Uma vitória para a direita e outra para extrema-direita

Uma vitória para a direita e outra para extrema-direita

Quase todos os meus amigos de esquerda estão a celebrar o fiasco que foi o protesto da «extrema-direita». Para a esquerda, tenho a certeza que foi um fiasco. Para a direita os ganhos são já evidentes: a possibilidade de haver um movimento de coletes amarelos em Portugal anti-neoliberal falhou. Mas também para a extrema direita há vitórias no dia de hoje, o seu líder, desconhecido e obscuro, apareceu pela primeira vez na história nos telejornais à cabeça de um protesto de reivindicações populares na Av. da Liberdade, com 20 pessoas atrás; foram criadas listas de whats up de massas de dezenas de milhar por onde a propaganda extremista pode agora passar, à margem dos media tradicionais; o facebook fechou unilateralmente, a pedido da polícia, um evento com 70 mil pessoas, num processo claro de censura que abre um precedente grave num Estado de Direito – hoje contra a suposta manifestação de extrema-direita, amanhã contra a esquerda. Caberá à polícia decidir, sem passar por tribunais. A derrota de esquerda é clara assim no campo dos direitos políticos.

Mas mais evidente no campo económico: medidas justas de fiscalidade e salários, contra o saque da EDP e o sufoco de pequenos empresários, por mais igualdade social, depois da vitória francesa, não tiveram apoio de massas em Portugal. Pelo contrário, os poucos populares que lá foram saíram profundamente desiludidos por estarem “sós”. A única forma de ter-se evitado este desfecho era ter lideres de esquerda com coletes amarelos, mesmo que poucos, e a contra corrente, ao lado destas pessoas. O que, nós sabemos, não combina com o estilo activista do Bairro Alto e de São Bento. Um desastre para a esquerda e para a democracia, na minha opinião. O tempo o dirá.

Mas, se não quiserem esperar pelo tempo, e além de celebrar uma derrota como uma vitória estejam com vontade de acelerar a queda, sigam os erros da esquerda brasileira, passo a passo. Esta, depois de entregar as manifestações nas mãos dos “coxinhas”, começou a gozar com o povo ignorante e a fazer memes, a ridicularizar o adversário, chamar “fascista” e “coiso” ao seu líder. Em vez de elaborar um programa social claro publicava as enormidades da extrema-direita, gozando com elas, esperando que o povo gozasse também. Isto claro, com muitas arrobas e “linguagem inclusiva” – uma política errada tem que ter palavrinhas correctas. Assim ficou a falar sozinha e a explicar que não tem qualquer culpa no cartório, o problema é que o “país é atrasado e inculto”.

A distância entre as necessidades do povo e a esquerda é assim cada vez maior. Até que um dia, para surpresa de todos, um Monstro é eleito.

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