Levamos o Estado Social ao peito

Parece que a sanção de Berardo é ficar sem condecorações – não perceberam que na comissão parlamentar o tipo não sabia sequer o nome do lema da própria Associação que estava escrita no pin que trazia ao peito e que ele dizia, com a mão no coração e no pin, “mas é o lema da minha vida, a minha vida”. O nome do lema, sabe quem teve estômago para ver tudo,…teve que ser sussurrado pelo advogado ao ouvido porque Berardo não se recordava sequer qual era o lema da sua vida.

Ali não há vida a não ser em notas e acções. Todo o espectáculo, incluindo o dos assistentes deputados, foi aliás de mortos-vivos. Berardo riu-se da condecoração que lhe deram, e rir-se-á da que lhe vão tirar. A condecoração foi o pin para chegar ao dinheiro, ao nosso dinheiro, ao nosso trabalho, ao nosso Estado Social. À nossa vida. A rigor ele nem sabe o nome da condecoração, se é comenda da ordem ou da liberdade. Quando a perder terá mesmo que ser…sussurrada pelo advogado, ao ouvido.
Tudo isto é nauseabundo. Sórdido. Intolerável.

Por mim – confesso – podem deixar a condecoração, como símbolo de uma ligação real entre um Estado falido de valores de bem estar e honestidade e um Comendador da República. E alerto – tirar-lhe a condecoração não vai lavar a alma (nem o respeito público) a quem lha colocou, com honras e vénias, ao peito. Com o devido respeito há muita gente a governar este país que se fosse honesto consigo próprio não só não tirava a condecoração a Berardo como mandava fazer um pin com a cara deste. E colocava ao peito, ao lado da bandeira. Porque tudo isto só é possível porque há muita gente que ganhou, e ganha muito, com o Berardo que hoje desprezam, e que são incapazes de julgar e expropriar. Os juros da dívida pedida para pagar aos Berardos rendem todos os dias a esta gente milhões de euros. É por isso que ele se ri, assim.

Eu no meu peito guardo a cara, as palavras, dos milhares de trabalhadores manuais e intelectuais que tive a honra de conhecer neste país, que percorri em 11 anos de “saída da crise”. Levamos, acredito, a maioria de nós, ao peito pin do Estado Social e do Pleno Emprego – lemas de vida. São as nossas Comendas. A nossa forma civilizada de olhar o mundo.

1 thought on “Levamos o Estado Social ao peito

  1. Nesta descrição surge toda a verdade, dos tristes (des)governantes, em que este triste povo e inculto, tem votado ao longo dos anos e levado na onda da palhaçada e contínuas promessas… Talvez que um dia acordem, mas quando já for tarde! Óptimo trabalho, Raquel, nesta sua visão! Bem-haja…

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