A pequena política

Nunca subestimem o poder da política miserabilista.

Esta semana o Governo, PC e BE aprovaram o estatuto do cuidador informal, isto é, as mulheres, na sua maioria, vão para casa cuidar dos idosos e tal conta para a reforma. Pior era não terem estatuto? Sim. Mas melhor era haver políticas públicas de Estado Social, até porque os idosos têm hoje doenças da longevidade que exigem trabalho especializado – em países mais decentes paga-se a enfermeiros para fazer este trabalho. E finalmente porque uma coisa é amor aos pais, outra é prender alguém (uma mulher, na maioria dos casos) da família numa casa a cuidar de doenças como demência, etc. Como é que o BE, PCP e PS tão frenéticos a chamar machista a todos (e todas) que não se embalam na moda identitária apoiaram este retrocesso na emancipação feminina? É que em vez de viverem bem a velhice, com 55 anos, e 60, a namorar, ler, criar, estas mulheres vão cuidar dos idosos – elas são uma força de trabalho que já não aguenta ritmos brutais aos 55 anos, já estão em pré-reforma com doenças de trabalho, e vão cuidar dos pais, porque o Estado nisso não investe – para quê investir em idosos doentes que não trabalham? Percebem que para defender políticas de igualdade não é preciso ser feminista? Aliás, não é que foram os partidos feministas que aprovaram esta nova dona de casa do século XXI?

Também abriu a “época de fogos”. Há a da caça ao coelho, a das cerejas e a “de fogos” – é tão absurdo que talvez não saibam que é uma especialidade nossa, o país do maior eucaliptal relativo do mundo, sim, nós, temos “Época” para fogos desde os anos 80 em que isto se transformou num paraíso exportador de pasta de papel de duas famílias deixando o país todo a pagar as tragédias que se somam. Nada se fez face ao eucaliptal, mas jogam-se milhões em equipamentos caríssimos – de importação sobretudo alemã, maquinaria (automóvel) pesada – para apagar fogos, deixando bombeiros e corporações, GNR e Estado, felizes na passeata oficial da entrega do material. Ou seja, o país vai arder na mesma.

Ainda vou ver a cereja no bolo: os movimentos ecologistas a pedirem que nós paguemos mais uma taxa ecológica para equipar os carros de bombeiros com baterias de lítio verdes da cor do sangue da extracção mineira…Ou darem um benefício a quem além dos idosos, adopte um cão. Parece piada de humor negro, mas…cá estaremos para ver…

Quando a política tem este pequeno tamanho afasta de si todos os que pensam o melhor para a sociedade.

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1 thought on “A pequena política

  1. Infelizmente, Raquel Varela tem toda a razão: assim tem vindo a ser (e continuará) o país onde nasci.

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