Governo – para mim sempre houve e sempre haverá meios e fins indissociáveis, é um lema de vida. O melhor dos objectivos passar a ser o pior quando os meios utilizados são inaceitáveis porque implicam a utilização não da força das ideias mas do medo e da coação. Convido-vos a sair por favor desta minha nobre casa, tão grande e tão bela, tão diversa e tão polémica. O medo não tem lugar aqui. É a liberdade que está a passar por aqui.
Tenho vindo a escrever e a defender o combate ao indevidamente chamado politicamente correcto.
Tenho vindo, por palavras actos e nunca omissões, a contrariar o argumento ‘ad hominem’, o insulto, a vacuidade, a insídia.
Com uma diferença – dou-lhes espaço para se exporem. E respondo ao primeiro contacto. Descubro-lhes assim uma muito curta vida (in)útil, talvez porque não resistam quando adubados por si mesmos. Curta, mas para a posteridade.
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2463243863765479&id=201100959979792
Destruição, o maior dos confortos, gente de alma perdida que procura infligir aos outros a dor da sua própria existência. Pobre percepção de vida, não sabem nem imaginam que é pouco existir para dominar. Violência como elemento de afirmação. As pessoas destroem-nos por dentro, afectam o que somos, conseguem, se quiserem, o pior que temos para dar. Escolhas irrazoáveis nunca são livres, são um atropelo, são um grau menor de representação.
Textos inteligentes, claros, estimulantes… Um privilégio ser seu leitor e haver um blogue com esta liberdade, autenticidade, coerência…
Ainda bem que existe! Ainda bem que escreve e tão bem: Os cães ladram (só sabem isso) e a caravana passa. Eu gostave de vêr ,era desmentidos daquilo que tem apontado como errado
nas várias situações abordadas.
Bem haja
Do melhor que já li!
Também noto que as ofensas (cobardes claro, feitas por detrás dum teclado e que nunca seriam proferidas cara a cara) vêm maioritariamente, se não exclusivamente, dos SJWs “defensores da diversidade” a todo o custo, menos da diversidade mais importante de todas, a de pensamento.
No entanto, não consegui deixar de rir com a ofensa do anti-intelectual!!
Excelente comentário o seu, cumprimentos
Esses indivíduos são conhecidos como “trolls” – e são pessoas que são *pagas* pelo poder estabelecido para andar, na Internet, a tentar desacreditar (e a tentar sabotar a actividade de) pessoas que sejam “anti-sistema”.
Já houve até jornalistas portugueses (também alvo deste tipo de ataques) que o denunciaram na televisão:
http://videos.sapo.pt/osVD6KZEr9jc8zwnbAKm
(E, até os clubes de futebol pagam a pessoas deste tipo, para atacar os seus críticos, na Internet: https://zap.aeiou.pt/sporting-meio-milhao-blogs-contas-falsas-209537)
São, em suma, pessoas cobardes – que usam o anonimato, na Internet, para práticas criminosas e indecentes.
Eu próprio ando há quase 20 anos, desde que comecei a fazer denúncias na Internet, a aturar com este tipo de gente. E, ao fim de uns anos, tornam-se fáceis de identificar, pelas suas manifestas características: https://blackfernando.blogs.sapo.pt/o-que-e-um-troll-14229 + http://www.forumdefesa.com/forum/index.php?topic=27.msg316111#msg316111
[Porque um anterior comentário (a outra colocação, neste blogue) que ficou à espera de ser aprovado – por conter hiperligações – nunca chegou a aparecer… E, porque sei que a WordPress censura conteúdo de que não gosta (h*tps://www.infowars.com/investigative-journalist-banned-for-exposing-deadly-vaccines/)… Para ter a certeza de que a autora desta colocação lê o seguinte comentário, aqui vai outra vez o que há pouco tentei publicar, mas agora com as hiperligações disfarçadas…]
Esses indivíduos são conhecidos como “trolls” – e são pessoas que são *pagas* pelo poder estabelecido para andar, na Internet, a tentar desacreditar (e a tentar sabotar a actividade de) pessoas que sejam “anti-sistema”.
Já houve até jornalistas portugueses (também alvo deste tipo de ataques) que o denunciaram na televisão:
h*tp://videos.sapo.pt/osVD6KZEr9jc8zwnbAKm
(E, até os clubes de futebol pagam a pessoas deste tipo, para atacar os seus críticos, na Internet: h*tps://zap.aeiou.pt/sporting-meio-milhao-blogs-contas-falsas-209537)
São, em suma, pessoas cobardes – que usam o anonimato, na Internet, para práticas criminosas e indecentes.
Eu próprio ando há quase 20 anos, desde que comecei a fazer denúncias na Internet, a aturar com este tipo de gente. E, ao fim de uns anos, tornam-se fáceis de identificar, pelas suas manifestas características: h*tps://blackfernando.blogs.sapo.pt/o-que-e-um-troll-14229 + h*tp://www.forumdefesa.com/forum/index.php?topic=27.msg316111#msg316111
Um texto excelente, muitas vezes dou por mim a reflectir nesta temática, deixou de existir a discussão coerente que leva ao consenso, mas apenas a discussão totalitária que visa a imposição de ideias extremistas, como se o mundo fosse apenas a preto e branco. um seu seguidor!