Comissão e Circo

Ao assistirmos ao grotesco Berardo corremos o risco de pensar que o problema está no homem e não no sistema económico e político que agora usa o homem como bode expiatório para se apartar do monstro que criou. As comissões parlamentares a estes cavalheiros da Banca são uma demonstração da ineficácia – e muitas vezes cínica complacência – do Parlamento a dirigir os mais importantes destinos da nação. Não evitaram, não regularam, não dirigiram, numa palavra não governam o país, e nem justiça conseguem fazer. Apenas uma farsa teatral que nos coloca de um lado perante imberbes inocentes deputados escandalizados e do outro um alegado gangster, diz o povo pelas redes e nos cafés. Hollywood.
Na sua essência estes espectáculos no Parlamento são oferecidos porque os Tribunais supostamente não têm meios de julgar e uma audição pública sem consequências legais é melhor que nada. Na ausência de justiça um show. O dinheiro não é devolvido mas humilha-se o homem, que com isso vive bem, humilham-se deputados, que nem dão por isso, e nós humilhados ficamos. Espezinhados. A expropriação da Banca seria uma medida dura mas eficaz e de bem estar nacional. Berardo perdia e nós manteríamos a dignidade. Em troca assistimos a um directo onde as maiores doses de cinismo humano nos são apresentadas e a isto chama-se “transparência, justiça e regular funcionamento das instituições”. Quando na verdade é outra coisa, é uma forma de populismo e um risco para a democracia. Porque oferece ao povo uma festa bárbara em vez de uma solução real justa.

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