A abstenção

“A abstenção não é uma doença, é um sintoma. Não se trata tapando as causas, mas nas causas. Quando a luta pelo direito ao voto fez correr sangue, que começa em 1830 na Inglaterra, os Parlamentos tinham um poder que perderam de facto à medida que foi estendido o direito ao voto. Os Parlamentos foram perdendo capacidade de decisão face ao poder executivo na viragem do século XIX para o XX. O sangue que correu em 1830 foi pela luta de decisão efectiva do legislativo sobre o executivo. O que mudou.
E nos últimos 20 anos se agravou muito, com o executivo a ganhar um poder desmesurado sobre o legislativo, os governos vivem em estado de excepção, não cumprindo os programas, reivindicando sempre que são obrigados a fazer o que não queriam e que não previram – aqui na forma de resoluções bancárias, aumento de impostos, cativações e orçamentos rectificativos, nada do programa é cumprido como estava no período eleitoral – essa é um quebra de confiança; em segundo lugar o Conselho da Europa e a Comissão determinam decisões que já mais passaram por qualquer escrutínio público. O hiato entre representantes e representados é indiscutível – é este hiato que tem que ser pensado.”

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