De que lado estamos?

Ainda sobre Berardo e o Estado cumpre-me contar três histórias que conheço de quem paga estas contas. Além, claro, dos contribuintes como nós que pagamos serviços públicos que não funcionam. A L. foi dar aulas para o Oriente, filha de pais humildes, ficaram desempregados para cortar custos depois de 2008, cortes que foram para pagar a Banca. De lá manda dinheiro para os pais. Ficámos com menos um quadro no país. O M. da Madeira, estivador, perdeu a casa porque para lutar contra os salários baixos sindicalizou-se no SEAL- Sindicato dos Estivadores, e como retaliação foram-lhe retiradas horas extraordinárias. E a Lídia O. que deu a cara publicamente contra a falência da Moviflor, também perdeu a casa, o emprego. Não perdeu a dignidade e ajudou a fundar uma Associação, A Casa, de defesa dos direitos dos trabalhadores. O que é importante aqui -, além de dar voz aos exemplos de dignidade humana por oposição ao lixo moral que representa o sector financeiro -, é que não foi Berardo que desenhou o sistema legal que permitiu isto – foi o Estado. E o Estado não somos todos nós. Não nos escondamos no senso comum, que repete que o poder económico domina os Estados. Não é verdade. O poder político tem sempre a última palavra. E deu-a a Berardo. Que conservou a sua casa, a sua Associação, a sua colecção, a sua quinta, impune.

Em 11 anos desde a crise nunca ninguém entrou com uma bateria de polícias e inspectores na sua casa, ou penhorou qualquer bem, das dezenas que de facto possui aqui e no estrangeiro. Mas o mesmo Estado levou uma semana a entrar na Ordem dos Enfermeiros e vasculhar as contas – abrindo um precedente gravíssimo para todos os sindicatos e ordens, com o claro propósito de amedrontar quem não se resigna a esta ignomínia nacional, e luta por si e pelos serviços públicos. Sim, quer gostem ou não da Ordem dos Enfermeiros, ao lutarem por bons salários dos enfermeiros estavam a defender na prática o SNS, que só sobrevive com profissionais bem pagos, ao pagarmos as acções de Berardo destruímos o SNS. O Estado escolheu um lado, sem lhe tremer a mão – não foi o do bem comum.

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2 thoughts on “De que lado estamos?

  1. So gostava de saber como esta historia do Berard é possivel os que permitiram que isto fosse assim quem assinou a legislação!!!como acusa-los ou denunciar são Ali babás!!!

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  2. Não confundIr Ordem com Sindicato. E á Ordem nunca foi atribuída a luta por melhores salários A Ordem por delegação de competências da tutela tempurá função que nem vale a pena trazer aqui pois todos sabemos qual é.

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